De gesto ‘polêmico’, ex-vereadora Rita de Cássia morre aos 58 anos de câncer

Especial para o VERBO ONLINE

Rita de Cássia (PSDB), que foi vereadora de Taboão de 2017-2020 e se notabilizou pela defesa da gestão Fernando, com 'banana' a opositores | Leandro Barreira/CMTS

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

A ex-vereadora de Taboão da Serra Rita de Cássia morreu neste domingo (24) aos 58 anos, de câncer no esôfago. Fumante, estava no Instituto do Câncer, em São Paulo, após dias internada no Hospital Geral do Pirajuçara. Líder comunitária no Parque Marabá, com atuação na saúde, ela foi eleita para a Câmara de 2017-2020. Rita se notabilizou por defender o governo Fernando Fernandes (PSDB) e fazer gesto “polêmico” contra opositores do então prefeito.

Vitoriosa com 2.138 votos (13ª e última eleita) no PSDB, Rita da Saúde, como passou a ser chamada, integrou a base aliada de Fernando como “fiel escudeira”, a ponto de ganhar elogios em público, como na inauguração de ginásio no Parque Monte Alegre, em 2018, quando o prefeito discursou que “a Rita fala que me ama”, ao anunciar os vereadores “leais”. Fernando enfrentava rebelião de cinco governistas dissidentes, entre eles Eduardo Nóbrega, então PSDB.

Contra o “BIH” (Bloco Independente e Harmônico) – formado ainda por Érica Franquini, Carlinhos do Leme, ambos do PSDB, André Egydio, então tucano, e Alex Bodinho, no antigo PPS -, semanas depois, Rita subiu à tribuna em sessão para expor a incoerência dos cinco governistas que tinham virado oposição ao dizer que antes passavam o mandato “elogiando nosso prefeito, nossa educação, nossa saúde” e diziam que “tudo funcionava, tudo era maravilhoso”.

Rita sugeriu que os apoiadores dos cinco eram “massa de manobra”. “Essa briga não é de vocês, não abracem isso. Isso [disputa eleitoral] é uma coisa passageira. Isso aí é chato, hein? ‘Passou, acabou. Não vamos magoar ninguém’. [Mas] Já deixou feridas, deixou mágoas profundas. Depois, a volta é triste, é ruim, hein?”, disse. Ela fez fala de confronto ao anunciar que era a nova líder do prefeito na Câmara, no lugar de Nóbrega. “Eu me sinto honrada”, disse.

Na sessão seguinte, em 2 de outubro de 2018, Rita deu mostra explícita de fidelidade ao prefeito, mas controversa. Ela foi até próximo à galeria onde apoiadores de Nóbrega gritavam pela aprovação de CPI da saúde, ironizou ao mandar beijos e erguer os punhos e bateu um braço no outro, deu uma “banana” ao grupo. Ela reagiu ao “jogo de cena” dos dissidentes, que não pediram abertura de nenhuma CPI e meses depois voltaram à base de Fernando.

Rita fez, porém, ato que teria custado caro. Em 2020, na disputa à reeleição, ela teve apenas dez votos a mais que quatro anos atrás – 2.148 – e não conseguiu novo mandato, ao ser apenas a 17ª mais votada. No fim daquele ano, fora da Câmara e com a eleição de Aprígio (Podemos), Rita não seguiu a base de Fernando e votou no orçamento conforme a vontade do novo prefeito, em sinalização de interesse em compor o novo grupo político no Executivo.

No início de janeiro de 2021, um vídeo postado por Aprígio mostrou, de passagem, Rita na recepção da prefeitura, em indicação de tratativa para compor o governo, o que deixou “aprigianos” irritados por ser identificada com a gestão Fernando. A ex-vereadora acabou não integrando a administração. Em fevereiro, após projeto de lei de Aprígio que cancelou emendas impositivas aprovadas em 2020, entre elas as que apresentou, Rita fez críticas ao prefeito.

Lideranças políticas lamentaram a morte de Rita, como Arlete Silva, que quando vereadora teve a “amiga” como assessora entre 1998 e 2004. “A Rita era o meu braço-direito, era de frequentar minha casa. Junto comigo fez um trabalho excelente. Ela trabalhou muito, se doou pela população, tinha um carinho muito grande pelas pessoas. Na semana que fiquei sabendo que estava ruim, eu a visitei. Ela deixa um legado na cidade”, disse Arlete ao VERBO.

O presidente da Câmara de Vereadores, Carlinhos do Leme (PSDB), divulgou nota em que diz que Rita, “liderança política histórica da região do Parque Marabá”, teve “um destacado trabalho no Legislativo taboanense”. “Infelizmente nossa guerreira Rita de Cássia Ferreira da Silva partiu ontem às 19h28. Lutou muitas semanas fortemente”, disse a família. Rita será velada na Câmara, e sepultada no Cemitério da Saudade, às 16h. Ela deixa marido e dois filhos.

comentários

>