O chefe de gabinete pastor Marco Roberto da Silva publicou um vídeo no sábado (21), segundo citou, “para dar uma posição” após ter sido preso em flagrante por dirigir carro particular com placa oficial falsa ou adulterada, mas não disse nenhuma palavra sobre o ocorrido e falou em “perseguição”. Apesar de desgastar o governo Engenheiro Daniel (União) com a repercussão, ele não se desculpou. Um assessor do prefeito observou que Marco Roberto não pareceu estar “doente”.
O pastor foi preso em Águas da Prata (SP) por trafegar com placa “001 Poder Legislativo Presidente” de Embu das Artes fraudada, na quarta (18). Ele depôs que a placa “foi colocada em seu veículo” em “Taboão da Serra, no pátio da prefeitura”, mas não por ele, e indicou ser vítima de alguém por “brincadeira ou maldade”. Alegou que “viu que tinham colocado, mas como está fazendo uso de remédios fortes, tanto para doenças físicas quanto psíquicas, acabou esquecendo de retirá-la”.
No vídeo, de 3 minutos e 50 segundos, que chamou de “comunicado importante”, Marco Roberto demonstrou preocupação com a própria imagem, ao se dirigir aos seguidores, inclusive procurou exaltar várias vezes ser muito requisitado, e não abordou o caso, não deu qualquer explicação sobre ser protagonista de fato que é notícia na imprensa na internet e em redes de TV nacionais. Ele classificou a reprovação pública como invasão de privacidade e tentativa de o “denegrir”.
“Resolvi fazer este vídeo para dar uma posição a muitas, muitas pessoas que têm tentado falar comigo e não estão conseguindo. […] Nós temos uma marca de sempre atender, de sempre responder a todos […]. Diferente de muitos aí que têm tempo de cuidar da vida dos outros para o mal, para destruir, para denegrir, para prejudicar, nós usamos o nosso tempo para cuidar da vida dos outros para o bem”, diz Marco Roberto, que fundou igreja evangélica e virou político.
Marco Roberto atribuiu a “perseguição” à condição de ser uma figura que se expõe publicamente. “Eu sou uma pessoa pública desde a adolescência: fui líder da Renovação Carismática Católica, depois fui consagrado pastor com 21 anos de idade. Quando a gente vem para a política, tudo se potencializa, verdades são distorcidas, mentiras são potencializadas, e uma mentira repetida várias vezes acaba tendo mais força do que uma verdade”, continua o chefe de gabinete.
Marco Roberto ainda minimizou o fato ao reduzir a apupos, pontos de vista e “ataques” de adversários políticos. “Um líder, como eu tenho ensinado já há muitos anos, tem que aprender a viver acima das vaias e acima dos aplausos. Então, não ‘importa’ as críticas, não ‘importa’ as perseguições. Isso não nos atinge”, diz. Apesar de se dizer religioso, ele desqualifica um autor de mensagem e diz que o “cocô” do cachorro do qual é tutor o “incomoda mais que a opinião dele”.
O pastor acrescenta, no vídeo, que “os nossos oponentes vão fazer de tudo para nos atacar, para prejudicar a nossa imagem”, mas diz fazer “parte de um grupo político que tem sido vitorioso desde 2012”. Ele foi aliado, inicialmente, do então prefeito de Embu Chico Brito, à época do PT, mas logo aderiu a Ney Santos. Com Ney prefeito, foi secretário e chefe de gabinete. Ney indicou Marco Roberto para Taboão pelo pastor ser desafeto do atual prefeito Hugo Prado (Republicanos).
Após resvalar no caso ao falar “últimos acontecimentos”, o pastor disse que “quando você se preocupa com a opinião dos outros, perde o foco”. “Nada e nem ninguém vai nos impedir de alcançar o nosso alvo. Nós cremos na justiça de Deus, que é Jeová Tsidkenu, e também no Poder Judiciário, na Justiça dos homens, que nunca fugimos e sempre acreditamos. Continuamos com a cabeça erguida”, diz. Ele citou Deus como fonte de retidão (“Tsidkenu”), o oposto do ato feito.
Marco Roberto foi solto no dia seguinte ao da prisão, após audiência com juiz. Ele está proibido de deixar Embu, onde mora, sem a Justiça autorizar. Ao “G1”, Engenheiro Daniel disse que dará licença a ele caso não possa ir à prefeitura trabalhar. Um assessor muito próximo ao prefeito, que chamou o pastor de “cara de pau” por falar que a placa falsa foi fixada na prefeitura, ironizou a disposição dele. “No vídeo que ele postou, não me parece uma pessoa que esteja doente”, disse.





