Morador de Embu, Domingos Montagner cativou vizinhos pela ‘simplicidade’

Especial para o VERBO ONLINE

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O ator Domingos Montagner, 54, que morreu nesta quinta-feira (15) afogado no rio São Francisco após gravação da novela “Velho Chico”, da TV Globo, na qual vivia o protagonista Santo dos Anjos, era morador de Embu das Artes, cidade que por afinidade com a arte e localização a menos de 30 quilômetros do centro de São Paulo atrai artistas de várias áreas. Ele vivia com a família em um condomínio de casas no Bosque do Embu (próximo ao antigo Fórum), no centro.

Ator Domingos Montagner, que morreu afogado no r. São Francisco no intervalo de gravações de ‘Velho Chico’

O corpo do ator foi encontrado horas depois de um mergulho, preso nas pedras a 30 metros em praia perto da Usina de Xingó, em Canindé de São Francisco, Sergipe – ele estava no intervalo das gravações após ter feito cenas da novela das nove pela manhã. Ele teria evitado que a atriz Camila Pitanga, que estava com ele, se afogasse também. “Na hora em que estava afundando, ele empurrou ela para um local mais seguro”, disse o coronel dos bombeiros Ricardo Cruz.

Montagner começou a carreira no teatro, mas teve formação artística no circo. Palhaço, ele se apresentou por 15 anos no Circo Escola Picadeiro. Em 2003, criou o Circo Zanni. Na TV Globo, ele participou das séries “Força-Tarefa”, “A Cura”, “Divã” e fez a minissérie “O Brado Retumbante”. Em 2011, fez a primeira novela, “Cordel Encantado”. No cinema, atuou em longas como “Um Namorado Para Minha Mulher”, gravado em São Paulo, cidade-natal da qual era “fã militante”.

Moradores próximos e distantes de Embu ficaram surpresos e chocados com a morte e lamentaram a perda de um ator de grande talento na dramaturgia. “Tristeza demais. Admirava muito suas participações na TV”, disse Rosa Domingues. “A família mora aqui pertinho da gente. Em conversas com amigas e familiares o citava carinhosamente como ‘vizinho’. Triste demais… Siga em paz vizinho, nossos sentimentos à família e amigos”, disse Lídia Maria Balsi.

“Vizinho de frente” no condomínio, o empresário e diretor da Acise (associação empresarial de Embu) Hillmann Albrecht tinha uma “convivência quase que diária” com Montagner. “Todo aniversário estava na minha casa, sempre estava na piscina com as crianças. A gente se cruzava diariamente”, disse Hillann, que o conhecia há mais de dez anos, desde 2002, mas lembra que o ator já era morador antigo de Embu e foi professor de educação física em escola pública.

Hillmann lembrou a gravação em que Montagner também desapareceu nas águas do rio São Francisco, depois de sofrer um atentado. “Depois que fez a cena, como ficou desaparecido, ele ficou uma semana aqui. Eu perguntei para ele: ‘Afinal, você morreu ou não morreu?’. Ninguém sabia ainda. Ele falou: ‘Não, não morri. E ainda bem que estou em casa, de folga”, contou. Na novela, ele é resgatado por índios. “É triste, a cena pautou a realidade”, disse o amigo.

Muitos embuenses conheceram o ator na vida cotidiana de um homem muito simples, na padaria do bairro. “Coração despedaçado, algumas vezes fui na Solene e lá estava ele tomando café da manhã”, disse Dionizia Nunes. Montagner será sepultado neste sábado (17), no Cemitério da Quarta Parada (zona leste). O velório será a partir das 9h, no Teatro Fernando Torres, no Tatuapé. Era casado com a produtora Luciana Lima e deixa os filhos Leo, 13, Antonio, 8, e Dante, 5.

comentários

>