Na periferia com Turma do Pagode, Festa do Trabalhador reúne 10 mil em Embu

Especial para o VERBO ONLINE

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Moradores de Embu das Artes e região comemoraram o 1° de Maio, no domingo, com muita música e animação na 2ª Festa do Trabalhador no largo do Jardim Santa Tereza. Após artistas locais subirem ao palco, cerca de 10 mil pessoas vibraram com o show da atração principal, o grupo Turma do Pagode, que com energia e simpatia incendiou o público e arrancou gritos alucinados de fãs, em apresentação de sucessos de 15 anos de carreira durante mais de uma hora.

Turma do Pagode canta na 2ª Festa do Trabalhador em Embu; vocalista Leíz faz gesto a reportagem do VERBO

A 2ª Festa do Trabalhador se traduziu em uma maratona de dez horas de shows de cantores e grupos da região como Rogério Moura, Élcio Dias, Grupo Birosca, Deu Samba na Cabeça, Sequência, KaBatista, Só Encanto, e Delírio. Antes da Turma do Pagode, diretores do Sindicato dos Químicos de Embu, Embu-Guaçu e Taboão da Serra, promotor do evento, fizeram breve “reflexão” com o público e criticaram a flexibilização das leis trabalhistas em ato político do 1º de Maio.

Coordenador do sindicato, Carlos Batista, o Carlinhos, disse que a flexibilização vai representar perda de direitos dos trabalhadores. “No ano que vem vocês vão ver o que vai acontecer com a nossa carteira de trabalho. É um momento de festa aqui para vocês, mas ao mesmo tempo têm que estar atentos ao que está acontecendo no Brasil”, disse. Ele se manifestou ainda contra o que chamou de “golpe” sobre o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).

O sindicalista Erasmo Carlos, o Tucão, falou no “clima” do público à espera do grande show do evento. “A gente não vai fazer só este 1º de Maio, vai fazer mais festa aqui, os trabalhadores da periferia merecem”, disse. Coordenadora da festa, Rosângela Santos reforçou a opção pela local. “Muitas pessoas queriam que fosse em outro lugar, que fosse no Parque Rizzo, mas trouxemos para o Tereza, o gueto merece”, disse, com aprovação das milhares de pessoas reunidas.

A Turma do Pagode subiu ao palco sob vibração dos fãs e cantou músicas animadas que contagiaram a massa, também pessoas em lajes e janelas nas casas próximas. Em instante de furor, o vocalista Leíz Ferreira desceu e foi para a frente do público. Puxado pela jaqueta, teve que ser “resgatado” por um grupo de seguranças. O show teve empurra-empurra entre algumas pessoas, mas o artista parou de cantar e pediu para “meia-dúzia” parar para seguir a apresentação.

“Foi maravilhoso [o show]. Espero que voltem. Só peço desculpas a eles pela hora que ele [vocalista] subiu ali [na frente do público], e começaram a puxar a blusa dele. Puxei também, [falei] ‘solta, solta, senão vai machucar’. [Os fãs] Foram um pouco agressivos”, disse a segurança particular Neide da Silva, 29, do Jardim Vazame, em Embu. “Valeu muito a pena. Hoje eu ia trabalhar, pedi folga ao meu chefe. Ele falou: ‘Se for para seu bem, vai’. Eu vim”, completou, sorridente.

Público superlota largo do Jd. Santa Tereza, periferia de Embu, com os artistas da Turma do Pagode no palco
Fã Sirley mostra baqueta da Turma do Pagode com amigas; vocalista vai ao público antes de ser agarrado

Ao final, após 1h15 de show, os oito pagodeiros jogaram baquetas e palhetas personalizadas aos fãs. A babá Sirley da Silva, 34, pegou as últimas, que estavam no chão – os artistas já tinham deixado o palco. “Eles cantam demais. Ai que negão lindo [Leíz], sou apaixonada por ele. Só não cantou a música que eu amo, ‘Aquele beijo’, mas tudo bem”, disse a moradora do Jardim Perequê, em Embu, que curtiu a valer, porém, as músicas “Lancinho [escondido]” e “Deixa Em Off”.

A 2ª Festa do Trabalhador foi avaliada como um sucesso. “Começamos às 10 e meia da manhã, tivemos a participação de muitos artistas da região. Foi tudo muito bem feito”, disse Erismar Santos, da organização. O evento foi realizado em parceria com a prefeitura e teve a presença do secretário de Cultura, Alan Leão. “Ano que vem tem mais, shows e dia de reflexão, contra a terceirização e perda de nossos direitos e pela licença-maternidade de 160 dias”, anunciou Rosângela.

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