Em Taboão da Serra, parte do Jardim Beatriz (região do Jardim Helena) foi afetada pela falta de energia devido aos ventos fortes que atingiram a Grande São Paulo na manhã de quarta-feira (10). Um quarteirão da rua Beatriz Augusta e a rua Beatriz Regina ficaram sem luz. Na noite deste domingo (14), a Enel restabeleceu o fornecimento após protesto de moradores. Mas 515 imóveis do município (0,4%) continuam no escuro – 99,6% (126.297) tiveram o serviço retomado.
Os manifestantes atearam fogo em madeiras na Beatriz Augusta esquina com a Beatriz Regina às 19h contra o “descaso” da Enel e para chamar a atenção para religar a rede, com palavras de repúdio à empresa. A Polícia Militar compareceu e observou o ato. Mas uma PM ameaçou prender um morador que gravava, segundo um popular. O Corpo de Bombeiros chegou para apagar as chamas. A comunidade disse só permitir a desobstrução da via após a volta da energia.
Moradores reclamaram da ausência dos vereadores. “Na hora da eleição aparece um monte para pedir voto”, disse um homem. Uma idosa engrossou a cobrança. “E ninguém vem resolver. Quando é epoca de eleição todo mundo aparece, agora que a gente precisa não aparece ninguém. Vocês mandam a polícia em vez de resolver o nosso caso”, protestou. Minutos depois, o vereador Donizete (PSDB) apareceu. Ele foi interpelado a chamar a Enel “como autoridade”.
Após uma hora de protesto, depois das 20h, enfim, um caminhão da Enel chegou ao endereço, depois da polícia e os bombeiros. Os moradores celebraram a força popular. “O povo unido jamais será vencido”, gritaram. Às 20h27, a equipe, com uma vara, sem precisar subir em escada sequer, religou a energia ao ativar uma chave em um poste na Beatriz Regina. O reparo levou menos de dez minutos, de acordo com manifestantes. O fogo foi apagado e a rua, liberada.
Os munícipes ficaram mais de cem horas ou quatro dias e meio sem energia. No local, o VERBO conversou com o entregador por aplicativo Gleybson Diniz, morador da Beatriz Regina. Ao acabar de chegar do trabalho, ele ia tomar o primeiro banho em casa desde quarta. “A minha sogra mora do lado e a família dela mora mais para baixo. A gente [ele e a mulher] estava indo tomar banho na casa da minha mãe [na Vila Iasi] e na tia da minha esposa. É muto descaso”, disse.
Na noite de sábado (13), moradores do Parque Pinheiros também puseram fogo em via pública, na rua Hortência de Albuquerque Orlandino, contra a falta de energia. Depois, a luz foi religada. Outro local muito afetado foi o Parque Monte Alegre. Este portal esteve no bairro na madrugada de sábado e constatou as casas no escuro. O fornecimento foi restabelecido poucas horas depois, de manhã, disse uma moradora da rua São José à reportagem, que voltou ao local.
O prefeito Engenheiro Daniel (União Brasil) disse cobrar a Enel “de hora em hora” para religar a energia em 100% dos imóveis de Taboão e mobilizou secretários para reforçar a exigência de providências da empresa. Ele falou com o VERBO neste domingo no fim da tarde e disse que seguia pressionando a Enel para atender os munícipes prejudicados. “Média de 300 imóveis ainda para ligar”, disse. Depois, mencionou o bairro pelo qual cobrava. “Jardim Beatriz”, informou.





