RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, no centro de Taboão da Serra
A 62ª edição da tradicional Paixão de Cristo de Taboão da Serra, encenada na região central, reuniu, segundo a Guarda Civil Municipal, cerca de 4 mil pessoas que acompanharam a apresentação de quase duas horas em frente ao Parque das Hortênsias na noite desta sexta-feira (30). Cinquenta e três atores profissionais encenaram a vida pública de Jesus até a morte na cruz, além de 150 pessoas que atuaram na produção, em trabalho que começou no fim do ano passado.




Desde 2016, a via-sacra (cortejo e flagelação) de Jesus é concentrada em frente ao palco. Nos anos anteriores, Jesus passava pelas ruas da região central até o Morro do Cristo, onde aconteciam a crucificação e ressurreição. A mudança levou à redução do tempo da apresentação, que antes durava cerca de quatro horas, e agora dura aproximadamente a metade, o que para os organizadores é positivo, já que antes da alteração a encenação da Paixão era “muito exaustiva”.
Desde que a Paixão de Cristo em Taboão – iniciada em 1956 pelo dramaturgo Manoel Francisco da Nova – acontece integralmente em frente ao palco diante do parque, a cena da ressurreição se tornou bem simples. Antes, no Morro do Cristo, uma mega produção elevava Jesus num carrinho, em meio a fogos de artifício. Em 2016 ele foi elevado num guindaste, em 2017 Jesus surgiu do chão. Neste ano, Jesus apareceu vindo de trás do palco e caminhando ao centro.
Quem fez o papel de Jesus foi o ator Orias Elias, da companhia de teatro Encena de Taboão da Serra, que contribuiu na produção da peça. A atriz Tânia Rocha interpretou Maria, mãe de Jesus, que acompanhou o filho no cortejo até a morte na cruz ao lado de dois bandidos. A cena foi marcante e emocionou. “Achei lindo o momento que Maria acompanhou o filho até a crucificação”, disse a assistente administrativo Cristina da Silva, 37, moradora do Jardim Maria Rosa, Taboão.
Uma das cenas mais marcantes, que inclusive fez falta no ano passado, foi a do enforcamento de Judas Iscariotes. Pouco antes, a encenação teve um problema técnico e sofreu uma pausa. Foi o quando a banda precisou tocar músicas para preencher o vácuo. Depois disso, o espetáculo seguiu normalmente a partir do suicídio do “traidor”. “A cena do enforcamento de Judas foi muito real, o ator é profissional”, disse o contador Rodrigo Cássio, 42, morador do Intercap.
Um dos integrantes do elenco foi o ator e performer Almir Rosa, de Embu das Artes, que atuou pela segunda vez na Paixão em Taboão. “É uma alegria, é uma emoção muito grande fazer um espetáculo que envolve tanto a comunidade, a espiritualidade das pessoas. É uma história [a de Jesus] que reflete o nosso dia a dia, a nossa configuração social, é importante refletir sobre isso”, disse Almir, que em 2013 fez Caifás e neste ano, Anás. “Continuo no sacerdócio”, frisou.
O ato final teve palavra de fé e esperança. “Nunca desistam de seus objetivos. E criem uma nova comunidade. Vão e ensinem a todos os povos o meu principal mandamento: amai-vos uns aos outros como vos amei. Não tenham medo do amanhã, eu estarei com vocês para todo sempre”, disse Jesus ao ressuscitar. “É muito reconfortante, traz mensagem de paz e amor. Falta muita união hoje em dia”, disse o marceneiro Sanderson Oliveira, 47, do Jardim América, Taboão.
Apesar das apresentações mais simples nos últimos anos, o secretário de Cultura de Taboão, Israel Luciano, disse que a Paixão a cada ano é aperfeiçoada. “Esse é o evento número 1 da cidade e a cada ano que passa vai se aperfeiçoando e melhorando. Está a cada ano melhor”, disse. O secretário parece não ter notado o incidente pouco antes da cena de Judas. “A gente trabalha desde dezembro para que na data de hoje esteja tudo perfeito, como esteve”, completou.
A encenação ocorreu em boa parte do tempo sob chuva, que começou fraca e aumentou, mas mesmo assim o público acompanhou até o fim. O pároco do Santuário Santa Terezinha, monsenhor Aguinaldo de Carvalho, que todos os anos conduz momentos de oração durante a Paixão, não esteve presente devido a problemas de saúde. No seu lugar esteve o padre Vitor de Freitas, vigário do santuário, ao lado do padre Carlos Lozada, também auxiliar do monsenhor.
A encenação teve preparação de elenco de Valter Costa, supervisão artística de Zhé Maria e direção-geral de Ricardo da Hora. O prefeito Fernando Fernandes (PSDB) esteve presente até a metade e não esperou o desfecho. Assistiram ainda o vice-prefeito Laércio Lopes (sem partido), os vereadores Johnatan Noventa (PTB), Cido (DEM), Érica Franquini, Eduardo Nóbrega, Carlinhos do Leme, Rita de Cássia, os quatro do PSDB, Alex Bodinho (PPS), e a presidente Joice Silva (PTB).
> Colaborou o repórter Adilson Oliveira, especial para o VERBO ONLINE, no centro de Taboão da Serra
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