Portão da Anhanguera de Taboão é aberto após 13h e Enem acaba em confusão

Especial para o VERBO ONLINE

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Um dos locais de realização do Exame Nacional do Ensino Médio 2015 na região, a faculdade Anhanguera em Taboão da Serra (centro) registrou no sábado (24), primeiro dia de aplicação do Enem, uma confusão no fechamento do portão em que cerca de 40 estudantes não conseguiram fazer a prova após terem conseguido entrar – que foi presenciada pelo VERBO. Candidatos impedidos de prestar o exame foram à 1ª Delegacia da cidade fazer boletim de ocorrência.

Com portão fechado, funcionário da Anhanguera ouve candidatos, que reclamam de fechamento antes de 13h

Os estudantes chegaram à faculdade quando o portão já tinha sido fechado, mas protestaram que faltava um minuto para as 13h, horário (de Brasília) de fechamento dos locais de realização do Enem. Um segurança avisou: “Pelo jeito, já está fechado”. Candidatos ficaram desolados, uma adolescente caiu em choro, mas alguns insistiram. Uma mãe disse que o filho era deficiente, um rapaz falou em chamar a polícia “para resolver isso, porque tinha um minuto para entrar”.

Com seguranças ainda próximos ao portão, estudantes pediram para falar com o responsável e permaneceram com esperança de entrar quando um funcionário disse que “ele não podia vir agora”. Diante da espera, reclamaram se só ia aparecer após 13h30, início do Enem. Às 13h20, porém, o portão se abriu. Vibrantes, os candidatos entraram correndo. Um segurança, aparentemente surpreso, falou: “O problema agora é o alvoroço, eles não vão conseguir entrar na sala”.

Uma assistente da Anhanguera, que se identificou como Carla, apareceu e verificou o cadeado do portão, que estava intacto. Indagada pelo VERBO se o grupo que entrou após o portão ser fechado ia fazer a prova, ela disse: “Não, não vai fazer”. Informada que eram cerca de 40, falou: “Vocês vão aguardar [para ver], eles vão descer. Se quiserem ajudar, a gente consegue saber quem entrou”. Ao ouvir ser papel da faculdade, disse: “Então, aguardem a gente fazer o serviço”.

Às 13h35, estudantes começaram a voltar e se revoltaram. “Eles fecharam mais cedo, falaram que um cara gritava que faltava um minuto, mas o portão já estava fechado. Tinha até deficiente. Conseguimos entrar, mas agora não querem deixar a gente passar para a sala. O pessoal do bloco A conseguiu, um segurança falou ‘Quem é do bloco A é para cá’ e deixou, e quem é do bloco B se ferrou, é o meu caso”, disse Emily Rodrigues, 18, do Campo Limpo, que foi embora.

Após 20 minutos, portão é aberto e candidatos vibram ao entrar na faculdade ao acreditar que fariam a prova

Chamada pela Anhanguera, a Polícia Militar disse que “um monte de gente” tinha sido retirado, ninguém tinha ficado. “Mentira! Eu estava aqui, não saiu ninguém! Todo mundo que subiu para o bloco A está lá fazendo prova, e a gente que é do B está aqui barrado”, gritou aos policiais uma estudante já do lado de fora do portão. Ela disse que a entrada foi fechada um minuto antes das 13h. “Quer dizer que em 59 segundos eu não conseguia vir deste murinho até o portão?”

“Fecharam antes, tinha deficiente aqui passando mal e não pôde entrar”, disse Isabela Morato, 19, do Jardim Leme, em Taboão, que, porém, entrou depois com o grupo. “Nessa hora, eles [seguranças] falavam ‘bloco A’, ‘bloco B’, explicando onde eram as salas. Uma mulher chamou e falou que a gente não podia mais fazer a prova porque tinha invadido. Mas como se o cadeado está intacto? Se querem acusar a gente, cadê as câmeras? Não tem uma neste lugar!”, protestou.

Isabela disse que o portão foi aberto por funcionário da Anhanguera. “Depois de tentar falar com um responsável, veio o segurança e abriu para a gente”, disse. A estudante Bianca Fonseca, 18, contou que “os que estavam dentro falaram que fomos nós que estávamos do lado de fora que arrombamos”. “Mas isso não tem cabimento. Foi alguém de dentro que abriu, um fiscal da faculdade. Ele é branco e alto, estava de camiseta branca com etiqueta e um rádio”, apontou.

No bloco A, Bianca e outros estudantes ficaram presos no elevador. “Se abriu, quero fazer a prova. Quem não ficou preso no elevador conseguiu fazer a prova, eu fiquei e não consigo!”, revoltou-se diante dos PMs. “Quando a gente conseguiu invadir, perguntei para um rapaz de cavanhaque, ‘bombadinho’, onde era a sala, ele não falou nada, só foi empurrando a gente ao bloco A. E acho que eles prenderam o pessoal no elevador”, disse a candidata Bárbara Kiyoko.

Candidatos retornam após barrados; funcionário recebe PM, que verifica cadeado do portão, intacto

O candidato Edson Monteiro, que chegou às 13h10, disse também que foi funcionário da Anhanguera que liberou a entrada, apesar da descrição diferente. “Eu não sei o nome dele. É um rapaz da organização, moreno, magro, cabelo baixinho. Ele abriu o portão e liberou para todo mundo. Ainda falou: ‘Vamos, rápido, rápido’. E foi aquela avalanche de pessoas. Foi o que aconteceu. Assim que entrou uma leva, ele já fechou o portão de novo. Não foi nada forçado”, disse.

“Do lado de dentro abriram o portão. A gente entendeu o quê? Que podia fazer a prova, a gente estava pedindo para abrir por um minuto, já que fecharam um minuto antes”, disse a estudante Diana Mota, 25. “É uma injustiça o portão estar fechado faltando um minuto. A gente precisa do Enem para realizar um sonho, para mudar a vida, para fazer algo pelo país que o governo não faz”, disse Diego da Silva, um dos mais de dez candidatos que foram à delegacia fazer BO.

Cleide Ramalho levou o filho com deficiência até sala de prova e quando voltou encontrou a confusão. “Não sei dizer se realmente fecharam um minuto antes, quando cheguei já era 1 [hora] e 1 [minuto]”, disse. Ela falou que “seria injusto” alguém entrar após as 13h, e “de repente o portão se abriu”. “Todo mundo sabe que todo ano tem trânsito, atraso, tem de sair com muita antecedência, mas não posso ser injusta e falar que eles forçaram o portão. Não foi forçado”, disse.

OUTRO LADO
Contatada, a Anhanguera afirma que o portão foi fechado “pontualmente às 13h” e que “um grupo de candidatos que chegou após o horário forçou o portão de entrada e invadiu os blocos nos quais a prova seria efetuada”. Ressalta “que nenhum funcionário da unidade liberou a entrada dos candidatos após o horário-limite, uma vez que havia uma equipe contratada pelo MEC à frente do evento, e que está colaborando com a polícia na investigação do ocorrido”, diz nota.

VEJA NOTA DA ASSESSORIA DA FACULDADE ANHANGUERA DE TABOÃO DA SERRA NA ÍNTEGRA
Enem-Anhanguera-nota

comentários

>