Chico rejeita apoiar Geraldo para prefeito em 2016 e diz ‘vaiou, vai embora’

Especial para o VERBO ONLINE

Prefeito Chico Brito fala sobre desavença com Geraldo, vaia levada, demissão de grupo 'hostil' a ele
Prefeito Chico Brito fala sobre desavença com Geraldo, eleição em 2016, vaia levada, demissão de grupo ‘hostil’

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O prefeito de Embu das Artes, Chico Brito (PT), foi categórico em dizer que na sucessão na prefeitura em 2016, por vontade própria, não apoiará o colega de partido Geraldo Cruz, deputado estadual, antes “amigo” e hoje desafeto declarado. Indagado se poderia apoiar o mesmo candidato de Geraldo, Chico declarou que, “se o candidato não for ele, podemos apoiar o mesmo candidato”, em aguda desavença política entre os dois sem precedentes na história do PT local.

Chico disse que se Geraldo for candidato o PT terá prévia para definir nome de consenso já que o grupo que lidera lançará um oponente. Ele não fez ressalva se o vice Natanael Carvalho, o Natinha, fosse o candidato pelo PT. O VERBO publicou que, por “mão” de Chico, Natinha se filiou ao PT. Ele nega. Apoiadores falam, contudo, que o anúncio só foi adiado. “Quem está no PT ou quem for daqui para frente, se o partido fechar em uma única candidatura, sorte da pessoa”, sinalizou.

Chico disse que a definição do nome ao Executivo do grupo do governo vai depender da conjuntura de daqui a dois anos, que “não adianta ninguém falar hoje que já está eleito prefeito em 2016”, em alfinetada a Geraldo, a quem atribui a tentativa de se impor como único candidato com chance de vitória. Ele afirmou, porém, que “o PT fará o sucessor”, desautorizando o secretário Paulo Giannini, que afirmou ao VERBO em abril que o candidato poderia não ser do PT.

Após a Secretaria de Comunicação recusar pedido para o prefeito esclarecer supostas vaias levadas, Chico, em fala incisiva, não se furtou em responder e garantiu que foi hostilizado por servidores ligados a Geraldo, e os demitiu. “Eu acho um desrespeito muito grande. Não admito isso.” A entrevista coletiva, da qual participou o VERBO, ficou tensa quando a repórter da “Folha de Embu”, ligada a Geraldo, questionou respostas de Chico. “[Se] Desrespeitar, vai embora”, encerrou.

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VERBO – O vice-prefeito de Osasco, [Valmir] Prascidelli, fez uma crítica ao sr. no lançamento da candidatura do deputado Geraldo Cruz, de que o sr. leva para o lado pessoal uma disputa [com Geraldo] e que os petistas de Embu [no governo] falam mal de Geraldo em vez de somar para eleição de dois candidatos do PT na cidade. O que o sr. tem a dizer?
Chico Brito
Primeiro, eu desejo muita sorte para o Geraldo, estou trabalhando para o João Leite se eleger e não para o Geraldo não se eleger. Acho que Embu tem condições de eleger os dois, só o meu candidato é o João, nº 13200, mas eu torço para que o Geraldo tenha sucesso. Essa crítica que o Valmir fez não tem fundamento, se a briga é pessoal não junta tudo isso de gente [no lançamento da candidatura de Leite], junta só eu e ele. A questão não é pessoal, toda a discordância que ocorreu entre a gente foi política, não foi porque era amigo de frequentar a casa dele e ele frequentar a minha casa, até porque frequentávamos muito pouco as nossas casas, a nossa relação sempre foi política, e politicamente nos ajudamos muito. Eu participei da campanha dele em 2000, eu era o chefe de gabinete, ele sabe o quanto procurei colaborar para o sucesso do governo dele. Ele me ajudou em 2006 – poderia ter me ajudado mais –, me ajudou em 2008, na eleição em 2012 tive apoio dele, mas se eu não tivesse feito um bom governo de nada adiantaria. Eu nem sabia que o Prascidelli tinha falado isso. É natural, infelizmente, muitas vezes as pessoas da base fazerem uma disputa mais acirrada – não eu e o Geraldo. Tem gente que critica o Geraldo e me elogia, e que me critica e elogia o Geraldo, tem muitas pessoas que levam para a questão pessoal. Eu não levo e acredito que o próprio Geraldo não leve, infelizmente, tem outras pessoas que acabam fazendo esse tipo de intriga. Não altera nada, se eu encontrar o Valmir vou abraçá-lo do mesmo jeito, não levo isso em consideração na minha vida política, quem vive de picuinha na vida política não sai do lugar. Não é meu perfil agir politicamente por questões pessoais, não é isso, é uma decisão política, de apoiar João Leite porque acredito que fará um bom mandato, e eu preciso de um deputado estadual que esteja do meu lado, como eu disse no meu discurso, não apenas em inauguração de obra, mas nos embates políticos aqui da cidade e da região, no Conisud, no próprio Plano Diretor [quando foi discutida a revisão]. Não é questão pessoal, eu continuo admirando o Geraldo, gostando dele como pessoa. Politicamente dentro do PT, tomamos rumos diferentes. Mas isso é natural no PT, outras cidades também têm outros candidatos. Se a minha equipe fizer um bom trabalho e a dele também, poderemos eleger os dois. Já pensou que coisa boa para Embu eleger dois deputados do PT? Torço para isso, mas meu candidato é João Leite.

