Artista plástico, desenhista e escultor Wanderley Ciuffi, ícone de Embu das Artes, morre aos 83 anos

Ele participou do efervescente Movimento de Arte de Embu e expôs no 2º Salão de Artes Plásticas da cidade (1965); ele é um dos fundadores da famosa Feira de Artes

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Artista plástico, desenhista e escultor mineiro Wanderley Ciuffi (31/01/1942 - 10/11/2025), que morreu aos 83 anos, após uma vida dedicada à arte, ícone em Embu das Artes | Divulgação

Uma das figuras mais talentosas e icônicas de Embu das Artes, o artista plástico, desenhista e escultor Wanderley Ciuffi morreu na segunda-feira (10), aos 83 anos, de complicações renais. Ciuffi participou do Movimento de Arte de Embu, em 1965, quando ocorreu o 2º Salão de Artes Plásticas da cidade, no qual ficou em segundo lugar em pintura. Desde a experiência, participava da vida artística e cultural local. Ciuffi é um dos fundadores da Feira de Artes de Embu.

Mineiro de Guaranésia, Ciuffi, autodidata, fincou raízes em Embu em 1964. Na cidade iniciou a trajetória artística. Em 1968 fez a primeira exposição individual, em São Paulo. Na década de 1970, participou da exposição “Hiroshima e Nagasaki – Reportagem Fotográfica de um Evento Histórico”, além de várias edições do Salão de Artes de Embu. Também apresentou seus trabalhos na Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), em 1970 e 1983.

Em 1978 Ciuffi produziu um mural para o Hotel Urupema, em São José dos Campos (SP), e no ano seguinte integrou uma exposição coletiva no mesmo local. Comprometido com a causa, em 1984 participou da campanha para a criação do Conselho Municipal de Cultura da cidade no Vale do Paraíba. Nos anos 1980 desenvolveu o estudo O Rio São Francisco é uma Miragem?”, de caráter socioeconômico e político, que refletia sua visão artística sobre a realidade brasileira.

Ciuffi foi influenciado inicialmente pelo expressionismo e pelo universo simbólico do renomado pintor norueguês Edvard Munch (1863-1944). No entanto, ele inovou e desenvolveu uma linguagem própria, genuína, marcada pela emoção, intensidade e crítica social, sobre o comportamento e a predileção dos brasileiros. Segundo críticos e admiradores, ele passou a produzir obras marcadas por novas cores e leveza, em reflexo de maior maturidade criativa e harmonia estética.

Em 1996, o artista expôs no Salão da Secretaria Estadual da Cultura de São Paulo. Em 2009, realizou sua primeira exposição internacional, na Galeria Colorida, em Lisboa, Portugal. Em Embu, não se limitou ao Centro Histórico, onde mantinha ateliê, deixou marca na periferia ao produzir uma obra de arte – um painel – na entrada do Centro Cultural do Parque Pirajuçara. Não se abateu com a “ignorância”, em 2016. “Foi violada por um vândalo que a rasgou. Eu a recuperei”, disse.

Ciuffi ficou abalado mesmo quando a mulher, Marina, morreu, em 2020, durante a pandemia de Covid-19. Por um mês, em setembro de 2021, quando se completava um ano da perda da esposa, ele realizou uma emotiva exposição com 29 pinturas, “Olhares e Expressões”, em homenagem póstuma, no Centro Cultural Mestre Assis. Marina supervisionou e comercializou a totalidade dos trabalhos que Ciuffi pintou, desenhou ou esculpiu, no Brasil e no exterior, até falecer.

“Marina foi minha ‘marchand’ e minha grande musa. São telas que retratam sua participação em minha arte e em minha vida”, disse Ciuffi ao VERBO na ocasião, ainda muito sensibilizado pela perda da fonte de inspiração. Fragilizado com a morte da mulher, ele passou a ter decaída da saúde, mesmo amparado voluntária e dedicamente pelo amigo e também artista Renato Gonda. Ciuffi foi cremado no Cemitério Valle dos Reis, em Taboão da Serra, na divisa com Embu.

VEJA O ARTISTA WANDERLEY CIUFFI EM AÇÃO AO RECUPERAR PAINEL QUE PINTOU APÓS SER VANDALIZADO

Vídeo – Wanderley Ciuffi/Divulgação

Ateliê de Wanderley Ciuffi, em Embu das Artes | Foto: Adilson Oliveira/Verbo – 8.mai.2016

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