ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Governistas rompidos com Ney Santos (Republicanos) e os aliados do prefeito buscaram arrefecer os embates desde que Renato Oliveira (MDB) ameaçou os aliados com a acusação de “rachadinha” para não ser cassado, mas o presidente da Câmara atacou o dissidente Índio Silva (Republicanos) e criou novo mal-estar na Casa, na quarta-feira (4). Renato tentou tirar o foco do que “aprontou” no Rio de Janeiro, mas Índio lembrou a “ficha criminal” do rival.
Governistas e dissidentes se confrontam há dois meses, por manobras articuladas por Ney para salvar o “pupilo”, Renato. Convocado pelo prefeito para confrontar os novos adversários, Luiz do Depósito (MDB) voltou a hostilizar o grupo e foi repreendido. “Ficou triste quando o senhor fala que a gente está fazendo baixaria, ‘circo’. Quando apagam a luz da Câmara com vereador dentro, você não tinha que compartilhar com isso”, criticou Bobilel Castilho (PSC).
“Engraçado, quando a gente [a dupla governista] debatia [com a oposição] […] não era baixaria. Agora se torna baixaria. O senhor não está ajudando a pagar o fogo, está jogando gasolina”, frisou Bobilel. Luiz do Depósito alegou se referir aos dissidentes terem protestado nos gabinetes de Renato e Gerson Olegário (Avante). “Cada ação tem uma reação”, observou Bobilel, sobre a luz do plenário ter sido apagada. O colega acabou recuando, em apaziguamento.
No início, na votação da ata, Renato e Índio tinham tido embate duro. “O senhor se ausentou da sessão [passada] e, de forma arbitrária, voltou e finalizou sem ao menos ter se ‘logado’ no sistema. Parecia uma criança que não foi escalada para jogar e desligou as luzes, pegou a bola e levou embora”, disse Índio. “O senhor é ‘tigrão’ comigo e os vereadores, mas com a oposição é ‘tchutchuca'”, falou Renato. Depois, os dois grupos adotaram tom amistoso.
No final, porém, os dois retomaram o “round”. “Um grupo começou a se movimentar para retornar ao poder, confiando que o Ney seria cassado e eu assumiria”, disse Renato, sobre o ex-prefeito Chico Brito (PSD). “Sempre tive bom relacionamento com os colegas no último ano, mas quando se teve a esperança de assumir no lugar do Ney começaram a me atacar todo santo dia”, continuou. Mas ele foi denunciado por injúria racial, no Rio, neste ano.
Ao dizer que Índio pagou para receber um prêmio que exibiu, Renato desafiou. “Se o senhor é bom mesmo e eu sou um menino, vamos em praça pública fazer um debate ao vivo”, disse. Índio retrucou a “apelação”. “Não precisa ir em praça pública, a gente já está em debate”, disse. Renato, ao próprio estilo, buscou desqualificar a pessoa. “Já arregou, não vai”, interrompeu. “Quer debate melhor que esse? Mas no dia que o senhor quiser. Só marcar”, respondeu Índio.
Índio rebateu alegação de Renato de tentativa de golpe ao apontar que o rival não estaria sendo investigado e sujeito a cassação se não tivesse causado confusão em outro Estado. “Ninguém nunca articulou para ser prefeito, para ser presidente de Câmara. Quem foi para o Rio de Janeiro e fez merda, fez cagada foi o senhor, não foi o vereador Índio. Foi o senhor! E o senhor é o garoto-propaganda, está levando o nome do Legislativo [de Embu] para a lama”, afirmou.
Índio passou a listar Renato como autor de outros atos repugnantes e criminosos, em indicação de que o rival é um delinquente que virou político. “O senhor é o garoto-propaganda da ‘esta é a verdadeira cultura do estupro’ [fala de Renato ao agarrar coxa de uma jovem]. Quando a gente fala do Binho [Gabriel Binho, vítima de tentativa de assassinato praticada por Renato], lembra do quê?”, disparou. Renato se incomodou. “Para concluir o aparte”, falou.
“O senhor só tem coisa boa a pregar”, condenou Índio, que ainda comentou, sobre o prêmio, que o valor que pagou foi o convite ao evento. “Estou duro”, ironizou Renato. “Sei… Está gastando muito com advogado”, disse Índio. “Muito”, falou o presidente. “E vai continuar gastando”, avisou o 1º-secretário. “O que você ganha em um mês eu gasto por dia com advogado”, debochou Renato. “Parabéns, você é milionário. Eu sou pobre e moro de aluguel”, retrucou Índio.
OUÇA EMBATES ENTRE RENATO E ÍNDIO EM MEIO AO PROCESSO DE CASSAÇÃO DO CHEFE DO LEGISLATIVO