Repórter – É possível que na sua sucessão o sr. e ele estejam no mesmo grupo apoiando o mesmo candidato?
Chico –
Apoiando o mesmo candidato? Se o candidato não for ele, podemos apoiar o mesmo candidato.

Repórter – Se for ele…
Chico – Se for ele, eu sigo a orientação do grupo, se o grupo falar “Chico, é ele!”, vou atender o pedido do grupo. Hoje o clima não é para isso, se fosse, ele seria o único candidato a deputado estadual aqui hoje, mas não é o caso. Essa avaliação não sou eu que faço, é de um grupo. Em 2016, o PT fará o sucessor, e sairá desse nosso arco de alianças. Eu sou prefeito do PT, e farei das tripas coração para o sucessor ser do PT, essa história de que pode ser de outro partido, eu não comungo com isso. Vou trabalhar incansavelmente para o próximo prefeito de Embu das Artes ser alguém do PT, com o apoio do arco de alianças.

VERBO – E vai depender de que para o candidato, eventualmente, ser do PT?
Chico – Cada eleição é uma eleição. Passada essa eleição, vamos ver como as forças políticas da cidade vão se comportar, quem saiu forte, quem saiu fraco, quem estava com “A” ou com “B”. Isso vai depender da conjuntura de 2016, eleição estadual tem uma lógica e eleição municipal tem outra totalmente diferente, não adianta ninguém falar hoje que já está eleito prefeito em 2016. Eu já vi candidato a prefeito com 70% de intenção de voto três meses antes e perder a eleição, eu já vi candidato com 3% de intenção de voto e ganhar uma eleição. É muito prematuro. Vou trabalhar para fazer o meu sucessor, sendo alguém do PT, com apoio desse arco de alianças. Por isso é importante tratar bem o arco de alianças, ter bom relacionamento com os padres, pastores, e as lideranças sabem que o meu relacionamento com elas não é apenas em ano eleitoral, eu tenho feito reuniões constantemente para prestar conta do meu trabalho, principalmente em ano que não tem eleição.

Repórter – [O candidato] Pode ser alguém que não seja natural do PT, por exemplo, o Natinha [vice-prefeito], que hoje está no Pros, ingressar no PT, como já foi ventilado, e ele ser o candidato do governo?
Chico – No PT, é interessante… Primeiro, a pessoa tem que ganhar o apoio do partido. Se tivermos duas, três pessoas interessadas em ser candidato a prefeito pelo PT, vai ter uma prévia. Quem vencer a prévia interna é o candidato do PT. Quem está no PT ou quem for para o PT daqui para frente, se o partido fechar em uma única candidatura, sorte da pessoa.

