Ator e poeta de Embu se solidarizam e denunciam tragédia de Mariana há 1 mês

Especial para o VERBO ONLINE

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O ator e performer Almir Rosa se cobriu de lama para lamentar a “morte das pessoas, animais e do rio Doce”, e o poeta Manoelídio Oliveira, o Mané do Café, denunciou que “a irresponsável foi a Samarco” sobre o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora em Mariana. Não “esquecido” pelos dois cidadãos de Embu das Artes, a 700 km da cidade mineira, o desastre matou 15 pessoas e deixou 8 desaparecidas e 637 desalojadas, há exato um mês neste sábado (5).

Moradores buscam pertences após ruptura de barragem em Mariana; Rosa em performance sobre tragédia

Rosa ofereceu “uma missa para Mariana” no dia 20 (Consciência Negra) em evento da Kambinda, mas o “figurino” pôde ser visto antes. “Banhei meu corpo todo de lama e fui desde a minha casa, passando pelo centro de Embu, até chegar no sarau”, conta o ator, que no palco fez uma “dança-provocação”. “Eu chegava perto das pessoas separado por poucos centímetros. A reação no geral foi de fuga, ninguém quer se sujar nessa lama toda, sobretudo os de branco”, continua.

“Por fim, levantei uma placa pedindo um minuto de silêncio. Tamanha tragédia acabou gerando um barulho muito confuso, comparações com outras tragédias, em qual delas vc mais se expressou, falta de informação, tudo isso gerou barulho demais, que tb se faz necessário, inclusive para responsabilizar os autores do desastre”, diz Rosa no Facebook. Ele se apresentou diante de cerca de 60 pessoas em quiosque na praça do Engenho Velho (região central de Embu).

“Mas eu, sinceramente, senti falta de um pouco de silêncio, para que pudéssemos lamentar a morte das pessoas, animais e do rio Doce. Que tudo isso descanse em paz”, diz Rosa. Seguidores exaltaram a “provocação”. “Meu mestre amado, só aprendizado a cada dia com você e essa cabeça translúcida […]”, diz Leonardo Armellin. “Estamos nadando juntos nessa lama”, reage Paulo César Martins. “Queria ter visto. No momento só consigo chorar”, diz Gabriela Kaiowá.

O poeta Mané do Café, mineiro, relatou o desastre em poema que foi lido na sessão da Câmara de Embu na quarta-feira (2), pela vereadora Rosana do Arthur (PMDB). “Queremos saber quem vai pagar toda a tragédia de Mariana / Para os moradores, a tristeza foi o que sobrou / Os animais, a fauna e as flores, a lama toda levou”, denuncia. A Samarco demorou duas horas para avisar o governo de MG sobre o rompimento. Por lei, a comunicação teria que ser imediata.

Mané do Café, que se solidarizou com Mariana, e Rosa coberto de lama em “provocação” a espectadores

MARIANA – por Mané do Café
Mariana, aqui vai minha mensagem do que aconteceu em Mariana
O estouro de uma barragem que se transformou em um mar de lama
Ela chegou ao mar, estou falando da lama
Queremos saber quem vai pagar toda a tragédia de Mariana

Para os moradores, a tristeza foi o que sobrou
Os animais, a fauna e as flores, a lama toda levou
Os peixes pedem socorro mas não aparece nenhum pescador
Aquele que mora no pé do morro, também foi pego de surpresa com tanto horror

O que era doce ficou amargo, toda a beleza e doçura acabou
A irresponsável foi a Samarco, destruiu tudo que Deus criou
Eu, como bom mineiro, tenho que defender o meu país
Sendo destruído por estrangeiro, e que vou pagar pelo que não fiz

Dia da tragédia: 5/11/2015
Manoelídio Ramalho de Oliveira, Mané do Café

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