A vereadora Professora Najara Costa (PCdoB) apresentou há duas semanas o projeto de lei que inclui no calendário de eventos de Taboão da Serra a “Semana de combate à intolerância religiosa e racismo religioso”, contra o preconceito às religiões de matriz africana, e não teve a proposição votada, ao enfrentar resistência na Câmara, em duas sessões tensas. Na terça-feira (23), ela chegou a fazer uma alteração no texto, após pressão de colegas, mas em vão.
Najara apresentou no dia 16 o projeto em regime de urgência, como tem sido a prática para outras matérias na Câmara. Para prioridade na votação, colheu assinaturas de todos os vereadores, com exceção de Dídio Conceição (PP), que leu a proposição e não assinou. Depois, Sandro Ayres (Republicanos) e Thamires de Cássia (União Brasil) retiraram as assinaturas. Alegaram não concordar com a tramitação em urgência com projeto com foco nas religiões de matriz africana.
Sandro, em discurso, indicou ter sido ludibriado e falou que a colega tentou passar um projeto “cavalo de troia”. Najara rechaçou, disse que conversou com os vereadores sobre a proposição e a apresentou para que lessem. Sem o mínimo de assinaturas necessário, o projeto não foi a votação. Também em tribuna, a vereadora acusou que quando o tema envolve religiões afro-brasileiras aparecem resistências que não surgem em outros casos, como datas cristãs.
Na sessão passada, com a presença de sacerdotes da umbanda e candomblé que convidou, Najara pressionou pela votação e reafirmou que o projeto “tem tido algumas resistências”. Bressan (PDT) ficou “desconfortável”. “Dá entender que algum vereador está se posicionando contra”, disse. Najara respondeu. “Isso não acontece com projetos atrelados à fé cristã. E por que acontece com projeto de conscientização sobre as religiões de matriz africana?”, questionou.
Anderson Nóbrega (PSD) aproveitou para reclamar de ter tido voto contrário de Najara a moções de louvor que apresentou sobre a igreja Renascer e o apóstolo Estevam e a bispa Sônia Hernandes. “Intolerância também é isso”, disse. Ele chegou a se queixar da colega. “Fica me expondo na tribuna toda hora”, falou. Najara disse não ser contra a religião cristã e que votou contra exaltações aos chefes da Renascer, por terem sido condenados por “crimes de corrupção”.
Após várias interrupções da sessão e reuniões a porta fechada, com o clima de animosidade na Casa, Najara fez mudança no texto. Sobre os objetivos da “Semana”, no artigo 2º item 1, a redação “ampliar a discussão sobre o racismo e a intolerância religiosa, com ênfase nas religiões de matriz africana” foi alterada para “ampliar a discussão sobre o racismo e a intolerância religiosa, atuando nas religiões de matriz africana, islamismo, cristianismo, induísmo, entre outras”.
Mas, mesmo com a mudança imposta, os vereadores não aceitaram votar o projeto. “Eles não deram justificativa”, disse Najara ao VERBO. Ela acredita em ação orquestrada, após votar contra projetos como o da escola cívico-militar e, segundo ela, as próprias “honrarias a políticos”. “Alguns se sentem ofendidos, por expor alguma fragilidade. É uma retaliação. Para que eu me comporte de outra forma. Mas isso não vai acontecer. Não tenho acordo nesse sentido”, afirmou.
Najara vai insistir para o texto ser votado. “Eu tenho olhar sobre outras religiões [além da cristã], e uma escuta sobre minha base política e o preconceito vivido. Taboão tem quase 400 terreiros, que vivem quase na clandestinidade, mas para se defenderem [da intolerância]”, disse. Segundo a vereadora, o presidente Carlinhos do Leme (MDB) é a favor, e também o prefeito Engenheiro Daniel (União). “Ele disse que o projeto é super coerente e vai sancionar tranquilamente”, declarou.





