ANA PAULA TIMÓTEO
Especial para o VERBO ONLINE no Jardim Vazame, em Embu das Artes
Cerca de 150 moradores se reuniram na tarde deste sábado (9) na praça em frente ao antigo Pronto-Socorro Vazame para protestar contra a desativação do PS. Em vez de atendimento de urgência e emergência, o prédio passou a ser um hospital leito, somente para internações. O prefeito Chico Brito (PT) fechou o PS Irmã Anette de Melo, no Vazame, após inaugurar a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Dra. Zilda Arns no Dom José/Santo Eduardo em 12 de dezembro.

Moradores no protesto estavam revoltados com a desativação do PS Vazame e o serviço da UPA recém-inaugurada. Horas de espera e mau atendimento foram queixas unânimes. “Estou grávida e fui à UPA tratar de um resfriado. Eles perderam a minha ficha, fui maltratada e até chamada de surda. Demorou mais de duas horas, só fui atendida porque briguei muito com o pessoal de lá”, contou, inconformada, Cristiana Dantas Silva, 32, que reside no Jardim Valo Verde.
Vânia dos Santos, 29, do Jardim São Vicente, era uma das mais indignadas. “Minha irmã teve uma grave reação alérgica e esperou mais de 4 horas para ser atendida. Faltam médicos, não fomos bem tratadas. Para ser medicada, esperamos duas horas e meia. Por mais ruim que fosse o atendimento no PS Vazame, sempre foi melhor que esse da UPA. E se fosse uma emergência? Ela iria morrer esperando. Ficou toda inchada, eu tive que gritar para chamar atenção”, relatou.
Devido a decepção, a UPA já ganhou até um apelido. “Agora a gente chama é de OPA! Ninguém quer ir para lá, ‘tá’ muito mal falada”, disse Carmosina Brito Luz, moradora do Vazame. Pelo Facebook, o ex-vereador e ex-secretário de Esportes Silvino Bomfim repercutiu o ato, “exigindo a reabertura do pronto-socorro do Vazame e melhorias na saúde” – ele foi demitido pelo prefeito após declarar apoio ao pré-candidato a prefeito Nataniel Carvalho, o Natinha (PTB).
O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Ulisses Silva, esteve no protesto e defendeu a medida tomada pela prefeitura. “O município não tem verba para manter mais uma estrutura dessa no momento, até por conta da grande crise econômica. Dependemos de verbas federais para a saúde, e não estamos tendo os repasses nem para manter o que já temos. Quando o PS era aqui, muitas das reclamações da população eram de falta de equipamentos básicos, insumos, esparadrapo, gaze, seringa, luva. Acho muito difícil a reativação do pronto-socorro”, disse Silva ao VERBO.

“Não vejo também como uma necessidade tão urgente, a nova UPA é mais do que o dobro do PS que tinha aqui, é como se tivéssemos dois prontos-socorros na UPA, em questão de profissionais também. E está instalada em uma área que pelas estatísticas é a que mais necessita da emergência, é próxima de regiões muito violentas”, declarou. Apesar da fala afinada à administração, Silva discursou no ato que o governo pôs outdoor na cidade de que Embu ganhou prêmio de uma revista, “mas o povo não ganhou prêmio, o povo está sofrendo” e que a UPA e outras “são obras para enfeitar”.
A manifestação foi organizada por redes sociais para reunir 500 pessoas. Um dos organizadores, João Fernandes, disse que ela foi prejudicada pela pouca divulgação e pelo tempo chuvoso, mas log um novo será marcado. A comunidade diz que na terça-feira (12) vai sair da praça do bairro às 12h30 para ir a uma reunião do Conselho de Saúde no parque Francisco Rizzo e irá exigir uma conversa com o prefeito e a secretária de Saúde pela “reabertura do PS Vazame já”.
Impressionante o prefeito Chico Brito, ele promete e não cumpre; e faz sem avisar tudo o que prejudica ou prvoca um mal estar à população.