Após revés em candidatura, PT de Chico não dá vitória a Dilma em Embu

Especial para o VERBO ONLINE

Dilma fala com militância com Chico (de claro) atrás no palanque de comício no Campo Limpo em setembro

RÔMULO FERREIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Reeleita no domingo, dia 26, presidente do Brasil até 2018, a petista Dilma Rousseff não venceu o adversário Aécio Neves (PSDB) em nenhuma das seis cidades da região no segundo turno, nem mesmo em Embu das Artes, governada há 13 anos pelo PT . No conjunto dos municípios, ela teve 45,55% dos votos válidos (189.053), contra 54,45% do tucano (226.029). Como no Estado inteiro e na Grande São Paulo, a “onda azul” invadiu a região sudoeste da metrópole.

Dilma recebeu 44,02% dos votos válidos (64.559) em Taboão da Serra; 46,65% (58.376) em Embu; 48,56% (39.971) em Itapecerica da Serra – o melhor desempenho; 43,63% (16.135) em Embu-Guaçu; 43,89% (6.987) em Juquitiba; e 37,61% (3.025) em São Lourenço da Serra – o pior. As seis cidades somam 543.478 eleitores, mas 444.317 foram às urnas (abstenção de 18,25%; no Estado, 20,51%) e 415.082 votaram em um dos candidatos (93,42%; média estadual, 93,56%).

No primeiro turno, Dilma tinha ficado atrás de Aécio em Taboão (com 29,75%), em Embu-Guaçu (32,38%), Juquitiba (34,955) e São Lourenço (26,85%), mas vencido em Itapecerica (34,34%) e Embu (33,83%). Na terra das artes, a derrota é mais sintomática por conta de o PT estar no poder desde 2001 e nos últimos oito anos governar com amplo apoio de um arco de aliança com 18 partidos, e ante oposição entre inconsistente e adesista, com o vereador Ney Santos (PSC).

O primeiro revés do PT de Embu foi a não eleição de João Leite como deputado estadual, mesmo com o empenho exclusivo do partido, do apoio de 10 de 15 vereadores, de siglas aliadas e da máquina administrativa, que investiram pesado no candidato. O prefeito Chico Brito emplacou o vereador como postulante do grupo político após protagonizar com o antecessor e hoje desafeto Geraldo Cruz uma “guerra” política sem precedente na história do PT na cidade.

Se o discurso oficial de Chico de que o PT de Embu “saiu fortalecido das urnas” nestas eleições já era questionado por aliados com base na realidade, a postura sofreu novo abalo de credibilidade. O partido na cidade amargou o seu pior desempenho em um segundo turno. Dilma teve 46,65% dos votos, enquanto no primeiro turno obteve 33,83%, um avanço menor – 12,82 pontos percentuais – do que Aécio, que em Embu passou de 31,10% para 53,35% (22,25 pontos).

Na cidade, Dilma teve ainda uma queda em relação à sua votação no segundo turno em 2010, de 57,58%, ao derrotar José Serra (PSDB), o então adversário. Após quatro anos com Embu sob o governo Chico Brito, ela perdeu nada menos que 18.187 votos. Nestas eleições, o partido fracassou na cidade como no Estado inteiro, onde o resultado foi até pior (35,69% x 64,31% de Aécio). Mas em 2010 a petista perdeu no Estado e ganhou em Embu por 20 mil votos de diferença.

1 ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE JUQUITIBA B


Chico diz que o PT saiu forte ao apontar que reelegeu um deputado, sem citar Geraldo. No entanto, segundo o VERBO apurou, Geraldo rechaça o argumento e diz que fez uma campanha “sozinho”, sem a estrutura do PT, que o partido, controlado pelo prefeito e pelo próprio João Leite, como presidente, não o apoiou, ao contrário, o “hostilizou”. No início do ano, Chico confirmou que o “partido está aqui”, ao lado de dirigentes, para negar que o PT estava rachado.

No sábado, véspera da votação, Chico e João Leite lideraram caminhada no Jardim Santa Tereza. Já Geraldo conduziu uma carreata do Jardim Santo Eduardo até o Independência. Apesar do segundo turno mais disputado em 25 anos, com a reeleição da petista ameaçada, Chico e Geraldo e apoiadores, na palavra de um petista que pediu anonimato, “se deram ao luxo” de não acertar uma “trégua” e não atuar junto pela vitória de Dilma – que não veio em Embu.

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