ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Após ser “enquadrado” pelos governistas dissidentes e sofrer derrota “vexatória” ao fracassar na manobra para “salvar” o vereador Renato Oliveira (MDB) da cassação, o prefeito Ney Santos (Republicanos) chamou o secretário Luiz do Depósito para voltar à vereança na Câmara, para tentar aplacar a fúria dos ex-aliados e impedir que o “pupilo” perca o mandato. Luiz foi reeleito vereador em 2020, mas estava licenciado, acomodado na pasta de Esporte.
Em estratégia traçada por Ney, o presidente Renato – com os “submissos” governistas, Gerson Olegário (Avante) e Betinho Souza (PSD) à frente – tentou na sessão na quarta-feira (13) dissolver a Comissão de Ética para enterrar a investigação de que é alvo, por quebra de decoro – responde por injúria racial e por passear de carro oficial no Rio. Ele foi derrotado após ter o golpe “escancarado” por Bobilel Castilho (PSC), Índio Silva e Gideon Santos (Republicanos).
Com Ney por trás, Renato tentou impor governistas na comissão, no lugar dos atuais membros apenas por hoje serem dissidentes e defenderem que seja investigado – os integrantes foram eleitos há 16 meses, mas agora Ney quis “virar a mesa”, pelo “protegido” estar na berlinda. Em troca de mais “benesses” (cargos), Betinho aceitou ser “testa-de-ferro” da tentativa de “golpe” e apresentou o requerimento para dissolver a comissão, mas 10 vereadores rejeitaram.
Nesta quinta-feira (13), apenas um dia depois do revés na Câmara e mesmo ao dizer que Luiz “revolucionou o esporte da nossa cidade”, Ney anunciou a volta do aliado para o mandato, em indicação de “desespero”. “Fizemos o convite para que ele volte para a Câmara Municipal – Luiz foi cinco vezes eleito vereador – e seja o nosso líder do governo. Com sua experiência, nos ajude ainda mais a fazer o que tem que ser feito por Embu”, disse, ao disfarçar o motivo.
Luiz do Depósito (MDB) só tinha participado da posse, em 1º de janeiro de 2021. Na sessão, ele já pediu para se licenciar para integrar o governo Ney. Ele assumiu a Secretaria de Esporte para abrir vaga para o primeiro suplente do partido, Lucio Costa, na Câmara. A “jogada” já era certa, conforme “estratégia” confessada pelo vice-prefeito eleito Hugo Prado, do mesmo partido, conforme revelou o VERBO no dia da eleição, em 15 de novembro de 2020.
Ao tentar aliciar um candidato a vereador da oposição, nove meses antes, em março, Hugo foi explícito sobre o plano, ao criticar os então secretários. “Para mim, o governo – vou falar do nosso – tem acertos e tem erros. Para mim, os nossos acertos são maiores que os nossos erros, mas erramos. Um dos erros que cometemos foi: não politizamos o governo. Muitos dos nossos secretários [fala baixo] não são secetários políticos, que têm aquela pegada”, disse.
“Traçamos a estratégia de montar sete [partidos]. Dentro dessa conta, a gente está trabalhando para fazer 15, 16 e, se Deus abençoar, fazer as 17 cadeiras. Mas, mais do que isso, dos sete partidos, a gente quer pelo menos [passa a falar baixo de novo] trazer sete vereadores eleitos para assumir secretaria. Além de ampliar a probabilidade para quem vai disputar a eleição – mais um suplente vai ter mandato -, consigo politizar o governo”, revelou Hugo.
Ou seja, Ney escolheu secretários por critério puramente político, em “acordão”, e não por capacidade técnica, em prejuízo aos serviços públicos para a população. Luiz aceitou ir para o governo para atender o plano de Ney, colocar o novato aliado Lucio na Câmara. Lucinho, como conhecido, foi o 17º mais votado, o número de cadeiras do Legislativo embuense, mas não se elegeu devido ao coeficiente eleitoral. Com o “acordão”, porém, assumiu a vaga de Luiz.
Em 2019, Lucinho usou a estrutura da Câmara, com anuência do então presidente Hugo, para fazer material para a candidatura a vereador. Ney não viu o aliado fazer nada de errado, apesar da irregularidade. Agora, Lucinho foi um dos 10 vereadores que votaram contra o requerimento. Caiu em “desgraça”. Visto como “traidor”, ele foi “expurgado” da Câmara por Ney, que – acuado – uniu o “útil ao agradável” para convocar Luiz para tentar livrar Renato da “degola”.
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