Contra ‘forte’ Rosângela, Chico pede reedição da antiga aliança a Ney, que rejeita

Especial para o VERBO ONLINE

Chico fala no palco de Ney no Valo Verde, quando articulavam aliança que acabou na eleição de Ney presidente da Câmara | Adilson Oliveira/Verbo - 19.out.2014

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Em áudios que circulam em rede social, o prefeito Ney Santos (Republicanos) e o ex-prefeito Chico Brito (PSD) têm uma conversa tensa em que Ney reconhece que foi apoiado por Chico à prefeitura em 2016, mas acusa que Chico não cumpre acordos e se “movimenta” contra fazer o vice Hugo Prado (MDB) prefeito. Chico diz não poder ser candidato em 2024 e apoiar Hugo contra Rosângela Santos (PT), e propõe reunião entre ambos, mas Ney rejeita.

Ney comenta que a “parceria” com Chico começou em 2015, quando virou chefe do Legislativo com o então prefeito como mentor. “Você realmente abriu a porta quando eu era presidente da Câmara, eu fiz tudo que você pediu. Você realmente abriu a porta para eu ser candidato a prefeito”, diz. Ele aponta, porém, que Chico articula para comandar a prefeitura de Embu em 2024. “Você foi covarde, falou que não era candidato, que o Hugo era seu candidato”, afirma.

“Se você reconhecesse que eu fui praticamente o seu laranja, deveria ter um pouco mais de respeito pela gente”, frisa Ney, ao expor o que Chico sempre tentou negar, que apoiou Ney para o suceder em 2016 – para alijar Geraldo Cruz da política de Embu. Chico diz que “temos que unir força” em 2024, ao elogiar a votação da prefeiturável Rosângela Santos (PT) em 2020: “Se bobear, a Rosângela ganha. Sem estrutura nenhuma, a mulher teve quase 28 mil votos”.

Chico se esforça para tentar recuperar a confiança de Ney e diz apoiar Hugo a prefeito daqui a dois anos – quando prefeito, então no PT, tinha Hugo como secretário pessoal. Chico deixa transparecer, porém, ter como objetivo evitar que Rosângela vire prefeita. Inelegível até 2025, Chico tenta ainda atrair Ney e chega a dizer que não será candidato em 2024 ao admitir não poder. “A Câmara, lá atrás, rejeitou as minhas contas”, diz. Ney, porém, refuta nova aliança.

A conversa teria ocorrido no início deste mês. Os áudios foram publicados pelo “Embu News”. Leia e ouça a conversa:

*

Ney Santos – Vamos lá, Chico. Vou responder aqui, você já faz uma análise, e que fique claro e registrado, e a gente não precisa nem fazer essa agenda [que você propõe]. Eu não sou melhor do que ninguém, mas costumo cumprir os meus compromissos, e saber realmente o que é parceria. Não gosto de sentar à mesa com uma pessoa, discutir parceria e depois essa parceria, na prática, não acontecer. Se você está acostumado a fazer esse tipo de parceria, não é comigo que você vai fazer. É por isso que essa conversa [em reunião] não tem necessidade de acontecer. Você já prometeu muitas coisas e não cumpriu. Na minha opinião, você não é parceiro porra nenhuma, tá?

Eu estou te tratando já como adversário político, coisa que me arrependo de não ter feito desde a primeira vez que sentei aqui nessa porra dessa mesa, nessa cadeira. Se eu tivesse feito isso, você não estava fazendo o que está fazendo agora. Você é covarde, você sentou nessa mesa comigo várias vezes, falou para mim que não era candidato, que o Hugo [Prado] era o nosso candidato. E hoje você está fazendo isso. Então, se você tomou sua atitude [de adversário], pode ter certeza que a minha atitude vai ser igual com você. A partir de hoje, você é mais do que o nosso adversário político, tá bom?

Você fala que não quer que a Rosângela [Santos] nem o Geraldo [Cruz] sentem [na cadeira de prefeito]. [Mas] Eu vou repetir, e vou só aumentar uma coisa: eu não quero que nem a Rosângela, nem o Geraldo e nem você sente aqui. Você é um cara que, infelizmente, irmão, não reconhece o que as pessoas fazem por você. Se você reconhecesse o que eu fiz por você, de ser praticamente o seu laranja aqui até hoje, você deveria ter um pouco mais de respeito pela gente, coisa que você não teve. Não tem! Até porque todas as suas movimentações chega [sic] até nós. Só que como você não deve satisfação para nós, segue [sic] sua vida, nós vamos seguir a nossa. Eu aprendi uma coisa: política é guerra, quem pode mais chora menos.