VERBO – Qual a possibilidade de o Geraldo vencer a prévia?
Chico – Olha, é muito cedo. Para se ter uma ideia, em meados de outubro [de 2013], todo mundo falava que o João Leite perderia a presidência do PT, e ele ganhou.

VERBO – [Ganhou] Depois que o sr. o apoiou.
Chico – Sim, isso. Política tem esse dinamismo. Tem uma frase do pessoal de Porto Alegre que eu gosto muito: natural, só iogurte. Não existe candidatura natural a nada. Não existia candidatura natural a deputado estadual aqui na cidade, a não ser a do Geraldo, que já era deputado, tem cadeira… Mesmo assim, o Luiz Moura [deputado estadual do PT acusado de envolvimento com o PCC] perdeu a cadeira dele, teve que recorrer na Justiça. Na política, você constrói condições, constrói a conjuntura, os atores se mobilizam para construir a conjuntura para 2016. A minha preocupação agora é reeleger Dilma [Rousseff], eleger o [Alexandre] Padilha, o [senador Eduardo] Suplicy, apoiar os federais do nosso arco de alianças e eleger João Leite o deputado estadual mais votado da Assembleia.

VERBO – Prefeito, até para contextualizar sobre o que o sr. está falando, poderia dizer qual foi a divergência que opôs o sr. e Geraldo Cruz?
Chico – Eu não vou falar disso, peço desculpas, isso já está mais do que claro na cidade, vou me permitir não repetir esses assuntos, isso não muda mais nada, falar o motivo “A” ou motivo “B”. Tem uma candidatura que estou apoiando, que é a do João Leite, isso que importa nesse momento.

Chico no ato de largada da candidatura a deputado estadual que lançou e apoia, João Leite
Chico no ato de largada da campanha do candidato a deputado estadual que lançou e apoia, João Leite (PT)

VERBO – Pode esclarecer sobre a suposta vaia que o sr. teria recebido na convenção do Padilha e que culminou na demissão de cerca de 25 livre-nomeados que seriam ligados a Geraldo Cruz?
Chico – Acho inadmissível… A crítica do Valmir [de que petistas de Embu falam mal de Geraldo], por exemplo, serviria para esse pessoal, filiados do PT ligados ao deputado Geraldo Cruz que, quando fui chamado na convenção do PT, me vaiaram. Isso é um ataque pessoal, não é um ataque político. A crítica do Valmir não serve para mim.

VERBO – As vaias partiram de quem [quem eram as pessoas]?
Chico – As vaias partiram de um grupo que estava lá com camisetas do deputado Geraldo Cruz. Outras pessoas não ouviram porque estavam do outro lado, eu ouvi porque estavam bem perto de mim. Não importa se o ginásio inteiro não ouviu, importa que eu ouvi, e as pessoas próximas ali ouviram, o que eu acho um desrespeito muito grande. Não admito isso. Se o [governador Geraldo] Alckmin vier aqui na cidade, eu não vou admitir que ninguém do meu grupo político vaie o Ackmin, o mínimo que você tem que ter é educação com as pessoas, com qualquer pessoa, quanto mais com uma liderança. Eles querendo ou não, sou uma liderança na cidade, fui eleito e reeleito prefeito da cidade. O mínimo que têm que fazer é respeitar. Se estão como cargo de confiança do meu governo – eu sou o prefeito –, eles romperam essa confiança… Se me vaiaram é porque não aprovam o meu trabalho, se não aprovam o meu trabalho não têm porque continuar no meu governo. É simples assim.

VERBO – Sobre a carta que foi feita, segundo consta, por esses demitidos, à direção estadual e nacional [do PT], com críticas duras ao seu governo, dizendo que o sr. praticou assédio moral, que faz perseguição a livre-nomeados que não são do seu grupo. O que acha disso, e do pedido de intervenção a instâncias superiores do partido contra o seu governo?
Chico – Primeiro, partido é partido, governo é governo. Nesse sentido, o PT estadual ou nacional não vai intervir em governo, é lei, eles não podem me obrigar a admitir ou demitir ninguém, a relação de confiança dos comissionados é com o prefeito que está exercendo o mandato, e eu que estou exercendo.  Tanto é que eles nem deram bola para isso, eu não recebi nenhum retorno disso, eu não fui chamado, e se for chamado, não irei para tratar desse assunto, isso diz respeito ao meu governo. Questões do partido, eu vou lá e respondo, agora questões do governo em relação a cargos comissionados, eu é que decido. Assédio moral porque eu mandei embora? E tantos outros comissionados que já mandamos embora nestes 16 anos de PT aqui na cidade, nunca foi assédio moral? É só assédio moral quando eu mando embora? Quando o Geraldo mandou embora tantos comissionados, tantos petistas lá atrás, não foi assédio moral? Resumindo: é inadmissível você fazer parte de um grupo, ser cargo de confiança de um governo e desrespeitar a liderança do governo.

