ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
A vereadora Luzia Aprígio, mulher do prefeito Aprígio, ambos do Podemos, foi avisada do desvio de vacinas contra covid-19 na UBS Santo Onofre com antecedência, antes de a então funcionária Maria de Lourdes Carvalho, a Maryah, denunciar o caso, mas foi omissa – ou “conivente”, segundo um aliado. A secretária-adjunta Thamires May (Saúde) também foi informada pela denunciante sobre a irregularidade e até se espantou, mas “lavou as mãos”.
No último dia 16, o VERBO revelou que Luzia foi procurada por Maryah sobre o desvio das doses. Porém, novas mensagens a que este portal teve acesso mostram que a vereadora e primeira-dama soube do ato ilícito muito tempo antes de a denunciante levar o caso ao governo, em 8 de abril. Ela foi comunicada em 26 de fevereiro, 41 dias antes, pela Maryah, que acusou funcionários indicados por Alex Bodinho (PL) e o vereador pela irregularidade.
“Estou entrando em contato com a senhora, para agendar um horário com a vereadora. Podemos confirmar dia 26/2 as [sic] 10:30h?”, disse a assessoria de Luzia, via mensagem. Maryah, que trabalhava na UBS Santo Onofre, concordou. “Podemos sim. Preciso só pedir autorização pra sair aqui da unidade”, respondeu. “Ok… está confirmado. O atendimento será no centro empresarial. Av. Vida Nova, 28 – sala 312 B. Obrigada”, disse a pessoa.
Maryah foi recebida e conversou com Luzia sobre o desvio de vacinas. “Dia 26 de fevereiro, quando fui até o escritório dela”, confirma. Luzia até teria demonstrado interesse pelo caso. “Ela falou que precisava de mim lá [na UBS] para levantar tudo o que precisava”, conta Maryah. No entanto, ela não tomou qualquer providência para coibir o ilícito, em postura grave, sendo primeira-dama e principalmente vereadora, que tem o papel de fiscalizar.
Luzia não deu sequer retorno, mesmo Maryah tendo sido candidata a vereadora na coligação de Aprígio e ser cargo do prefeito no governo. “Depois que eu conversei com a dona Luzia lá no escritório dela, não consegui mais [falar] e ela não me respondeu mais. Eu mandava algumas informações para ela, ficava esperando e não tinha resposta”, conta a denunciante. A então comissionada chegou a mandar mensagem, cobrando uma posição sobre o desvio.
“Dona Luzia, gostaria de saber sobre as informações que passei pra senhora. Está [sic] acontecendo coisas graves na ubs, vacinação em pessoas abaixo da idade permitida. E só uma pergunta: GCM e Romu pode [sic] tomar a vacina na UBS também ou tem posto de vacinação apropriado para eles? E se eles podem levar suas esposas para tomar também?”, questionou Maryah, em 5 de abril, ao apontar as irregularidades. De novo, Luzia não respondeu.
Maryah só conseguiu falar com Luzia quando foi à prefeitura fazer a denúncia, até por conta da falta de resposta. Mesmo assim, a mulher de Aprígio fez pouco caso. “Sem me ouvir, o prefeito pegou algumas das provas que eu tinha levado e mandou a dona Luzia conversar comigo, mas ela me colocou na sala de reunião para outra pessoa falar comigo. Depois desse contato, ela nunca mais me atendeu ou respondeu qualquer mensagem minha”, afirma.
Maryah também falou sobre o desvio de vacinas com Thamires. No dia 7 de abril, a adjunta só disse “Oiiii”. No dia da denúncia, a funcionária chamou: “Eu queria só uma informação”. Thamires respondeu: “Estou [em] reunião no gabinete”. Maryah falou: “Queria pegar uma informação com vocês, se funcionários da indústria farmacêutica podem estar tomando vacina aqui [na UBS]”. Thamires: “Só se for profissional com carteira do conselho”.
Maryah explicou a situação, ao citar orientação que teria partido do secretário José Alberto Tarifa (Saúde). “Como o Tarifa falou para mim ontem, precisa ser morador de Taboão da Serra. […] Todos os funcionários estão vindo vacinar aqui. […] Solicitei endereço daqui, mas o pessoal daqui [direção da UBS, ligada a Bodinho] já falou para mim que o que importa é ter endereço da empresa, não do funcionário. O funcionário não mora aqui”, relatou.
Maryah também comunicou sobre empregados de farmácias. “Veio [sic] funcionários para ser vacinados, porém não moram aqui [Taboão]. Pedi comprovante de endereço, e chamaram [direção da UBS] minha atenção, falaram que é para fazer com endereço da drogaria”, disse. Thamires respondeu: “Meu Deus”. Já em 9 de abril, um dia após ter denuciado o desvio de vacinas, Maryah chamou: “Preciso falar com você”. Aí a adjunta já não respondeu.
No dia 12 de abril, Maryah insistiu, reclamou do tratamento que passou a ter após fazer a denúncia. “A enfermeira-chefe fica só jogando a gente para vacina, para porta, e fica o pessoal do Alex fixo na recepção. A gente fica sem função. E eles ficam na recepção e não deixam ninguém entrar?”, disse. Já indiferente, Thamires se esquivou. “Converse com o Vilson”, disse, ao se referir ao gestor “interventor” que substituiu a diretora Fernanda Cruz.
“Ela [Thamires] estava ciente dos desmandos do Alex Bodinho e dos funcionários dele”, afirma Maryah – que foi demitida por Aprígio. O VERBO questionou Luzia sobre não ter fiscalizado o desvio de vacinas na UBS mesmo avisada mais de um mês antes da denúncia. Indagou também Thamires sobre não ter tomado providências quanto à vacinação de pessoas de fora de Taboão e à reclamação contra a gestão no Santo Onofre. Ambas calaram.
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