A 5ª Conferência Regional de Políticas para as Mulheres, realizada na última quinta-feira (24) pelos oito municípios do sudoeste da Grande São Paulo (Conisud), discutiu e sugeriu ações sobre cinco grandes temas, mas teve foco no enfrentamento à violência contra a mulher e apresentou as principais propostas na área, como a implantação de delegacia da mulher 24h na região. O encontro teve como anfitriã a cidade de Taboão da Serra e reuniu cerca de 500 participantes.
A primeira parte da conferência foi a da fala das autoridades, com uma mesa composta pelo presidente do Conisud, o prefeito Felipe Amed (São Lourenço da Serra), e os demais assentos ocupados apenas por mulheres. A Secretária da Mulher de Taboão, Thaís Miana, estimulou as presentes a propor políticas “para que nossas mulheres cada vez mais espaço de vez dentro das casas, da política, dos órgãos públicos, das diretorias, dos altos patamares das empresas”
A vice-prefeita de Taboão, Érica Franquini (MDB) – que representou o prefeito Engenheiro Daniel (União) -, deu o tom a conferência, ao citar que a cidade não tem a delegacia da mulher 24h. “É um absurdo. Quando vereadora, aprovei requerimentos pedindo ao governador a implantação. As mulheres sofrem e muitas vezes, aos fins de semana, não têm aonde ir e acabam sendo mortas. Devemos pensar nisso e nos unir. Que a nossa voz seja ouvida em todos os cantos”, disse.
Primeira delegada da mulher, Rosemary Corrêa fez uma palestra sobre violência doméstica. Ela destacou que delegacia da mulher, implantada em 1985, foi a primeira política pública na área não apenas no Estado de São Paulo, mas no país, e suscitou outras ações permanentes, como as assistências social, jurídica e psicológica, e depois a Lei Maria da Penha. “Em 2006, tivemos a nossa maior vitória”, disse. Ela também ressaltou a criação da Lei do Feminicídio, de 2015.
Rosemary sugeriu propostas. Defendeu a criação da delegacia da mulher 24h na região, mas com estratégia que evite desfalque de equipe e precarização do serviço. Ela priorizou a sensibilização das “portas de entrada da denúncia de violência”, as delegacias em geral e as hospitais, para que o atendimento seja acolhedor, célere e garanta proteção às mulheres. Rosemary exemplificou que não é aceitável um médico atender uma vítima na presença do agressor.
Na outra palestra, a pastora e psicanalista Isabel de Jesus promoveu a autoestima da mulher para romper ciclos danosos, inclusive o da violência. Ressignificou a condição de guerreira, de estar “todo tempo em pedaços para que o outro [agressor] fique inteiro”. “O seu valor não está no sangue que você derrama, na força que faz. Está na identidade que possui. Você não nasceu com traumas, para ser maltratada, para ser infeliz. Você não é o que lhe aconteceu”, disse.
Depois, as mulheres fizeram propostas a partir dos eixos – combate à violência contra a mulher; autonomia financeira e trabalho; direito à saúde integral; acesso à Justiça; e presença em espaço de poder e decisão. No mesmo espírito, a secretária da Mulher de Vargem Grande Paulista, ainda na abertura, criticou a decisão do Governo do Estado de realizar a conferência estadual online. “Queremos nos unir, estar juntas. Queremos conferência presencial”, protestou Lucilene Ávila.
Thaís avaliou que a conferência foi um “sucesso” e destacou os pleitos feitos, com acento à defesa das mulheres contra agressores. “Tivemos propostas profundas, com conhecimento. Temos a questão [da implantação] da delegacia 24 horas, que é importante. Mas muito mais importante é o abrigo, para acolher as vítimas. E também o fortalecimento da educação, do conhecimento, para garantir que as vozes, os direitos das mulheres sejam reconhecidos”, afirmou.
O encontro também teve a eleição de representantes por município para a conferência nacional, que ocorrerá de 29 de setembro a 1º de outubro, em Brasília. De Taboão, as delegadas eleitas da sociedade civil foram a empreendedora Midiam Almeida, a ativista Edna Estella França, de ONG que atende vítimas de violência doméstica, e a advogada Sonia Santos, especialista em políticas públicas para as mulheres. Thaís também irá à conferência, como a gestora na área.