Repórter – Uma das demitidas não estava no dia e também foi mandada embora pelo sr. Então, não justifica a vaia…
Chico – Deixe eu explicar uma coisa para você. Aconteceu, por exemplo, de fazermos um ato aqui e eu chamei o Geraldo para o palco. Se alguém vaiasse o Geraldo, eu mandaria embora do mesmo jeito. Ali [convenção de Padilha] estava um grupo, as pessoas que deram aquela vaia fizeram por conta do clima que está naquele grupo, de hostilidade em relação à minha pessoa e meu governo. Infelizmente, na política é assim…

Repórter – Independente de ela estar ou não, foi mandada embora por ser do grupo…
Chico – As pessoas participam de um grupo.

Repórter – …pela ideologia?…
Chico – Deixa eu te explicar uma coisa, talvez isto você não saiba. Eu chamei alguns representantes desse grupo na segunda-feira [16 de junho] e disse para eles o que aconteceu. Eu esperava uma retratação do grupo em relação à minha pessoa. Esperei até domingo e essa retratação não aconteceu. Então, o grupo concordou. Se concordou com o que aconteceu, que assuma as consequências do grupo. Na política é assim, se atua em grupo, aguente as consequências.

Repórter – A presidente [Dilma] foi xingada e vaiada na abertura da Copa…
Chico – Não tinha comissionado [lá].

Repóter – Com certeza, tinha…
Chico – Não tinha, meu amor, não tinha.

Repórter – Com certeza, Dilma não mandaria ninguém embora por esse motivo…
Chico – Deixa eu te falar uma coisa: foi uma outra situação, não foi numa convenção do PT. Você pode ter certeza…

Repórter – Foi numa abertura de Copa do Mundo, o mundo inteiro estava voltado para o Brasil…
Chico – Isso, mas com aquelas pessoas ela nem tem como fazer alguma coisa, até porque não é uma relação política, a Dilma não tem com os eleitores, com os torcedores uma relação política de cargo de confiança. Aquelas pessoas de Embu não estavam num estádio, numa torcida de futebol, estavam num espaço de convenção do partido, não queira comparar coisas que não são comparáveis. Como as pessoas [ligadas a Geraldo Cruz] podem se indignar com o que fizeram com a Dilma e não se indignarem com o que fizeram comigo? A pergunta é simples, faço essa pergunta para você [repórter]. As pessoas estão indignadas porque xingaram a Dilma, mas ninguém daquele grupo demonstrou indignação porque as pessoas me xingaram. E eu esperei até domingo para alguém falar assim “Chico, eu não concordo com o que fizeram”. Ninguém me ligou. Se não me ligaram, não procuraram, é porque concordam, tá bom?

VERBO – O grupo reunido com o sr. falou o que ao seu pedido de retratação?
Chico – “Olha, nós vamos ver”. Eu disse para eles que era naquela semana que eu precisava de um retorno.

Repórter – Prefeito, então quem trabalha com o sr. tem que ter a mesma ideologia do sr., acreditar nas mesmas coisas, não pode discordar em nada?
Chico – Pode, pode. Tanto é que nunca no Embu teve um arco de alianças tão extenso, eu fui reeleito com 18 partidos, e cada partido pensa diferente. Diversidade é uma coisa, desrespeito é outra. [Se] Desrespeitar, vai embora. Agora, divergir [com retaliação] numa relação política respeitosa, nunca fiz com ninguém.

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