A Polícia Civil prendeu nesta terça-feira (22) um homem identificado como responsável por pelo menos 18 ataques a ônibus na Grande São Paulo, inclusive na região. De acordo com os investigadores do caso, Edson Aparecido Campolongo confessou os atos de vandalismo. Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, ele alegou que realizou a depredação contra os coletivos porque “quer consertar o Brasil”. Campolongo tem 68 anos e é morador de Taboão da Serra.
Campolongo é funcionário público concursado da CDHU (companhia habitacional do Estado) há cerca de 30 anos e há um ano é motorista do chefe de gabinete do órgão. Segundo a investigação, ele chegou a usar carro da companhia para praticar os ataques. A polícia foi até a residência e o local de trabalho de Campolongo, na sede da CDHU, no centro histórico da capital. No armário do suspeito, os investigadores encontraram estilingues e também pequenas esferas metálicas.
Campolongo alegou motivação política para praticar os ataques a ônibus. Em perfil no Facebook, ele fez várias postagens com críticas ao governo do presidente Lula, ao PT e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ao ser interrogado, ele ainda afirmou, de acordo com a polícia, que tinha como intenção mobilizar pessoas para mudar o país. Ele negou, porém, ser filiado a partido ou organização política.
No entanto, o secretário-executivo de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, considerou que não é possível concluir que o suspeito tenha falado a verdade sobre a motivação. A polícia acredita que Campolongo tenha sido “arregimentado” (recrutado) para praticar os ataques. Os policiais vão investigar, nos próximos dias, outras pessoas ligadas ao idoso. “Não levamos tão a sério o que ele falou, alguma cortina tem por trás disso”, disse Nico Gonçalves, que é delegado.
Já Campolongo contou que teve a ajuda do irmão, o desempregado Sérgio Aparecido Campolongo, de 56 anos, para realizar alguns dos ataques – ao menos dois. Aparecido se apresentou à polícia nesta quarta-feira (23) e foi preso. “Em vários casos tínhamos um [carro Volkswagen] Virtus branco, visto em várias cenas. […] Os horários são compatíveis com os horários de folga [de Campolongo]”, disse o delegado Júlio César de Almeida, responsável pela investigação.
Após ser identificado e intimado, Campolongo compareceu de forma espontânea à delegacia em São Bernardo do Campo, quando foi detido. A Secretaria de Segurança afirmou que o suspeito foi preso, mas a informação foi negada pelo delegado Almeida. Segundo o titular do Deic (departamento de investigações criminais) de São Bernardo, a polícia expediu mandado de prisão, mas não houve confirmação de que o pedido tenha sido autorizado pela Justiça.
Desde que a onda de ataques teve início na região metropolitana – cerca de 550 na capital e 260 na Grande São Paulo -, em junho, 22 suspeitos foram detidos. Do total, Campolongo é apontado como o único que participou de mais de uma ação. Na CDHU, como motorista, recebe salário líquido de quase R$ 11 mil. A reportagem não contato com a defesa. Ele e o irmão devem responder pelos crimes de dano qualificado e atentado contra a segurança do transporte público.





