ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
O Pronto-Socorro Infantil de Taboão da Serra registra superlotação, mas está abarrotado por atender pacientes de outras cidades, sobretudo de Embu das Artes. Com a gestão do prefeito Ney Santos (Republicanos) marcada por falta de médicos, mortes por negligência e corrupção – alvo da Polícia Federal -, os embuenses têm buscado o serviço vizinho. Mas vereadores de Taboão escondem a demanda que impacta o PSI por serem aliados de Ney.
Na segunda-feira retrasada (13), com o PSI como um “formigueiro de gente” em mais um dia de sufoco, inclusive com os pais com os filhos na porta e do lado de fora, o diretor-clínico da unidade explicou a um familiar de uma criança que era atendida que o equipamento tem atendido “muito mais” pacientes de fora do que de Taboão, notadamente do município vizinho. “Tem horário, à noite principalmente, que só tem paciente de Embu”, disse.
Para procurar justificar a demora de atendimento de pelo menos nove horas, o diretor disse que, conforme o SUS, um serviço médico é projetado para atender a população de crianças (de até 12 anos) do município, e não de outras cidades, ainda mais um número excessivo. Segundo o responsável, se ainda 60% dos pacientes atendidos pelo PSI fossem de Taboão, a unidade “daria conta, e não ia ficar esse inferno de espera, de fila”, descreveu.
O médico indicou que o que tem ocorrido, porém, é o inverso. Exemplificou que “outro dia” o secretário José Alberto Tarifa (Saúde) e a adjunta Thamires May estiveram no PSI à noite e ao pegarem um bloco de fichas contaram nove pacientes de Taboão, três de São Paulo e 17 de Embu – quase 60% do vizinho. “Quer dizer, muito mais de Embu do que de Taboão. Isso aqui foi projetado para a população de Taboão da Serra”, advertiu.
“Como temos essa ‘invasão’ de outros municípios, quebra todo nosso planejamento de atendimento. A gente não tem fisicamente espaço, não tem como acomodar as pessoas, o pessoal tem que ficar de pé esperando nessa bagunça. Aqui [corredor dos consultórios] também fica cheio, as enfermarias estão igualmente lotadas, passando do limite – tem muita criancinha no corredor da enfermaria, em maca que pusemos, com a mãe do lado”, frisou.
No próprio dia 13, o VERBO conversou com uma moradora de Embu – do Vista Alegre – que esperava atendimento para o filho de 8 anos no PSI, em meio à superlotação. “Cheguei aqui era 9 horas. Olha a situação como está, a coisa está feia”, disse Águeda Pereira, quando era meio-dia. Ela alegou preferir o PSI e nem vai à unidade infantil de Embu. “Mas fui no pronto-socorro de adultos lá do Embu no sábado e estava muito lotado. É muita demora”, disse.
O dia citado pelo diretor seria 6 de dezembro. Sobre a ocasião, o vereador Alex Bodinho (PL) fez uma postagem em rede social em que disse que, ao fiscalizar o atendimento na unidade, “constatamos que mais de 65% dos munícipes que estavam no PSI eram de outro município e apenas 35% desses residiam em Taboão da Serra” – segundo uma moradora, ele, Tarifa e Thamires só foram ao PSI após uma mãe chamar a polícia devido à demora.
No dia seguinte (7), via mensagem de texto, este portal questionou Bodinho de onde eram 65% dos pacientes que esperavam atendimento no PSI. O vereador não respondeu, mesmo com a informação de que a maioria era de Embu. Ele é aliado de Ney. Em 2018, ele foi um dos vereadores que se amotinaram contra o então prefeito Fernando Fernandes (PSDB) para apoiar a irmã do governante embuense, Ely Santos, para deputada federal.
Para não expor que os embuenses evitam a saúde local e sobrecarregam o PSI, Bodinho ignorou as consequências da demanda extra e se saiu com esta: “Teremos que ampliar o atendimento porta a porta para comportar todos”. Curiosamente, o vereador chegou a comentar que “sabemos que o nosso município é referência no atendimento de urgência e emergência”, apesar de sempre atacar a empresa que gerencia os prontos-atendimentos, a SPDM.
No mesmo dia 7, mais cedo, em sessão, o vereador enfermeiro Rodney (PSD) falou que também esteve no PSI na noite anterior e citou mais pacientes de outras cidades, apesar de igualmente criticar a gestora dos prontos-atendimentos em Taboão, em fala desconexa. “65% das fichas eram de pessoas de fora do município. 35% eram crianças do município. A SPDM já deu o que tinha que dar, tem que sair fora do nosso município”, discursou.
Em tribuna, Rodney não citou de onde era a maioria de fora de Taboão. Em seguida, este portal questionou o vereador: “De onde são os 65% dos pacientes atendidos no PSI”. Rodney ficou em silêncio. Ele também é aliado de Ney. Em outubro, ele concedeu o título de “Cidadão Taboanense” ao principal aliado de Ney, o vice Hugo Prado (MDB). Como justificativa – bisonha -, disse que Hugo “já foi pacoteiro de um dos supermercados da nossa cidade”.
> Colaborou a Redação do VERBO ONLINE





