Em recorde degradante e vexatório para o Estado mais desenvolvido do país, São Paulo teve aumento de 6,7% de feminicídio em 2025. É o maior registro para o tipo de crime da série histórica apurada, iniciada em 2018. O território paulista amargou 270 ocorrências de mulheres assassinadas por conta do gênero, contra 253 em 2024, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, que publicou o balanço do ano passado oficialmente neste sábado (31).
Do total, a cidade de São Paulo teve 63 feminicídios, contra 51 em 2024, aumento de 23,5%. A Grande São Paulo fora a capital (38 cidades – que inclui a região sudoeste) registrou 56 casos, ante 42 no ano anterior, alta de 33,3% – o governo estadual não publica o dado por município. Ainda de acordo com a subdivisão da Secretaria de Segurança, o interior do Estado somou 151 ocorrências, mas teve redução de 5,6% – em 2024 tinha contabilizado 160 feminicídios.
No mês passado, em dezembro, o Estado registrou 37 feminicídios, o maior número de vítimas no ano, 13 a mais do que em dezembro de 2024. Maio e dezembro tiveram o segundo maior registro, com 26. Em 2024, novembro foi o mais letal para as mulheres, com 35 casos, mas em dezembro o tipo de crime caiu para 24. Desde 2023, os paulistas têm visto mais de 200 feminicídios por ano, em tendência crescente – naquele ano começou o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).
No ano passado, o governo estadual reservou R$ 30 milhões para programas de enfrentamento à violência contra a mulher. No entanto, do total, pouco mais da metade, R$ 17 milhões (57%), foi usado (“empenhados”). Para este ano, a gestão Tarcísio decidiu investir ainda menos em políticas de proteção às paulistas, R$ 16,5 milhões. Na prática, é uma redução de 54,4% em relação ao valor aprovado pela Assembleia Legislativa para 2025, de R$ 36,2 milhões.
O governo argumenta que a proposta foi um aumento frente os R$ 9 milhões que ele próprio havia sugerido para 2025 – admite destinar recurso baixo para a Secretaria de Políticas para a Mulher. No dia 16 de dezembro, o orçamento foi aprovado, de R$ 382,3 bilhões. A pasta ficou com R$ 30,6 milhões, mas após emendas dos deputados. Ou seja, além de menos verba, ações de proteção à mulher dependerão de quanto o governador vai reservar e ainda quanto vai, de fato, usar.
ORÇAMENTO DO ESTADO DE SP PARA 2026 COM RECURSO PARA SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA MULHER






