Ex-vereador denuncia ação da ‘Máfia do Asfalto’ na prefeitura de Embu

Especial para o VERBO ONLINE

Ex-vereador professor Toninho denuncia suposta fraude em contratação da Demop com repasse de propina

ALCEU LIMA
VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O ex-vereador Antônio de Jesus Rocha, presidente do PSOL de Embu das Artes, denunciou suposta ação da chamada “Máfia do Asfalto” que teria rendido mais de R$ 2 milhões em propina a agentes públicos da cidade entre 2011 e o início deste ano. De acordo com investigação dos Ministérios Públicos Estadual e Federal e da Polícia Federal, a organização se infiltrou em Embu, além de outros 77 municípios do Estado, para fraudar licitações de obras de pavimentação e recapeamento com recursos de emendas parlamentares e de convênios com órgãos dos governos federal e estadual.

Em entrevista no último dia 22, na sede da Apeoesp em Taboão da Serra, o professor Toninho, como é mais conhecido, apontou que nas listas de contabilidade do esquema apreendidas o nome “Embu” aparece grafado 45 vezes ao lado de valores que chegam a R$ 100 mil cada e enfatizou que pelos menos dois registros mencionam “Francisco” ou “Chico”. Ele acusou ser uma referência ao prefeito Francisco ou Chico Brito (PT) e frisou que a citação nominal mais vultosa (R$ 46.000) tem data de 24 de agosto de 2012. “Coincidentemente, ele completou exatamente nesse dia 45 anos”, disse.

Ex-vereador professor Toninho denuncia suposta fraude em contratação da Demop com repasse de propina
Ex-vereador professor Toninho denuncia suposta fraude em contratação da Demop com repasse de propina

Toninho afirmou que, somadas as cifras lançadas, representantes da prefeitura teriam recebido até R$ 2.341.000,00, inclusive o empreiteiro Olívio Scamatti teria entregue pessoalmente algumas parcelas do produto da corrupção. Scamatti, controlador da Demop Participações, é apontado pelo MP como chefe da “Máfia do Asfalto”. Ele foi preso em 9 de abril durante a Operação Fratelli, deflagrada pelas promotorias e a PF, e solto no último dia 5 de novembro. O ex-vereador citou que as “planilhas da propina” fora encontradas na casa de um contador do grupo, em Votuporanga (SP).

O documento tem quatro colunas, 81 linhas e 22 nomes, nem todos escritos por extenso, alguns abreviados e outros com incorreções, em montante que atinge R$ 3,048 milhões. No entanto, o desvio pode ter alcançado R$ 1 bilhão. De acordo com os promotores de Justiça que desarticularam a quadrilha, o líder da Demop “nitidamente intervém junto a autoridades para que esses recursos sejam destinados para os municípios em que serão realizadas as licitações de que resultará a contratação da empresas da família Scamatti, garantida graças ao direcionamento daquelas licitações”.

Toninho disse que, em Embu, Scamatti conseguiu R$ 32 milhões em contratos de pavimentação e recapeamento. “Quando o serviço é executado, é de má qualidade, e na primeira chuva vira buraco de novo. Isso faz parte de um esquema pesado de corrupção”, acusou. Para o MP, as listas são “indicativo de possível contabilidade do pagamento de propina” a políticos. O ex-vereador lançou suspeita sobre doação legal à campanha eleitoral de Chico Brito em 2012, de R$ 200 mil (duas parcelas de R$ 100 mil), em que consta como doador a empresa Scamatti & Seller, do Grupo Demop.

OUTRO LADO
Chico Brito, em entrevista exclusiva ao VERBO, rechaçou a denúncia de fraude em licitações e na execução dos contratos de pavimentação e recapeamento com o grupo Demop e que os nomes citados na contabilidade secreta da quadrilha se refiram a ele, afirmou que cabe a quem acusa provar, sobre propina, e que as declarações são novas acusações infundadas da oposição. “Não fui notificado”, disse. No início de novembro, a Procuradoria Geral de Justiça em São Paulo ofereceu denúncia contra um prefeito, de Palestina (SP), suspeito de envolvimento na “Máfia do Asfalto”.

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