Não sou melhor do que você. Você já esteve aqui onde estou hoje, pode ser que um dia você volte aqui [a ser prefeito]. Você pode me tratar da forma que estou te tratando, não tem problema. Mas o único arrependimento que eu tenho até hoje é de não ter tratado você como adversário, como eu deveria ter tratado. Porque você não está reconhecendo o que eu fiz e estou fazendo por você. Você realmente abriu a porta lá atrás, quando eu era presidente da Câmara – eu fui um presidente da Câmara que fiz tudo o que você pediu. Você realmente abriu a porta para mim [sic] sair candidato a prefeito, como você abriu para o Geraldo, como abriu para outras pessoas, entendeu? O seu problema é que você acha que tudo que fez, ninguém sabe. Mas, infelizmente, na política nada fica escondido. Por isso, a pessoa tem que ser correta, agir como certo.

De repente, nós poderíamos olhar olho no olho e ter essa discussão. Estou à disposição se for para tratar do assunto como gente grande, colocar na mesa a insatisfação e realmente falar o que é certo e o que é errado. Se você tiver disposto a ouvir o que eu tenho para te dizer, desde lá de 2015 para cá, na hora que você quiser estou disposto para falar. Agora, se for para você contar história e vim de ‘mi, mi, mi’ no meu ouvido, não precisa perder seu tempo com isso, irmão. Eu sou um cara decidido do que eu quero, do que eu faço, e se for da vontade de Deus o nosso próximo prefeito se chama Hugo Prado. Se não for o Hugo Prado, tem outros nomes que têm a condição, se Deus quiser, de ser o nosso prefeito, tá bom?

Chico Brito – Ney, tudo bem? Deixa eu te falar uma coisa: eu, ao pedir uma conversa com você é porque… Primeiro, porque eu não tô excluindo ninguém. E tem coisa que ninguém precisa ouvir: ninguém precisa ouvir os meus desabafos em relação a você e ninguém também é obrigado a ouvir os seus desabafos em relação a mim, tá certo? Eu só quero te repetir uma coisa: eu disse ao Hugo isso. Tomei um café com o Hugo no Empório Belas Artes e disse isso para ele: ‘Hugo, nós temos que unir forças, porque se bobear a Rosângela [Santos] ganha’. Ney, tem que ter o pé no chão. A Rosângela, sem estrutura nenhuma, a mulher teve quase 28 mil votos na campanha passada. Então, é questão de racionalidade. E eu não disse que sou candidato, Ney. Até porque a Câmara, lá atrás, rejeitou as minhas contas. Então, eu nem posso ser candidato. Você sabe disso.

Agora, uma coisa é não poder ser candidato, outra coisa é articular na política. E eu disse para o Hugo o tempo inteiro: “Hugo, você é o meu candidato. Mas nós temos que nos articularmos. Eu não vou deixar para a Rosângela assumir o legado na prefeitura, tudo o que nós fizemos, nos oito anos, e ela falar: ‘Não, foi o PT que fez, a UPA, as creches, os postos de saúde… Foi o PT que fez”. Então, a gente precisa ter estratégia. Quando eu digo fazer conversa de gente grande é isso, é sentarmos nós dois e termos essa conversa. Inclusive eu disse isso para o Hugo: ‘Eu vou para rua pedir voto para o Lula’. Agora, eu não posso ser impedido de fazer campanha, Ney! Eu não sou candidato! Não sou candidato! Mas eu tenho a liberdade de fazer campanha, e vou fazer campanha para o Lula. Vou andar rua a rua, casa a casa, pedindo voto para o Lula.

Agora, eu gostaria muito de fazermos essa conversa. Se você achar que é correto, que é o melhor caminho, não tem problema, pode chamar o Hugo, até porque o Hugo é meu parceiro também. Quero deixar claro para você: quando disse fazermos uma reunião só nós dois, não estou excluindo ninguém, meu amigo, está certo? Mas eu quero essa conversa com você, sim. E pode trazer o Hugo – outra pessoa, não tem nem sentido você trazer; se for o Hugo, para mim não tem o menor problema, podemos fazer a conversa nós três.

Tem ressentimento da sua parte em relação a mim. Tem ressentimento da minha parte em relação a você. Mas acho que nós podemos conversar. Espero que você tenha essa disposição, Ney. Repito: não te tenho como inimigo, mesmo você tendo afirmado agora, várias vezes, que eu virei seu inimigo. Continuo dizendo para você que eu não te tenho como inimigo. Gostaria muito de fazer essa conversa, eu sempre acredito na possibilidade de uma composição.

Ney Santos – Quando você fala em pedir agenda só nós dois, deve estar confundindo, achando que eu sou que nem você. Você acha que eu vou estar fazendo joguinho com você, joguinho com o Hugo, joguinho com outras pessoas. Comigo não funciona assim, não, irmão. Eu sou um cara decidido. Se tiver que morrer abraçado, morrer agarrado com quem é leal a mim, com quem é fiel a mim, vou fazer isso. Não tem conversa de nós dois, não, tá bom? Desculpa.

OUÇA OS ANTIGOS ALIADOS NEY E CHICO; EX-PREFEITO FALA EM UNIÃO CONTRA ROSÂNGELA; NEY REFUTA

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