ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Um funcionário do condomínio no Rio de Janeiro em que Renato Oliveira (MDB) estava no fim de semana relatou que foi insultado pelo vereador com ofensa racista. Segundo o homem, após dar “carteirada” ao dizer “você não sabe quem eu sou”, Renato disse à vítima “eu não falo com negro, negro para mim fede”. O presidente da Câmara de Embu das Artes foi detido no residencial em Jacarepaguá (zona oeste) quando estava na piscina, no último domingo (23).
O relato foi feito ao “Cidade Alerta Rio” (Record TV). Segundo o telejornal, Renato alugou um apartamento para uma pequena temporada, mas desde que chegou ao residencial, no fim de semana, desrespeitou os moradores com palavrões e xingamentos. “Ele bateu boca com um senhor de 65 anos de idade […]. A gente avisou para parar com aquilo, aqui é um condomínio de família, não tem esse tipo de atitude aqui”, disse o morador Rafael Sims.
Como a todo instante Renato agiu com deboche e afronta, os moradores fizeram uma reclamação aos funcionários do condomínio. “A supervisão foi chamada. Conversou para amenizar a situação, em nenhum momento pedimos para ele sair da piscina. […] Mas aqui tem regras e normas, e ele não estava cumprindo nenhuma delas. Como a piscina estava cheia com crianças e idosos, ele estava se excedendo demais”, disse a supervisora Fabiana Alexina.
Como Renato – que inicialmente se apresentou como influenciador digital famoso – continuou a provocar os moradores, a polícia foi chamada pela primeira vez. Porém, a calma durou pouco tempo. Outro funcionário procurou resolver o problema, Izac Gomes. “Como a minha função é pacificar, eu cheguei amigavelmente a ele, dei ‘bom dia’, e pedi que parasse com aquela ironia, que poderia ter uma confusão”, disse o supervisor operacional do condomínio.
Renato resolveu apelar e tentou se impor pela condição de político. “A resposta dele para mim foi: ‘Você não sabe quem eu sou’. Eu respondi para ele: ‘Não me interessa quem você é, aqui tem norma para todos”, disse Izac, que trabalha há quase quatro anos no condomínio. Em vídeo que registra a confusão que protagonizou, Renato evocou ser presidente da Câmara de Embu. “Eu sou presidente”, diz uma testemunha ao repetir a fala do vereador.
Em nova conversa, Renato fez a odiosa ofensa racista, segundo o funcionário. “No outro lado da piscina já tinha outra confusão formada. Novamente eu voltei e chamei ele e pedi: ‘Cara, para com isso, vai ter confusão aqui na piscina, você tem que saber respeitar as pessoas’. [Ele:] ‘Eu não falo com negro, negro pra mim fede'”, disse Izac. A PM foi acionada pela segunda vez. Como Renato se recusou a sair, um policial entrou na água para prender o político.
Ainda assim, Renato resistiu a deixar a piscina. O vereador foi retirado, mas mesmo seguro por outros homens insistiu e voltou para a água. Apenas após várias tentativas, sob aplausos dos moradores, ele foi algemado, retirado do condomínio e levado para a delegacia da Taquara (32º DP). Izac disse que ainda foi ameaçado por Renato. “Por quatro ou cinco vezes, ele me ameaçou. Ele olhava para mim e falava: ‘Você não sabe quem eu sou'”, disse.
Renato foi liberado após prestar depoimento, mas vai responder pelos crimes de injúria racial e resistência à prisão. Ele nega ter sido racista, inclusive alega que não falou com Izac. Mas a versão é contestada pelos moradores. “É revoltante, eu voltei lá trás, [ao tempo] do apartheid, onde a minoria branca se achava no direito de fazer o que queria. Aqui ele se achou no direito de fazer o que queria, tanto que me chamou de negro e fedorento”, falou Izac.
O caso ganhou grande repercussão e foi notícia nos principais sites e telejornais do país, inclusive em rede nacional. A população de Embu das Artes está perplexa e constrangida pelo vereador ter manchado o nome da cidade com ofensa de afronta à dignidade humana. Nas redes sociais, moradores estão convocando um “ato contra o racismo”, em repúdio a Renato, no dia 2 de fevereiro, às 10h, na Câmara, na volta da sessão após o recesso parlamentar.
Renato é conhecido por ser agressivo. No caso mais grave entre as várias confusões que protagonizou, em 2017, ele jogou o carro contra o chargista e repórter Gabriel Binho, então colaborador do VERBO, e o derrubou da moto na rodovia Régis Bittencourt durante a madrugada. Réu confesso, ele mentiu e forjou “álibis”, mas foi denunciado pelo Ministério Público por tentativa de homicídio triplamente qualidado. Ele vai a júri popular, ainda sem data marcada.
VEJA REPORTAGEM EM QUE FUNCIONÁRIO DIZ QUE FOI VÍTIMA DE RACISMO COMETIDO POR RENATO OLIVEIRA





