Em Embu, Haddad promete universidade federal e hospital-dia para liberar vagas de internação

Especial para o VERBO ONLINE

Ao lado de candidatos a deputado, como Rosângela Santos, Haddad anda pelo Vazame, periferia de Embu, em que falou com eleitores nas ruas e lojas | AO/Verbo

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O candidato a governador de São Paulo Fernando Haddad (PT) esteve nesta terça-feira (23) na região, em Embu das Artes, na periferia. Em caminhada de 200 metros pelo Jardim Vazame, ao lado de apoiadores e candidatos a deputado do partido e da coligação, Haddad cumprimentou e falou com eleitores nas ruas e em comércios. Após discursar, ele apresentou, durante entrevista, propostas na educação, saúde, transporte, habitação e segurança.

Haddad se comprometeu a viabilizar em Embu o projeto da universidade federal, que chegou anunciar como parte da expansão pela Grande São Paulo quando ministro da Educação (2010), mas não se concretizou na cidade. “A unidade aqui não saiu do papel. Eu quero como governador ajudar o governo federal e o município de Embu a fazer um campus universitário, porque da região metropolitana é a única parte que ficou desatendida”, reconheceu.

“Vamos fazer aqui um equipamento, doar para a Universidade Federal de São Paulo para que Embu, finalmente, venha ter a sua universidade. […] O que estou dizendo é que se a prefeitura de Embu ceder o terreno para a Unifesp eu me comprometo a ser parceiro na construção do prédio. Quando dou a palavra, pode passar 10 anos que não esqueço o que prometi. Saí do MEC dizendo que aqui ia ter uma universidade. Não tem. Então, vai ter”, declarou.

Questionado sobre educação infantil, Haddad disse esperar que o “governo federal mude”, que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença a eleição presidencial para reativar o programa “Pró-Infância”, de construção de creches nas cidades. “Se por ventura não acontecer, não vamos ter ambição de resolver o problema. A capital resolveu, hoje não tem mais déficit. O interior consegue atender as crianças. A região metropolitana não está bem, é o grande desafio”, disse.

Na mesma linha, Haddad disse ter a expectativa de que o “Minha Casa, Minha Vida” seja retomado para enfrentar a fila por moradia, mas lançou um plano. “[Para famílias com ganho] De zero a três salários mínimos, não tem solução que não seja o subsídio. A saída é o Estado entrar com uma parte a fundo perdido. Aí a família com o que pagava de aluguel amortiza a compra e quando terminar o financiamento está com a casa e escritura. Não tem milagre”, falou.

Na saúde, Haddad disse ter como proposta o hospital-dia – o paciente fica parte do dia na unidade e depois vai para casa. “Tem que ser feito com critério: um para cada 400 mil habitantes. Essa é a necessidade para desafogar os hospitais regionais e fazer a fila do SUS andar. A primeira providência é reunir os prefeitos e organizar de acordo com os consórcios locais. Vamos pedir terreno para o prefeito para construir. Se atender o critério, vamos fazer”, disse.

Ao ouvir do VERBO que os dois hospitais da região (Pirajuçara e Itapecerica da Serra) não ficam em Embu e atendem pouco o município, Haddad falou que a proposta “é a mais avançada”. “Temos que ter hospital-dia para liberar os hospitais regionais para internação. Ele faz procedimento sem precisar de internação. Você poupa a hotelaria. Economiza e faz a fila andar. E leva a população a se restabelecer em casa, imune a infecções hospitalares”, ressaltou.

Haddad prometeu o bilhete único metropolitano, nos moldes de São Paulo, em que o passageiro paga uma passagem durante um período de horas. “É uma necessidade. Quem tem que se dirigir para a capital para trabalhar não tem a vantagem do bilhete único da capital. Se o Estado entrar, poderemos fazer gradualmente, a começar pelas cidades onde tem menos emprego – e onde a população sofre mais. A diferença de preço, o Estado paga”, afirmou.

Haddad disse que vai ofertar crédito para os paulistas abrirem o próprio negócio, quando alfinetou a gestão do PSDB, do adversário Rodrigo Garcia. “Tem muita gente desempregada que pode empreender. E o governo não pode atrapalhar depois, aumentando imposto. Aumentaram o IPVA em 30%. O IPVA pode baixar, mas subir não vai”, afirmou. Ele disse ser favorável ao emprego da câmera no uniforme dos policiais militares. “Vou expandir”, falou.

Ao ouvir de um repórter que outro adversário, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mudou de posição sobre a câmera na farda dos PMs e passou a apoiar, Haddad fustigou o oponente – que é carioca e mudou o domicílio eleitoral para São Paulo neste ano. “O Tarcísio está chegando agora, vai mudar de ideia em várias coisas à medida que conheça o Estado. Conhece o Estado? Viveu aqui? Deve ter decorado o nome [da rua] da casa que alugaram para ele”, disparou.

Haddad disse ainda que, se eleito, não negociará apoio dos partidos do “Centrão” na Assembleia Legislativa. “Eu não acho que vão ser maioria. Somos seis partidos [da coligação]. Aí tem o PSDB, que não é do ‘Centrão’. Tem o MDB, que não é do ‘Centrão’. Tem o PDT, que não é do ‘Centrão’. Tem muita coisa que não é ‘Centrão’. Você corre para o ‘Centrão’ e arruma confusão. Não vou ficar correndo atrás de base de apoio que bota a faca na garganta”, declarou.

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