Renato deixa sessão em manobra, mas, alvo de afastamento, volta desesperado

Especial para o VERBO ONLINE

Alvo de pedido de afastamento, Renato é criticado por Índio ao voltar à Câmara, discute com colegas após encerrar a sessão e come cupim com aliados | Divulgação

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

O presidente da Câmara de Embu das Artes, Renato Oliveira (MDB), suspendeu a sessão após manobra e abandonou o plenário para evitar questionamentos sobre responder por injúria racial e uso ilegal de carro oficial no Rio de Janeiro, mas voltou desesperado diante de requerimento para ser afastado do cargo, na quarta-feira (27). Com o regimento interno e departamentos desvirtuados por “golpes” de Renato, o Legislativo vive a pior fase da história.

O novo capítulo de “baixarias” dos vereadores da base do governo Ney Santos (Republicanos) para evitar, a qualquer preço, a cassação de Renato por quebra de decoro – gestadas pelo prefeito nos bastidores e com o “pupilo” à frente – começou com o pedido de Gilson Oliveira (Republicanos) para inverter a pauta, votar primeiro os projetos e outras matérias e deixar as discussões sobre os problemas da cidade e as questões da Casa para a segunda parte da sessão.

Depois, Luiz do Depósito (MDB) – que reassumiu como vereador na semana passada “convocado” por Ney para compor a “tropa de choque” e atuar pela “impunidade” no caso Renato – entrou em cena. Quando ia começar o pequeno expediente, ele se apressou em pedir a suspensão da sessão para os vereadores receberem moradores que “levou” à Câmara para discutir sobre enchentes no Jardim Júlia. Renato não escondeu a satisfação. “Maravilha”, disse.

Foi uma “cortina de fumaça” para os governistas se evadirem. O dissidente Bobilel Castilho (PSC) expôs o “plano” ao citar o tempo pedido por Luiz do Depósito para a reunião. “Isso é para esfriar os discursos dentro da Casa. Não dá para a gente atender a demanda do pessoal em cinco minutos. E cadê o secretário de Obras, que não está aqui? Cadê o secretário de Planejamento, que não está aqui? Vão só ouvir vereador passar mel na boca de vocês”, afirmou.

Renato, ardiloso, usou a “deixa” e disse que ia suspender a sessão por 30 minutos. Os dissidentes reclamaram. Alexandre Campos (PTB) falou para evidenciar o “jogo de cena” dos governistas, entre eles Sander Castro (Podemos). “O mais certo seria ter recebido os moradores antes da sessão”, disse. Índio Silva (Republicanos) reforçou. “Se fizeram a inversão de pauta, por que não atenderam vocês antes? Viram que já tinha vereador levantando?”, alertou.

Renato suspendeu a sessão e puxou o cordão dos aliados para abandonar o plenário – ele chegou a despistar os dissidentes e os moradores ao dizer que ia chamar secretários citados para acompanhar a reunião, após pedido de Bobilel, que tinha feito a sugestão para expor a verdadeira intenção dos governistas. “Os vereadores estão indo embora”, acusou Gideon Santos (Republicanos). “Falta de respeito”, protestaram Índio e Adalto Batista (PSDB).

Na volta da sessão, o vice-presidente Gerson Olegário (Avante) – um dos mais atuantes para livrar Renato da cassação, condescendente com racismo – assumiu a condução dos trabalhos. Índio questionou o motivo da ausência de Renato. Após cochicho do diretor-jurídico Francisco de Souza (cargo do presidente), Gerson disse que não tinha que justificar. “Gostaria que os vereadores estivessem presentes. A inversão de pauta era para isso”, criticou Índio.

Abidan Henrique (PSB), da oposição, deu um “xeque-mate” na base de Ney. Ao compor com os dissidentes maioria no plenário, contra apenas Betinho (PSD) presente, ele fez requerimento para destituir Renato da presidência. Gerson, surpreendido, disse que só cabia na ordem do dia e depois só com quórum de 2/3, orientado pelo jurídico. “Dr., estamos discutindo o regimento, não o que o senhor manda. E estamos com 12 ‘logados’ [presentes]”, rebateu Índio.

Desesperado, Gerson só repetia “indeferido” ao requerimento. “Eu queria que o senhor lesse onde não pode”, cobrou Bobilel. Gerson quis paralisar a sessão sob pretexto de chamar a procuradora da Casa – ele teria recebido mensagem de Ney para “segurar” e não pôr para votar. “É manobra para chamar os vereadores”, alertou Bobilel. “O senhor não tem escapatória. Vocês não foram espertos, não saíram da sessão? Ponha para votar agora!”, exigiu Abidan.

Índio também pressionou. “Quem saiu da sessão foram eles, coloque para votar. Até porque o senhor não vota, por que está com medo?”, disse. Gerson ameaçou sair. “Não corre, presidente”, advertiu o colega. Campos foi incisivo. “Toma vergonha na cara, Gerson. Se não colocar para votar, vou abrir representação contra o senhor”, avisou. Índio voltou à carga. “Não seja covarde. ‘Judas’ o senhor já foi”, disparou, sobre a “traição” de Gerson aos dissidentes.

Renato voltou ao plenário às pressas, rejeitou o requerimento e encerrou a sessão, irregularmente – não estava com a presença registrada (“logado”). Ele saiu batendo boca com os colegas. Depois, ele postou um vídeo “filando uma boia” no gabinete com Betinho e Abel Arantes (PL). “Um dia intenso de trabalho. Ainda temos mais reunião – olha, cupinzinho”, falou. “Olha o final”, disse Índio ao VERBO sobre o “desfecho” da sessão, apontando escárnio de Renato.

VEJA VÍDEO EM QUE RENATO COME CUPIM APÓS DEIXAR SESSÃO E VOLTAR PARA ENCERRAR ARBITRARIAMENTE

Vídeo – Divulgação

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