ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra
O vereador Marcos Paulo (Pros) ignorou a “ordem” de Fernando Fernandes (PSDB) e negociou apoio da oposição para ser presidente da Câmara Municipal nos últimos anos de mandato no Legislativo e Executivo (2015-2016), em investida que pegou de surpresa e desnorteou o prefeito, que promete retaliação contra os “infiéis”, mas corre risco de derrota nas votações da Casa. Marcos Paulo conta com maioria dos votos (7) e deve ser eleito para comandar o parlamento.
O prefeito afirmava não apoiar nenhum vereador, mas que o presidente devia ser escolhido entre os da base e vetava negociação com os da oposição para ter votos. “A minha participação é só uma, quero que o novo presidente saia entre os dez vereadores que fazem parte da situação. O que não vale é fazer acordo com a oposição. Oposição é oposição, situação é situação. Dentro desse acordo, qualquer um é bem vindo como presidente”, disse Fernando ao VERBO.

Fernando disse que “a cada hora” mudavam os postulantes da base e não apontou quem se sobressaia. “É que o número de candidatos é variável, uma hora é um, depois dois, três, quatro. Vamos saber agora na reta de chegada, eleição de presidente sempre foi assim”, explicou. Fazia só uma recomendação. “Que cada um vá atrás de seus votos, tente convencer os parceiros da sua capacidade administrativa frente à Câmara, mas que isso se dê em harmonia.”
Na quinta-feira, dia 4, em reunião na própria residência, Marcos Paulo, o Paulinho, e outros seis vereadores (7 dos 13 da Câmara) anunciaram em entrevista o voto na eleição da mesa-diretora, com ele como presidente, com apoio dos três da oposição – Professor Moreira (PT), Luiz Lune (PC do B) e Luzia Aprígio (PSB). Os outros três que fecharam apoio a Paulinho, Érica Franquini (PSDB) seria vice-presidente, Cido (DEM), 1º-secretário e Ronaldo Onishi (SDD), 2º-secretário.
A oposição teve garantia de ocupar as comissões principais da Câmara como Constituição e Justiça e Finanças. “A gente não trabalha só no plenário, tem as comissões para analisar os projetos do Executivo, dos vereadores. A oposição se sentiu mais bem atendida”, disse. Ele afirmou que a oposição foi procurada por “todos” os candidatos governistas, “mas o prefeito falou para os demais que não era para dar espaço nenhum para a oposição, em comissões importantes”.
É o que Fernando teme. Ele diz que a presença de oposicionistas em comissões centrais da Câmara pode barrar ou travar projetos do Executivo. Após o anúncio, disse que Erica e Cido o traíram – ela é do partido do prefeito, recém-filiada, e ele teria dado a palavra de não compor com a oposição. Entre as reações, está a demissão de todos os cargos indicados no governo pelos dois vereadores e possível abertura de processo de expulsão de ambos dos partidos.
Moreira disse que o prefeito devia ser ponderado e mandou recado. “Comenta-se na cidade que eles [governistas] vão até as últimas consequências contra a Erica e o Cido. Acho que a dose do remédio foi forte demais, pode trazer sequelas. Têm que lembrar que os dois são vereadores e estão num grupo de sete, e sete mandam em toda matéria na Casa. Se mexer com o vereador, não estará mexendo só com um, mas com o grupo inteiro”, disse o petista ao VERBO.
Apesar da pressão, indagada se está firme no voto anunciado, Erica disse “sim”, na sexta. Cido não foi encontrado. Com a necessidade dos governistas de ganhar tempo para fazer os dois reconsiderarem, a eleição pode não ocorrer nesta terça, dia 9. “O presidente [Eduardo Nóbrega], que é sempre muito sensato, disse em alto e bom som, inclusive na inauguração da Câmara, que jamais ia sujar a sua biografia e voltar atrás. Espero que honre a palavra”, disse Moreira.
Após o anúncio do “grupo dos 7”, Paulinho reafirmou que é governo e visa ser presidente, mas com visão oposta à do prefeito. “[Foi] apenas uma decisão interna. São todos vereadores, não os trato como situação ou oposição, apenas vereadores, colegas de parlamento”, disse ao VERBO. Falou não temer que Erica e Cido mudem o voto. “São vereadores que confio”, disse. Ele não quis falar da reação de Fernando. “Não conversei com ele ainda, prefiro não comentar.”