Intoxicação por metanol cresce, e Itapecerica tem 1 caso confirmado; Taboão da Serra e Embu, 1 suspeito

Os 14 registros atestados são no Estado de SP, que soma 148 em investigação e relatou a 2ª morte; orientação é evitar bebidas destiladas, como gin, vodca e uísque

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Distribuidora de bebidas com suspeita de adulteração em Embu das Artes é alvo da Polícia Federal e do Ministério da Agricultura; Estado de SP tem pior quadro | Lucas Jozino/TV Globo

O número de casos confirmados de intoxicação por metanol após ingestão de bebida alcoólica no país subiu para 14 neste sábado (4) – eram 11 ontem. Todos são no Estado de São Paulo, que hoje confirmou a segunda morte pela contaminação. As notificações chegam a 195. Portanto, os registros de suspeita totalizam 181, dos quais 148 no território paulista. A região tem um caso confirmado, em Itapecerica da Serra, e dois suspeitos, em Taboão da Serra e Embu das Artes.

As vítimas fatais por bebida adulterada com metanol são dois homens, ambos da capital paulista. A primeira é o empresário Ricardo Lopes Mira, de 54 anos, morador da Mooca (zona leste). Ele passou mal em 9 de setembro e morreu no dia 15. O óbito foi relatado no sábado (27). A segunda vítima é Marcos Antônio Jorge Júnior, de 46 anos. Ele tinha bebido vodca e foi levado em estado gave ao Hospital Municipal do Tatuapé (zona leste), onde morreu na quinta-feira (2).

A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo investiga outras sete mortes pela mesma substância em bebidas – quatro na capital (homens de 36, 45, 50 e 70 anos), duas em São Bernardo do Campo, no ABC (homens de 49 e 58 anos) e uma em Cajuru, no interior, na região de Ribeirão Preto (um homem de 26 anos). No país são 12. Segundo o Ministério da Saúde, ainda há três óbitos em investigação em Pernambuco, um na Bahia e outro no Mato Grosso do Sul.

Os 14 casos de intoxicação por metanol confirmados são de pessoas da cidade de São Paulo (11), Guarulhos (1), São Bernardo (1) e de Itapecerica (1). O VERBO não teve a confirmação sobre o paciente itapecericano. Um morador do município de 22 anos está internado, em estado grave, porém, o laudo atestando ou não a contaminação pela substância ainda não teria ficado pronto. No entanto, a família teria dito que o jovem passou mal após ingerir bebida destilada.

A Prefeitura de Itapecerica realizou na quarta-feira (1º) uma operação contra a venda de bebidas alcoólicas adulteradas. A força-tarefa, que reuniu Guarda Civil Municipal, Vigilância Sanitária, Autarquia de Saúde, Procon, Fiscalização e Polícia Civil, percorreu bairros do município e vistoriou adegas e bares para, segundo relatou, verificar possível “comercialização de qualquer bebida ilícita”. O governo municipal falou em realizar outras ações em diferentes pontos da cidade.

Já os 148 casos suspeitos são em São Paulo (75), São Bernardo (29), Osasco (9), Santo André (7), Diadema (6), Itaquaquecetuba (2), São José dos Campos (2), Araçatuba, Cajuru, Capapicuíba, Cubatão, Ferraz de Vasconcelos, Guarulhos, Jacareí, Jundiaí, Limeira, Mauá, Ribeirão Preto, Rio Claro, Santos, São Vicente, Vinhedo, Embu e Taboão (1 caso cada) – há imprecisão, no entanto, no balanço do governo paulista, que cita “Embu” e “Embu das Artes” com um registro cada.

Informação sobre o caso suspeito em Embu não foi divulgada. Nesta quinta (2), a Polícia Federal, junto com fiscais do Ministério da Agricultura, vistoriou uma distribuidora no município. De acordo com a TV Globo, a espécie de atacadão recebe garrafas com suspeita de adulteração. Segundo denúncia relatada a este portal, o comércio seria de propriedade de um suplente de vereador e funcionário livre-nomeado da prefeitura, lotado na Secretaria de Serviços Urbanos.

Em Taboão, o caso em investigação sobre o metanol é de uma mulher de 32 anos, moradora do Jardim Monte Alegre. A paciente procurou a UPA Akira Tada na quinta (2) e recebeu o primeiro atendimento, mas não permaneceu para acompanhamento do quadro, segundo a reportagem apurou, “se evadiu da unidade”. Não há informação sobre o estado da moradora. A Secretaria Municipal de Saúde não conseguiu mais contato com ela nem com a família.

Álcool usado em solventes e outros produtos químicos, na indústria, o metanol é altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até morte. As bebidas mais sujeitas à adulteração – e à intoxicação por metanol – são as destiladas, como gin, vodca e uísque. A recomendação é evitar o consumo de tais produtos.

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