Após reação de usuários, Aprígio recua e recoloca enfermeira na UBS Margaridas

Especial para o VERBO ONLINE

Aprígio (dir.) e Sandro; prefeito recoloca enfermeira na UBS Margaridas em recuo após perseguir servidora por 'influência' de vereador, dizem usuários | Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Após pressão de usuários da UBS Margaridas, o governo Aprígio (Podemos) voltou atrás na “perseguição” e recolocou a enfermeira Lúcia Fernanda Martins na unidade básica de saúde da região do São Judas. Como revelou o VERBO desde dezembro, após abrir sindicância contra Lúcia com acusações falsas ou forjadas, a gestão havia transferido a servidora para outra UBS mesmo após a apuração que instaurou arquivar o processo e inocentar a profissional.

Lúcia tinha sofrido pedido de transferência por parte da então diretora da UBS Thaís de Lima Santos acusada de “retirar” insumos indevidamente, falsificar assinaturas de médicos e insuflar usuários contra a direção. Thaís, “cargo” do vereador Sandro Ayres (PTB), fez a solicitação após o político falar que a servidora ia ser retirada da UBS por furto. Não partidária, Lúcia teria virado alvo de Sandro após não aceitar apoiar e “estar a serviço” do vereador na UBS.

Em 14 de dezembro, o governo abriu apuração e suspendeu Lúcia por 60 dias. A comunidade, que só tem elogios ao trabalho da servidora, revoltou-se e levou à prefeitura abaixo-assinado com cerca de 1.200 assinaturas, fora o “virtual”, no total de quase 2 mil adesões contra a saída de Lúcia. No último dia 14, a sindicância terminou e inocentou Lúcia das acusações. Mesmo assim, ela, de volta ao trabalho, foi mandada, no dia seguinte (15), para a UBS Salete.

“Estou sem chão agora. Muita injustiça”, disse Lúcia a este portal, que revelou a nova represália do governo contra a enfermeira. “A Lúcia para mim e para a população é uma excelente profissional”, disse uma usuária, em troca de mensagens com outros moradores. “Alguns relatos. E repercutiu a reportagem, está em vários ‘status’ e com depoimento de apoio e principalmente indignação”, falou uma colega de trabalho da servidora este jornal online.

Na quinta-feira (24), a usuária que tinha protestado contra a transferência de Lúcia mesmo após ser inocentada na sindicância (“governo de merda”) procurou este portal para dar a boa notícia. “A enfermeira Lúcia voltará para a UBS Margaridas hoje. […] Obrigada por todas as publicações”, disse. Lúcia falou com a reportagem nesta sexta-feira (25) e expressou felicidade ao dizer onde estava trabalhando. “[UBS] Margaridas”, escreveu, com “emojis” de coração.

Um líder político da região avaliou que a justiça foi feita e alfinetou o governo Aprígio. “Começaram a ter juízo”, disse. Em admissão de culpa, a gestão tornou a volta de Lúcia à UBS “cheia de destaque”. Inusitadamente, Sandro foi “apresentar” a enfermeira na UBS junto com o secretário José Alberto Tarifa (Saúde) – Lúcia estava na unidade desde 2013. Ele alegou que foi enganado pela antiga diretora – que tinha indicado para o cargo – e se disse “vítima”.

Porém, segundo levantou a reportagem, as duas funcionárias que fizeram acusações contra Lúcia foram colocadas para trabalhar na UBS por Sandro – “primeiro espalharam as suspeitas e depois foram ver se eram verdade”, disse uma servidora. Ainda conforme apuração, ele alegou que também foi ludibriado pelas comissionadas, que por falta de conhecimento técnico cometeu “um erro”. Na UBS, o vereador não convenceu e foi considerado “pueril” (infantil).

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