O prefeito Aprígio (Podemos) inaugurou no sábado (25) a Escola de Artes, no Parque das Hortênsias (Centro), em meio a protesto de ativistas culturais, que apontaram a morosidade da administração em efetivar políticas públicas, inclusive leis de incentivo, em benefício dos artistas e outros trabalhadores do setor. A manifestação mirou a gestão de Binho, exonerado do comando da Cultura, mas ofuscou a posse da nova secretária da pasta, Nil Félix, durante o ato.
Aprígio disse que nos dois primeiros anos precisou “organizar a casa” para agora começar a entregar as obras e projetos que prometeu durante a campanha eleitoral e pôs no plano de governo. “Hoje é um dia especial, estamos aqui realizando sonhos e levando o que há de melhor para o povo e Taboão da Serra”, discursou ao entregar a escola, segundo “O Taboanense”. De acordo com o site, ele disse que a cidade passa por “reconstrução” e voltou a criticar os adversários.
No entanto, ativistas não pouparam o atual governo, já com dois anos de administração. Na inauguração, eles fixaram na entrada da escola e ergueram cartazes com dizeres como “Cultura de Taboão da Serra U.T.I. Respira” e “A cultura de Taboão da Serra precisa urgente do FMC [Fundo Municipal de Cultura]”. Diante do palco, ocupado pelo prefeito, secretários e vereadores, uma integrante do grupo levantou placa com o texto “A cultura de Taboão pede socorro”, entre notas musicais.
O protesto não foi repentino, a contrariedade era crescente desde o ano passado. O VERBO teve acesso a troca de mensagens em um grupo em que os ativistas expunham a insatisfação com o governo Aprígio. “Sempre coloquei os questionamentos, os apontamentos, falei o que era certo, o que era errado. [Falei:] ‘Isso não está bacana, precisa melhorar; isso precisa fazer, tem que correr atrás do Sistema Municipal de Cultural'”, disse a produtora cultural Daniela Reigadas.
Em “lavação de roupa suja” motivada pela inércia do governo, Daniela espinafrou o então secretário, ainda em junho do ano passado. “Eu nunca falei nada pelas costas. Muito pelo contrário. […] Inclusive, várias vezes eu liguei para o Binho, falei: ‘Binho, precisa melhorar, não está boa a sua gestão, já passou 1 ano e meio”. Não saiu ainda o edital dos R$ 100.000, dinheiro [emenda] do Bressan”, disse. “Sempre falei para o Binho: ‘Sua gestão está ladeira abaixo'”, enfatizou.
Procurada por este portal após a inauguração da escola, Daniela admitiu que segurou um dos cartazes, mas negou protesto. “Nós não fizemos um protesto e sim uma manifestação artística com cartazes de pedido de socorro da cultura. Tem gente querendo se apropriar da nossa luta ou apoiar com um viés diferente do nosso objetivo. […] E a conclusão desta mudança veio na inauguração da Escola de Artes e na apresentação da nova secretária de Cultura, sra. Nil Félix”, afirmou.
“Não temos porque não celebrar a chegada dela, […] mulher de luta de movimentos sociais [militante do MST (sem-terra)], professora. Nós da cultura ficamos muito felizes com a escolha da nova secretária, que veio agilizar os processos”, salientou Daniela. Em reservado, na troca de mensagens, porém, a produtora tratou a iniciativa como tal, um “protesto”. Segundo a reportagem apurou, os ativistas da cidade teriam ficado preocupados com a repercussão dos cartazes críticos.
“Que sensibilidade poética e visão de fazer os cartazes para chamar a atenção do poder público. Sim, chamamos atenção, os professores da escola inclusive explicaram para os alunos o que estava acontecendo e porque nós da Cultura protestamos de forma pacífica pela execução de nossos [projetos]. Os políticos entenderam o recado e conseguimos atingir o nosso objetivo”, disse Daniela, ao se dirigir à autora da ideia da manifestação, uma musicoterapeuta.
A secretária procurou lidar com o protesto com altivez. “Manifestações são elementos democráticos essenciais em uma sociedade. Como nova gestora da pasta, estou aberta ao diálogo e ao entendimento com a classe artística e os ativistas”, disse Nil à reportagem. Conforme ainda a troca de mensagens, Nil quis se reunir “com todos da cultura” de imediato, mas os próprios artistas e ativistas deram esta semana para a gestora conhecer a pasta e só marcar a reunião na próxima.





