ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Além de recorrer ao ato “imoral” de empregar parentes (nepotismo) na Câmara e na Prefeitura de Embu das Artes, o ex-vereador Doda Pinheiro (Republicanos) enriqueceu na política ao embolsar “rachadinha” dos salários dos próprios familiares, conforme revela um ex-assessor que foi o homem de confiança do político por quase dez anos – mais versado na “pilantragem”, na definição do então aliado, e ganancioso, ele não poupou nem “os de casa”.
No mês passado, o VERBO revelou que Doda fez fortuna nas gestões Chico Brito (2013-2016) e Ney Santos (2016-2020). Ao exigir parte do salário de cada vez mais apoiadores e cifras maiores, ele pegou montante que soma, por baixo, R$ 3 milhões. À Justiça Eleitoral, ele declarou patrimônio quatro vezes maior em apenas quatro anos, de R$ 262 mil (2016) para R$ 996.784,19 (2020), mas, segundo a testemunha, muito aquém ainda do que embolsou.
O ex-assessor relatou a “rachadinha” de Doda a este portal em outubro de 2019, portanto, acusou as “investidas” do político até aquela época. Doda, que foi vereador de 2013 a 2020, tinha nos primeiros anos de mandato, oficialmente, quatro cargos na Câmara, chefe-de-gabinete, assessor III, II e I. Segundo o ex-correligionário, entre os parentes que empregou no Poder Legislativo, ele nomeou uma sobrinha no cargo com segundo maior salário.
No entanto, nem a parente de Doda suportou ficar, com a “mixaria” com que ficava, segundo o ex-assessor, que calculava que o político embolsava pelo menos R$ 5 mil livre. “A Natália, ele colocou. Só que a Natália já desistiu, já ‘saiu’ fora. Sobrinha dele também. Ela ganhava 6 mil [reais] e pouco. Ficava com R$ 1.200 e dava o resto para ele. Aí ela não aguentou. Ele não cede”, contou, ao observar a avidez do então vereador em faturar cada vez mais alto.
O ex-homem de confiança de Doda citou “sobrinha dele também” por não ter sido só uma que o então vereador emplacou para “rachar” salário. A exemplo de um cabo eleitoral que indicou como diretor da UBS Nossa Senhora de Fátima, ele pôs outra jovem com mesmo grau de parentesco. “A sobrinha dele trabalha no posto de saúde do Fátima, o nome dela é Milena, tem um cargo de mesma coisa, de R$ 8 mil, R$ 6.400 [líquido]”, disse, à época.
A parente ficava, porém, com um valor ainda menor, segundo o ex-assessor. “Ela fica com mil reais”, afirmou. “Malandro”, Doda deixava a moça com “quase nada” por arrumar também uma “boquinha” para o marido da jovem, que seria o sobrinho “de sangue”, filho de uma irmã. Aliado de Ney, o vereador logo o empregou na frente de trabalho, com ganho também de R$ 1.000, e não “rachava”. “Mas ele já pega R$ 5.400, cara!”, apontou.
Mesmo assim, a jovem não estaria nada contente com a situação. “É sobrinha e sempre está reclamando. […] [Ela fala:] ‘Não é justo ele pegar todo esse dinheiro'”, contou o ex-assessor. “Como eu falei [sobre o apoiador nomeado diretor da UBS], a pessoa aceita [‘rachar’] por necessidade, mas em alguns já dá um ‘estalo’ [se arrepende] logo, vendo um monte de dinheiro indo para a mão de outra pessoa, depois de trabalhar o mês inteiro”, explicou.
“Queira ou não, o ser humano tem ambição, no começo [pensa] ‘estou ganhando mil [reais], vou ganhar [depois] 2 mil’. Mas vê que está saindo [indo para a mão do vereador] uma quantidade [de dinheiro] que poderia mudar e auxiliar muito a vida da pessoa, né? Porque, [de] R$ 6.400, você [o funcionário] ficar com mil? É um absurdo”, completou. Segundo ele, àquela altura, a parente de Doda estava na UBS, “rachando” o salário, há poucos meses.
Em consequência do loteamento do governo Ney com “apadrinhados”, marcado por conflitos, o casal tinha trocado de cargo, remanejado por Doda após confusão – ele que era comissionado, na escola no Jardim Nossa Senhora de Fátima (curral eleitoral do então vereador), e a mulher, bolsista. “Ela estava na frente de trabalho, [mas] o marido mandou a diretora do Reinaldo tomar no cu, teve que sair e foi para o lugar dela”, revelou ainda o ex-assessor.
Além de disputar a eleição impugnado, por ter as duas contas como presidente da Câmara rejeitadas ao criar “cabide de empregos” de aliados sem concurso público, Doda teve só 1.168 votos e saiu das urnas derrotado. No ano passado, quando noticiou que o vereador praticava “rachadinha”, mas ainda sem as revelações públicas do ex-assessor, este portal foi hostilizado por uma das irmãs de Doda. “kkkkkk. Vou ignorar”, debochou Luiza Coutinho.





