ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Uma representação protocolada na Câmara de Embu das Artes pede a investigação da prática de apropriação ilícita de salário de funcionários por parte de vereadores, a chamada “rachadinha”, a partir da declaração do próprio presidente do Legislativo, Renato Oliveira (MDB). No último dia 3, Renato procurou afastar o risco de ser cassado por injúria racial e pelo uso de carro ofical em férias no Rio de Janeiro (peculato) com ameaça aos parlamentares.
Alvo de pedido de perda do mandato por quebra de decoro, Renato buscou intimidar os colegas, mesmo 16 sendo governistas. “Vereadores, eu poderia me movimentar e entender a necessidade de transferências bancárias de mesmos valores de assessores para outras pessoas, sistematicamente, todos os meses. Eu poderia despachar com o diretor do Coaf [órgão de controle de transações financeiras] para que pudesse investigar. Nada disso eu farei”, disse.
A representação foi apresentada à Câmara, no dia 8, pelo morador João Caetano da Paixão. “Claramente, apesar [da] imbecil estratégia de se defender da atroz acusação de racismo e escapar de processo de cassação do mandato por quebra do decoro, o nobre vereador deu a entender que seus pares adotam ‘rachadinha’ de salários de seus indicados, prática criminosa conhecida no meio político, sobretudo, no âmbito do Poder Legislativo”, diz Paixão.
O autor requer que a Câmara Municipal, diante da “gravíssima denúncia apresentada pelo nobre vereador delator, sr. Renato Oliveira”, preste “as informações, instruídas com documentos pertinentes, relacionadas a eventual instauração de processo administrativo ou sindicância, a fim de apurar os fortes indícios da existência, neste parlamento, da prática [de] ‘rachadinha’ de vencimentos de assessores parlamentares com vereadores ou terceiros”.
“O presente requerimento tem por finalidade instruir ação judicial para apurar estes lamentáveis fatos denunciados pelo nobre vereador, sr. Renato Oliveira”, enfatiza Paixão. O morador aponta que o ato ilícito não seria novidade na Câmara de Embu, ao lembrar que o VERBO revelou que a “rachadinha” era praticada, quando vereador, por Doda Pinheiro (Republicanos), “declarado pela Justiça Eleitoral inelegível por 8 anos, por ineficiência administrativa”.
A “ameaça” de Renato melindrou o vereador Bobilel Castilho (PSC). “Presidente, foi uma fala muito irresponsável do senhor, de falar que aqui nesta Casa vereador faz ‘rachadinha’. Eu quero dar uma resposta à população, a quem está me perguntando: eu não participo de ‘rachadinha’, e espero que nesta Casa seja aberto um inquérito para investigar quem faça, eu não quero ficar em xeque nem ser covarde de andar com a cabeça abaixada na cidade”, discursou.
“Eu não vou aceitar que aqui nesta Casa fale que tem rachadinha e generalize todos os vereadores. Agora, se a carapuça servir para algum, ele pegue e use. Mas para o vereador Bobilel aqui não serve, e vou rebater sempre. Que chegue em qualquer assessor meu e pergunte se acha qualquer depósito na minha conta. Eu não faço isso, isso está me fazendo mal. Você tem que ser responsável no que fala, se quer falar, fale quem é, não genalize”, reagiu Bobilel.
Evasivo, Renato disse que “se a carapuça servir para quem faz algo de errado é só colocar na cabeça”. “O senhor tem que fazer a denúncia. Não inverte as coisas”, retrucou Bobilel. Renato falou que denunciará “se achar conveniente”. “Não jogue palavras ao vento”, disse Bobilel. Renato alegou que “direcionei [acusação] ao vereador Abidan”, mas não denunciou – prevaricou. Abidan Henrique (PDT) disse que Renato, sob risco de perder o mandato, quis desviar o foco.
VEJA REPRESENTAÇÃO QUE COBRA APURAÇÃO DA DENÚNCIA DE RENATO DE ‘RACHADINHA’ NA CÂMARA
OUÇA VEREADOR RENATO APONTAR QUE VEREADORES DE EMBU DAS ARTES PRATICAM ‘RACHADINHA’
OUÇA VEREADOR BOBILEL REBATER ‘PALAVRAS AO VENTO’ DE RENATO E O CHAMAR DE ‘IRRESPONSÁVEL’





