ALCEU LIMA
VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Após paralisação de 10 horas – das 4 da manhã (início da jornada diária) às 14h – desta quinta-feira, a Viação Miracatiba voltou a operar nesta sexta-feira, dia 23, com 100% da frota nas ruas, mas motoristas e cobradores podem cruzar os braços de novo nos próximos dias. Eles não chegaram a um acordo de aumento de salário, principal reivindicação. A empresa atende Itapecerica da Serra, Embu das Artes e região e transporta em 44 linhas cerca de 100 mil usuários.

“Não sei por que voltamos, nada foi resolvido”, reclamou um cobrador, que acredita que nova paralisação deve ocorrer, “mas não sei quando”, disse. O Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários tratou de aumento salarial com a empresa, mas os funcionários se dizem insatisfeitos após greve da categoria em São Paulo. “Não concordam com as negociações que foram feitas, acham o reajuste muito baixo e lutam por melhorias no trabalho”, disse um colega em outra função.
Motoristas e cobradores da Miracatiba tiveram a proposta de receber 8% de dissídio, “mas querem 19% que se comenta que o prefeito deu em São Paulo e estão escondendo”, completou o funcionário. O governo Fernando Haddad (PT) disse que não interfere, que a política de reajuste é discutida entre as partes, e que a afirmação é “boato”. Os trabalhadores também reivindicam troca do vale-refeição (bandeira diferente), com valor maior, e cesta básica de melhor qualidade.
Erlon Chaves (PDT), o prefeito de Itapecerica, onde fica a garagem da Miracatiba, foi à frente da empresa e acabou hostilizado. “Ele chegou tumultuando, dizendo que a população precisa dos ônibus nas ruas sem ao menos saber o que nós estávamos reivindicando”, disse um cobrador. Não conseguiu ser ouvido. “Ele saiu vaiado, mas subiu para conversar com o dono da empresa, né?”, criticou. Procurado, Erlon não atendeu, e chegou a ligar para o VERBO, mas desligou.
Outra reivindicação foi a saída do gerente de tráfego chamado Pacheco. “Já conseguiram, ontem o patrão anunciou a demissão dele”, disse um fiscal. Ele prejudicaria os funcionários e era visto como “ignorante”. “Reclamavam das tabelas que programava nas linhas, achavam muito apertadas, não tinham intervalo de refeição”, falou. A reportagem não o localizou. A demissão, porém, não era unânime. “Algumas pessoas queriam isso, para mim não muda nada”, disse um cobrador.
PARALISAÇÃO
Após o fim da paralisação, a Miracatiba admitiu no fim da tarde que a circulação não era de 100% e que “voltava aos poucos”. À noite, um fiscal disse que 85% dos ônibus estavam nas ruas. Porém, só a linha “top” da empresa, a Itapecerica-Pinheiros, tinha quase 40% menos coletivos – 30 em vez de 47. A vendedora Carolina Maciel, moradora de São Lourenço da Serra, foi obrigada a pegar carona pela manhã, “ainda mais que preciso pegar dois ônibus”. À tarde, pegou sem demora.





