ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
O governo Ney Santos (Republicanos) deixa de entregar insumos básicos (como luvas) para crianças com deficiência, quanto mais a adultos, e faz os pais ficarem “doentes” de tanta angústia pela espera do fornecimento, em recorrente “descaso” na saúde de Embu das Artes, apontam as famílias. A moradora Vanessa Reis, mãe da Julya, procurou o VERBO nesta quarta-feira (23) para relatar o desespero e o “desrespeito” com a situação da filha de 12 anos.
A Secretaria Municipal da Saúde forneceu em junho quantidade de insumos até dezembro para Julya, mas em janeiro já não entregou e neste mês mandou menos que a metade da necessidade da menina, que tem deficiência severa. “Mesmo a Julya sendo uma criança traqueostomizada, que utiliza ventilação mecânica, eles não me mandaram uma sonda de aspirar. Se eu não aspirar a Julya ou aspirar sem luva, ela pode ter complicação e ir a óbito”, disse Vanessa.
A secretaria não privou a criança de só um item. “Além de traqueostomia, a Julya também tem gastrotomia. Não veio gaze. O Sads [Serviço de Atendimento Domiciliar] que veio aqui trazer um pouquinho de gaze, quando trouxe as fraldas. Eu questionei: ‘E as luvas?’ [Disseram]: ‘Ah, não tem. Falaram que vão comprar, vai chegar. Nesse ‘vai chegar, vai chegar’, já estamos no fim do mês. Eles não estão nem aí para a gente. Estou de saco cheio”, disse a mãe.
A mãe cobrou o governo e ouviu uma afronta. “Liguei na secretaria. Eles falam: ‘Vai chegar. Vai se virando’. Não é assim. E não é só comigo. Tenho um grupo [em rede social] de mães especiais. Se não é a gente para uma ajudar a outra, o município não dá suporte”, enfatizou Vanessa. Ela mandou mensagem à secretária Thais Miana (Saúde). “Não me deu resposta nenhuma. Entrei em contato com o Ministério Público, que já acionou a prefeitura”, contou.
Vanessa reforçou que a gestão desampara vários outros moradores com deficiência. “Se precisar de mais relatos de pessoas que não têm insumos, eu tenho como provar, tem muitas pessoas no meu grupo que não estão recebendo nada! A Julya ainda teve sorte de estar recebendo picado, tem gente quem isso recebeu. Sonda e luva é uma coisa primordial que não pode ficar sem. Não pode!”, comentou ela, que luta pelo direito à saúde da filha e outras crianças.
A mãe de Julya encaminhou a reclamação de outro morador – que é cadeirante -, diretamente à secretária Thais. “Eu me chamo Clayton, sou paciente da UBS São Marcos. Gostaria de saber o que está acontecendo com os nossos insumos. No meu caso uso sonda de alívio, coletor, ‘Uripen’ [contra incontinência urinária]. E [estão faltando] tantas outras coisas como luva, gazes, fralda etc. Éramos para estar recebendo desde janeiro e até agora nada”, relatou.
Vanessa protestou em grupo de WhatsApp – de nome que não poderia ser mais feliz pelo sofrimento dos moradores, “SOS Saúde Embu das Artes”. Ela cobrou Thais. “Sou mãe da Julya, uma criança acamada de alta complexidade, traqueostomizada e que utiliza ventilação mecânica. Gostaria de saber quando irão mandar o restante dos insumos. […] Quero saber se minha filha tiver alguma intercorrência se a secretaria irá se responsabilizar!”, questionou.
“Como vou aspirar a minha filha sem as luvas! Corre grande risco de contaminação! Não tenho retorno nenhum!!! Por favor, olhem melhor nossas crianças especiais do município que mais uma vez estamos passando por este descaso. Sinceramente, estou cansada de tanto descaso!”, escreveu Vanessa. Ela agradeceu uma pessoa que ofereceu ajuda. “Mas não irei deixar de cobrar também a secretaria que está deixando nossas crianças sem suporte”, comentou.
Vanessa insistiu na cobrança diante da omissão. “De qualquer forma, aguardo alguém da secretaria entrar em contato. Isso é sério!!! Risco de morte!!!!! Irão esperar algo acontecer pra depois me contactarem [?]”, falou, indignada. À reportagem, ela disse que a gestão deixa os pais enfermos. “Eu estou doente. Tendo todas as coisas da Julya, fico bem. Não tendo, já me estressa, eu estou tomando remédio, e eles não têm cuidado nem com a gente”, declarou.
De tanto a mãe da Julya reclamar, a secretária respondeu, mas só três horas e meia após ser contatada. “O motorista vai entregar hoje na sua residência”, falou. “Agradeço, porém o que mais me intriga é que se eu não tivesse exposto esta situação quando iria receber?? Trágico isso. Por favor, olhem com outros olhos nossos especiais. Além da minha filha, tem várias crianças que estão sem insumos também”, disse Vanessa, preocupada com outros moradores.
Cerca de meia hora depois, a secretaria entregou, mas ainda o insumo inapropriado. “A senhora pode me sinalizar se posso aspirar a traqueostomia da minha filha com luva de procedimento, que foi o que mandaram. Sempre fui orientada a aspirar com sonda e luva estéril”, questionou Vanessa ao voltar a falar com Thais, que não é da área da saúde. “O rapaz [funcionário] falou que não tem nenhuma luva estéril lá [na secretaria]”, disse a mãe a este portal.
“Ela [Thais] não fez nem o favor de me responder”, contou ainda Vanessa. Só duas horas depois, a secretaria entregou o insumo certo. “Espero que todos aqueles que não tenham recebido receberam também. Só quem é mãe especial sabe o quanto é angustiante ver faltar o que é necessário para a sobrevivência de um filho”, cobrou a moradora. Questionados pelo VERBO sobre a regularização da entrega dos insumos, Ney e Thais ficaram em silêncio.
OUÇA VANESSA DENUNCIAR AO VERBO A FALTA DE INSUMOS PARA AS CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA EM EMBU





