O policial civil Rafael Moura da Silva, de 38 anos, foi enterrado nesta quinta-feira (17) em Taboão da Serra, após ser velado na Academia da Polícia Civil, no Butantã (zona oeste de SP). Rafael morreu após ser baleado por um policial militar da Rota. Ele estava em serviço em uma operação no Capão Redondo (zona sul de SP), quando foi atingido com três tiros pelo PM, na sexta-feira (11). Internado no Hospital das Clínicas em estado gravíssimo, ele morreu nesta quarta-feira (16).
Rafael estava com outros agentes em uma diligência contra o tráfico de drogas na favela do Fogaréu, por volta das 17h, quando uma viatura da Rota se aproximou no sentido contrário, na rua Pedro Faber. Segundo relatos, mesmo com os investigadores com carro da corporação e distintivo e após alertarem que eram policiais, os PMs atiraram. Dois policiais civis foram baleados. Em uma viela do local, Rafael foi atingido com um tiro no braço e dois no abdômen.
Com um projétil alojado na barriga, Rafael foi operado às pressas, mas não resistiu após lutar pela vida por cinco dias. Ele tinha 11 anos de carreira na Polícia Civil. O PM da Rota identificado como autor dos disparos que mataram Rafael é o sargento Marcus Augusto Costa Mendes. O outro policial civil baleado, Marcos Santos de Sousa, de 41 anos, foi atingido de raspão na cintura e levado ao Hospital do Campo Limpo. Com ferimento sem gravidade, ele foi liberado em seguida.
A Polícia Militar informou que instaurou um inquérito “para apurar todas as circunstâncias” do caso, mas que não vai afastar o autor do disparos por motivos técnicos. “A análise das câmeras [corporais] é compatível com a versão apresentada pelo sargento”, disse o porta-voz da PM, o coronel Emerson Massera. No entanto, o sargento não está realizando atividades operacionais (de rua) por estar submetido a acompanhamento psicológico, conforme previsto em tal situação.
No velório, policiais do Garra (grupo especializado da Polícia Civil) fizeram um salva de tiros para homenagear o colega. Um primo de Rafael criticou a Rota. “Por que ele? Que padrão de polícia de elite é esse que mata?”, gritou o homem, que aparentava estar muito abalado. De acordo com a CNN, uma testemunha afirmou que os agentes da Rota “atiraram para depois perguntar”, e, segundo informações, a equipe queria apresentar a versão de troca de tiros.
Para a irmã do investigador, Rafael foi executado pela condição racial. “O meu irmão morreu porque era preto. Estava de moletom e boné, mas não estava descaracterizado. Ele estava com a identificação dele no peito”, disse Renata Moura. Rafael era morador de Taboão. A família reside no Jardim Trianon, onde ele viveu por muitos anos. Ele foi sepultado no Cemitério da Saudade, sob homenagens e revolta, de parentes e policiais civis. Rafael deixa três filhos pequenos e esposa.






Tinha que aparecer um baguá e dizer que foi racismo. Queria pegar um baguá desse e colocar em uma viela na favela dominada pelo tráfico e dar de cara com alguém a paisana armado, difícil ver um distintivo pendurado no pescoço.
A culpa é a falta de comunicação entre as polícias. Os dois policiais são vítimas de um sistema de polícia falido que não se conversam em pleno século XXI