ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
Com o secretário de Comunicação publicitário e a pasta focada em “propaganda” na mídia digital, o governo Aprígio (Podemos) é pródigo em publicar “artes” nas redes sociais, mas se “empolga”, como ao publicar o dispensável “banner” sobre o Dia da Voz, quando já alegou (algo surreal) não ter designer para elaborar o boletim da covid-19 aos fins de semana – a postagem teve seis reações no Facebook, sendo uma do secretário e outra da adjunta.
O governo se “superou”, porém, no início desta semana. Postou que Taboão “esteve na vanguarda da luta de igualdade de gênero quando elegeu a primeira prefeita mulher do Brasil e entrou para a história do país”. Laurita Ortega Mari marcou época, não se nega, mas também não se discute que a gestão atual está se notabilizando pela desinformação. A primeira mulher eleita prefeita no Brasil é Alzira Soriano, na nordestina Lages (RN), em 1928.
Pelo louvável fato, Alzira virou notícia até no mais importante periódico americano. Conforme, aliás, registrou a “BBC News Brasil” recentemente, em novembro do ano passado, “em 1928, um acontecimento político ocorrido em uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Norte teve repercussão até nos Estados Unidos. No dia 8 de setembro daquele ano, o jornal The New York Times dedicou espaço a uma notícia inusitada sobre o Brasil”.
“Numa época em que as mulheres brasileiras sequer tinham direito ao voto e política era assunto exclusivo do universo masculino, a jovem Alzira Soriano, de 32 anos, não apenas votou como disputou e venceu as eleições municipais daquele ano em Lajes, um pequeno município no interior do Rio Grande Norte”, destaca a “BBC”. Só quatro anos depois o voto feminino seria permitido, com o Código Eleitoral de 1932 (governo Getúlio Vargas).
Moradores atentos logo perceberam a “derrapada” do governo Aprígio, inclusive ao citar a reportagem da “BBC”. “Prefeitura de Taboão dá informações erradas”, apontou Alexandre Ribeiro, preplexo ao ver como uma página oficial é usada para equívocos grosseiros, que seriam evitados com uma simples pesquisa. A Secretaria de Comunicação fez a postagem no domingo e à noite – mas o boletim da covid-19 não divulgou no fim de semana.
O amadorismo – ou o apego à forma (“desenhos bonitinhos”) em detrimento da notícia – já tinha se mostrado. Na semana passada, a Comunicação postou um vídeo em que diz que o governo roçou o equivalente a 47 vezes o território de Taboão (nem os emancipadores teriam visto tanto mato) e limpou seis bairros, mas contou cinco – em agravante, o locutor seria um professor. Após apupos, a secretaria apagou a “desastrada” homenagem a Laurita.
> Leia reportagem da “BBC Brasil News” sobre a 1ª mulher eleita prefeita no Brasil
> PANORAMA, a coluna dos bastidores da notícia, é publicado às segundas, quartas e sextas-feiras