Professores e sindicatos fazem abaixo-assinado contra transferência de Fortes

Especial para o VERBO ONLINE

RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, no Jardim Record, em Taboão da Serra

Professores e integrantes da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo) e Siproem (Sindicato dos Professores de Escolas Municipais) estiveram na manhã de terça-feira (15) em frente à Emef Aracy de Abreu Pestana, no Jardim Record, em Taboão da Serra, recolhendo assinaturas de pais de alunos para abaixo-assinado que reivindica a volta da professora Sandra Fortes à escola. Ela foi transferida compulsoriamente para uma escola de educação infantil.

Professores e sindicalistas colhem apoios em abaixo-assinado pela volta de Sandra Fortes à Emef Aracy

Fortes foi mandada para outra escola após cumprir 60 dias de suspensão por causa de processo disciplinar aberto pelo prefeito Fernando Fernandes (PSDB). Pela lei complementar 224/2010, ela foi acusada “de aliciamento de menores, valendo-se de sua condição funcional para lograr direta ou indiretamente qualquer proveito ou vantagem pessoal e de agir de forma omissiva ou comissiva de forma a comprometer a dignidade e o decoro da administração pública”.

Alunos da Emef Aracy, onde Fortes trabalhava, escreveram cartas ao prefeito reivindicando melhorias ao funcionalismo. A EMI Pica-Pau Amarelo, para onde a professora foi transferida, está localizada em um terreno baldio atrás do Centro Cultural Pirajussara, no Jardim Clementino. A escola está cercada por matagal, lixo, entulho e esgoto fétido que corre a céu aberto. O acesso de pais, alunos e professores acontece por meio de uma rua de terra sem calçada e deserta.

Para o presidente do Siproem, Ademir Segura, a escola em local precário foi escolhida “a dedo” para a transferência de Fortes. “Isso é uma perseguição a ela, porque ousou pedir reajuste salarial, ousou pedir dignidade de trabalho aos professores de Taboão da Serra”, disse. Ela foi uma das líderes da greve de 20 dias realizada em junho do ano passado por parte dos professores das escolas municipais, encerrada sem que o governo atendesse reivindicação da categoria.

“A gente vai entrar com uma ação para buscar justiça e reverter essa situação”, disse William Felipe, da Apeoesp. Segundo ele, todas as tentativas de negociação com o governo foram em vão. “A própria Sandra encaminhou uma carta pedindo reunião com o secretário [João Medeiros], mas eles simplesmente não respondem”, relatou. Ele disse não haver nenhum documento informando o porquê da transferência de Fortes. “Foi uma coisa completamente arbitrária.”

Sérgio Brito, também da Apeoesp, relatou que a transferência deixou Fortes em estado depressivo. “Ela está há muito tempo lotada nessa escola, é um baque psicológico muito grande. A pessoa busca o seu direito e é criminalizada. Que democracia é essa? A perseguição política está clara, e estamos tentando, juridicamente, politicamente, reverter”, disse. No ato foram colhidas 75 assinaturas. Segundo os sindicatos, outros atos com o mesmo objetivo serão realizados.

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