ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
O largo de Taboão da Serra sofreu outra enchente na noite de sábado (6) após forte chuva que caiu por volta das 19h45 e durou cerca de meia hora, na terceira inundação na entrada da cidade em um mês e 10 dias. O temporal causou alagamento em outros pontos, como na rodovia Régis Bittencourt no km 272 (Assaí) e no km 274 (Seccional), onde ocorreu a situação mais grave, um carro foi levado pela enxurrada. Uma mulher, um dos ocupantes, está desaparecida.

“Não foi achada ainda [a mulher]. Estamos fazendo a pesquisa, vasculhando todo o rio”, informou nesta segunda (8) o Corpo de Bombeiros de Embu das Artes, o mais próximo de Taboão, responsável pelas buscas. Segundo a corporação, o marido da vítima perdeu o controle do automóvel Tucson ao derrapar na rodovia tomada pela lama da enchente e caiu no córrego Ponte Alta. O homem se soltou do cinto, mas ela não conseguiu sair do carro – que já foi tirado do rio.
No largo, na área do trecho mais crítico do córrego Poá, que voltou a transbordar, as ruas Getúlio Vargas, José Soares de Azevedo e do Carmo foram de novo as mais atingidas pela enchente – viraram um verdadeiro rio com ondas. A água chegou a quase dois metros de altura e atingiu cerca de 300 imóveis. Depois do fim da inundação, o cenário era de muita lama nas vias, alguns ratos cruzando de calçada a outra, destruição de pertences e desolação dos proprietários.
A operadora de caixa Rosemery Silva, 42, moradora da Getúlio Vargas, saiu correndo do trabalho e chegou em casa, mas não pôde evitar a água entrar. “Ela veio com tudo. Agora chove 20 minutos já alaga, eu não tenho mais nada, já é a terceira enchente só de dezembro para cá”, contou. A chuva que caiu não seria para inundar. “Não, inclusive quando começou a transbordar já tinha parado há muito tempo. Algo está errado nessa obra [canalização do Poá]”, disse.
O feirante Wálter Gomes, 51, olhava para a rua onde mora, a José Soares de Azevedo, tomada pela lama, sem reação. “Perdi geladeira, som, cama, roupa, perdi tudo de bom. Perdi o cachorro. Foi embora [na correnteza], não deu tempo, ou eu socorria o caminhão [de feira] ou o cachorro”, disse. Ele tirou os filhos às pressas e ficou com o irmão no imóvel. “Ele ficou atolado de barro até o pescoço, lá em casa entrou 1 metro e meio de água novamente”, disse, indignado.

“O prefeito tinha que ficar no meio do lameiro para ver como é bom sofrer. Em um mês e meio são três enchentes das bravas, o rio está entupido de barro”, completou Gomes. Mais uma vez, Fernando Fernandes (PSDB) silenciou diante do caos e transtorno às famílias e comerciantes. A secretária Arlete Silva (Assistência) e a vereadora Joice Silva (PTB) foram ao local na madrugada de domingo e acompanharam equipes de limpeza, escoltadas por viaturas da Guarda Municipal.
Luciano Rodrigues ficou furioso ao saber que membros do poder público estavam na rua da academia de bombeiros. “Quero discutir essa vergonha, mas agora não me venham aqui, vou passar a madrugada inteira limpando”, disse ele, 43, diante de equipamentos destruídos pela enchente. “Sou bombeiro, estou aqui há dez anos, ajudando a população, mas eu mesmo não consegui resolver na minha casa. É humilhante isso”, falou aos prantos, consolado pela mulher.





