Thais Miana foi demitida da Secretaria da Mulher de Taboão por ‘sabotagem’ à gestão da Saúde

Titular da pasta até o mês passado foi exonerada por fazer fortes críticas ao trabalho de Ailton Bogalho, dizem membros do Executivo; prefeito nega, mas Saúde cita 'alívio'

Especial para o VERBO ONLINE

Advogada Thais Miana, que foi exonerada do cargo de secretária da Mulher de Taboão da Serra por criticar a gestão da Saúde do governo Engenheiro Daniel | AO/Verbo - 28.ago.2025

Thais de Almeida Miana, secretária da Mulher de Taboão da Serra até o mês passado, foi exonerada do cargo pelo prefeito Engenheiro Daniel (União) por ter feito fortes críticas fora do governo à atuação da Secretaria da Saúde, mais precisamente à gestão do secretário Ailton Bogalho. O VERBO apurou a informação com um secretário (não da Saúde), inicialmente, e depois com um membro do Executivo próximo ao prefeito, que apontam “sabotagem” por parte de Thais.

Advogada, Thais estava no governo Engenheiro Daniel desde o início e primeiro foi secretária-adjunta da Saúde – principal auxiliar de Ailton. Em junho, após a primeira escolhida do prefeito não poder aceitar o convite ao cargo, ela foi nomeada secretária da Mulher, a primeira a ocupar a inédita pasta. Mas Thais ficou por apenas oito meses no posto, até o último dia 27, em demissão que pegou de surpresa até colegas de secretariado, às vésperas do Dia Internacional da Mulher.

Ouvida pela reportagem, Thais disse que foi exonerada por ter de assumir outra função, incompatível com o governo e a secretaria. “Preciso ajudar o grupo político como advogada e aqui não posso assinar nada. Acharam que agora não compensa me deixar presa na secretaria. Preciso estar livre para ajudá-los, e aqui no Taboão o cargo é de dedicação exclusiva”, disse. Acrescentou que “os projetos são para longo prazo e eu faço a parte técnica que poucos fazem”.

No entanto, o real motivo para a exoneração foi que a então secretária da Mulher fez críticas incisivas contra o próprio governo, com a Saúde como alvo, não internamente, relatam as fontes, sob condição de anonimato. “Thais perdeu o emprego de secretária da Mulher porque falou alguma coisa ruim sobre a Saúde, e aí criticou o secretário, falou mal do secretário no dia a dia. Citou o nome dele. Foi uma bomba. O prefeito soube. Foi exonerada”, disse o secretário.

O Executivo considerou a crítica de Thais injusta por conta das ações da Saúde, como a implantação de aparelhos modernos e ampliação de serviços em prontos-socorros, como também a então preparada inauguração do CapsI (Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil) e CEO (Centro de Especialidades Odontológicas), e viabilização de novos atendimentos e equipamentos, além da busca, pelo próprio prefeito, de recursos extras para custeio e outros investimentos.

Contudo, o que mais pesou para a demissão foi a forma do apupo. “Todo mundo tem apontamentos para melhorar o atendimento, em várias pastas, mas fala isso dentro do governo. Ela falou em voz alta, falou fora do local apropriado. Uma coisa é falar internamente. Outra é falar na rua, como que ajudar a ‘meter o pau’. Foi sabotagem”, declarou o secretário. Um assessor do Executivo confirmou o relato. “Correto! Foi nessa linha”, resumiu, mas sem meias-palavras.

Procurada, Thais reconheceu ter feito críticas. “Não vou sabotar governo de ninguém, nunca tive essa intenção e nem nunca agi assim. As críticas que eu fiz de aspectos específicos da saúde, eu fiz diretamente ao doutor Ailton, nem mandei recado, eu mesma falei diretamente com ele”, disse. Questionada sobre já ter assumido uma secretaria em Bragança Paulista após dizer que deixou a da Mulher para ocupar outra função, admitiu que não expressou a verdade.

Contactado por este portal, o prefeito negou ter demitido Thais por ter feito críticas à Secretaria da Saúde. “Não foi isso. Eu quero dizer que agradeço os trabalhos prestados por ela, e desejo boa sorte em seu novo desafio”, disse Engenheiro Daniel. Mas o assessor sustenta e reafirma a informação de bastidor. “A saída dela é vista como motivo de alívio pela Saúde, uma vez que os colaboradores [funcionários] confirmam que a Saúde estava sendo sabotada”, disse à reportagem.

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