RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
Há um ano, o prefeito Aprígio (Podemos) demonstrou descontrole ao ser questionado pelo VERBO sobre ter se recusado a participar de reunião no governo do Estado em que poderia ter discutido leitos de UTI para Taboão da Serra – com o colapso da UPA devido à covid-19 – e insultou o jornalista deste portal Adilson Oliveira com xingamento indecoroso, “filho da puta”. Ele proferiu a ofensa em plena entrevista coletiva na entrega de uma base da GCM.
No dia 10 de março de 2021, Aprígio ia se reunir com o secretário de Desenvolvimento Regional, mas saiu ao ver o ex-prefeito Fernando Fernandes (PSDB) – que trabalha na pasta – na sala. Mas ele fez um vídeo em que disse que dialogou com o secretário. Este portal noticiou que o prefeito mentiu. No dia 29 de abril, o repórter indagou: “Por que o senhor, segundo os críticos, colocou a desavença política com o ex-prefeito acima da necessidade de leitos de UTI?”.
Após dizer que tinha criado mais 30 leitos – de enfermaria, nenhum de UTI -, o prefeito passou a investir contra o repórter: “Quanto ele paga para você defender tanto eles [Fernando]?”. Surpreso com o ataque, Oliveira disse: “Nada. Zero real”. Aprígio insistiu em desqualificar: “Ah, trabalha de graça você?”. Depois, fez cobrança improcedente. “O que você falou do Fernando nestes oito anos? Me diz, o que você falou, quando o Fernando errou, onde você falou?”
O repórter solicitou que Aprígio não fugisse do assunto da pergunta, em pedido para voltar ao tema de interesse público: “Prefeito, não vamos levar para essa questão, estou falando sobre a administração”. Aprígio partiu para o xingamento: “Já que você falou que é meu inimigo, você é um filho da puta!” Em seguida, o prefeito deu as costas e foi embora. Além do insulto indecoroso, Aprígio fez uma acusação falsa, Oliveira nunca se referiu a ele como “inimigo”.
Aprígio acabou não respondendo sobre ter se recusado a falar com o secretário, com Fernando presente. No mês passado, um ano depois, ao ser criticado pelo ex-prefeito pela postura, ele admitiu pela primeira vez que se negou mesmo a participar da reunião. Ele se explicou, mas apelou a suposições, reveladoras de que pôs a “picuinha” com o rival acima da necessidade dramática dos pacientes na UPA com covid, mesmo com os internados à beira da morte.
“Quando chegamos lá, quem está na minha frente? […] Simplesmente, eu disse: ‘Esse cara não vai resolver o meu problema’. A minha impressão é que ele estava lá atrapalhando a liberação de vagas. Foi essa a minha impressão. Eu falei: ‘Com esse eu não vou sentar’”, disse Aprígio. Mas, mesmo que a suspeita fosse razoável, ele ia tratar com o secretário, e Fernando, se incumbido a alguma tarefa, teria de executar o que fosse decidido entre as partes.
Aprígio fez alegação infundada também ao dizer que o repórter nunca questionou os atos do ex-prefeito. Oliveira é conhecido por fazer reportagens críticas, inclusive sobre a gestão passada. O próprio Fernando fez o registro, em entrevista que concedeu dias depois do episódio. Avaliou que o ataque fazia parte dos atos como “cortina de fumaça” para desviar o foco de um governo mal executado. “O Adilson foi agredido verbalmente pelo prefeito”, comentou.
Fernando se dirigiu ao jornalista. “Você sempre foi um repórter questionador mesmo, e ouvi no áudio que ele fala ‘por que você não perguntou para o Fernando os oito anos?’. Mentira. Você perguntou para mim oito anos! E as suas perguntas eram sempre as mais contundentes. Alguma vez faltei com respeito com você? Eu sempre respeitei. A atitude dele não mostra certo despreparo? Essa conduta é muito mais do que desrespeitosa, é agressiva!”, reprovou.
OUÇA O TRECHO DA COLETIVA EM QUE O PREFEITO APRÍGIO FAZ OFENSA INDECOROSA A REPÓRTER DO VERBO





