Ney favorece GCMs da própria escolta e de aliados e gera revolta na corporação

Especial para o VERBO ONLINE

Ney passa diante de GCMs; prefeito apresentou projeto de lei para tornar só GCMs que o escoltam classe distinta com apenas 2 anos na função | PMETEA - 2017

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O prefeito Ney Santos (Republicanos) aprovou nesta quarta-feira (7) na Câmara dos Vereadores, na “surdina”, uma lei que promove guardas civis municipais para a classe mais alta da corporação apenas por fazerem escolta para ele, em desvalorização dos demais GCMs e gasto exorbitante com agentes que não trabalham pela segurança da população e só atuam na proteção de políticos. Os guardas sem reconhecimento por mérito estão revoltados com o “privilégio”.

O projeto de lei complementar enviado pelo prefeito à Câmara diz que “o guarda civil municipal designado para o grupo de escolta e proteção de autoridades e dignitários – GEAD – será enquadrado automaticamente na classe distinta, grau A, se a ela já não pertencer, depois de cumpridas tais funções por mais de 2 anos ininterruptos com pelo menos 8 anos no cargo efetivo”. Como justificativa, Ney só cita “o relevante serviço prestado” pelos favorecidos.

Com a “promoção”, os agentes da escolta de Ney vão ganhar muito mais que os outros GCMs. Um agente procurou o VERBO para denunciar o que chamou de “lei absurda aprovada na calada da noite”. “Eles já ganham 120% em cima do salário do comandante para fazer a segurança do prefeito. Agora fizeram uma lei que se os moleques ficarem 2 anos na função e tiver 8 anos de GCM já pulam para o último grau de evolução da corporação. Pulam 15 anos!”, diz.

O GCM apontou que o governo Ney vai gerar desigualdade dentro da corporação com o privilégio a dez “geads”. “O problema é que existem cerca de 70 GCMs que há mais de dez anos não tiveram nenhuma evolução. Em média, a evolução os 70 guardas daria R$ 70 mil por mês. Com os 10 GCMs que estão no GEAD, eles gastam R$ 70 mil por mês. Ou seja, eles beneficiam 10 em cima de 70, ficam dez GCMs ganhando dinheiro que 70 poderiam ganhar”, afirma.

“Se a lei for para frente, vai dar [gasto] em torno de R$ 1 milhão anual só com esses guardas – dez! É surreal”, criticou o GCM. Os “Geads” não são designados só para escolta de Ney, mas também para o vice Hugo Prado (MDB), o presidente da Câmara, Renato Oliveira (MDB), e até para o pastor Marco Roberto, um secretário – que possui proteção por ser malvisto, acusado de dar golpes. Nenhum secretário, praticamente, “ocupa” GCM como segurança.

Conforme o VERBO apurou, os GCMs estão indignados, particularmente, pelo tratamento discrepante, por conta de os “Geads” terem a promoção para o mais alto posto da Guarda “sem ter de vestir a farda da GCM e colocar a vida em risco ao correr atrás de criminosos há anos”, e depois andar de carros luxuosos com os altos salários recebidos por alinhamento político. “Estamos falando de evolução de carreira, e eles são comissionados”, reprova o agente.

O projeto de lei foi aprovado com o voto de 13 vereadores. Apenas Abidan Henrique (PSB) foi contra. “Esse projeto dá para a pessoa que trabalhou na escolta do prefeito, do vice-prefeito, do presidente da Câmara o benefício de virar classe distinta, grau A, ou seja, ir para o maior escalão da GCM, com apenas 2 anos de trabalho. Vereadores, tem guardas que demoram 20 anos para chegar à classe segunda, primeira, antes de chegar ao grau distinto”, observou.

“O que os senhores estão fazendo aqui é um crime, um desrespeito com a Guarda da nossa cidade. Como diria Maquiavel, é beneficiar os amigos. Isso é um absurdo! Eu não votar em um projeto desse, negócio ridículo. Isso vai desmotivar toda a Guarda, quem está trabalhando o dia inteiro, colocando a vida em risco nas ruas”, afirmou Abidan. Para a lei entrar em vigor, basta o próprio prefeito sacionar. Questionado sobre o favorecimento, Ney silenciou.

comentários

  • Prefeito, os gcms não querem afronta lo ou ser contra o sr.
    Se nós ficassemos quietos o sr. sancionaria a lei.
    Ouvi dizer que o Sr. Não gosta de ser pressionado mas não tínhamos outras opções pois não conseguimos acesso ao Sr.
    Essa lei pode até ser justa para o Sr. Mas para os gcms que não tem o seu agrado é injusta.
    Pedimos com humildade que vete a lei ou deixe ela voltar para a câmara. Obrigadão

  • >