ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Um audiência pública realizada nesta terça-feira (9) na Câmara de Embu das Artes pelo vereador Abidan Henrique (PDT) apontou que a saúde sob o governo Ney Santos (Republicanos) está “abandonada”, com gestão ineficiente que resulta na falta de médicos na atenção básica, exames e medicamentos e principalmente em mortes recorrentes por negligência. Os participantes também acusaram que o serviço está comprometido por corrupção.
Apontado pela população como o único vereador – entre 17 membros da Câmara – que fiscaliza com seriedade os atos do Executivo, Abidan promoveu o evento para os moradores debaterem sobre o atendimento prestado pelo governo municipal e cobrarem saúde de qualidade, “diante de quatro casos recentes de negligência médica na cidade em menos de um mês e meio”, conforme relata. Os casos chocaram e mobilizam os munícipes.
No dia 21 de agosto deste ano, Luan Gaspar, de 11 anos, morreu de apendicite após ter tido diagnóstico errado de que estava apenas com gases na UPA Santo Eduardo. A unidade atendeu a criança três vezes, mas não foi capaz de descobrir a causa da dor – identificada rapidamente em pronto-socorro em outra cidade. Na semana seguinte, no dia 27, um idoso faleceu em frente à UPA também por erro de diagnóstico e depois omissão de socorro.
Em 17 de setembro, um morador de 58 anos sofreu um AVC, mas a mesma UPA disse que tinha tido apenas um “mal estar”. Desconfiada, a família levou o homem a um hospital fora da cidade e o salvou. Porém, no dia 29 do mesmo mês, Maria de Fátima Mourato teve convulsão, mas a UPA receitou apenas um medicamento com orientação de que ia dormir por 72 horas devido ao efeito. Ela tinha tido um AVC e morreu três dias depois.
Na audiência, o morador Marcelo Rodrigues indicou que Ney mentiu ao se eleger com a bandeira da saúde. “Ele dizia que queria ser prefeito porque o pai morreu no Vazame por negligência. Todo mundo achou que ia ser um bom prefeito pelo menos na saúde. Pelo contrário. A cidade está abandonada, principalmente na saúde. Nos postos não tem remédio para diabetes. Aqui não tem prevenção, por isso os pronto-socorros estão cheios”, disse.
Segundo o morador, Ney também usa o setor como balcão de negócios em vista das eleições – por apoio de gestores de fora em busca de votos nas cidades de origem. “Os gerentes das unidades de saúde não são de Embu. São em torno de 15 unidades, se tiver três de Embu é muito. Os acordos são feitos aqui na cidade”, disse. Ele falou ainda que a secretária Thais Miana – oriunda de Mauá (ABC) – nem a adjunta Vanessa Silva são da área da saúde.
O pai de Luan, presente, cobrou inicialmente atenção básica às mulheres ao dizer que o posto do Santo Eduardo “foi tirado de lá”. “Está se gastando muito dinheiro com campo sintético e eventos banais, e as gestantes da região têm que caminhar dois quilômetros ou mais para fazer um pré-natal. Como o município com o tanto de habitantes [mais de 270 mil] não tem um centro especializado pelo menos para as mulheres?”, reprovou José Gaspar.
Sobre Luan, José criticou os vereadores submissos a Ney. “Meu filho passou por três médicos, mas o diagnóstico do primeiro só foi acompanhado pelos outros. Em nenhum momento ele teve o cuidado de levantar da cadeira e apalpar a barriguinha dele. Agora é lamentação, sofrimento. E luta, pelos filhos dos outros pais. Como população, também temos culpa, tínhamos que cobrar dos 16 ‘bobos da corte’ que se abaixam para esse prefeito”, afirmou.
Com a presença de especialistas que discutiram “saídas” para o quadro caótico – o médico de saúde da família Lucas Gandolfi e a sanitarista Priscila Luz -, a audiência reforçou a percepção de que a empresa que gerencia os prontos-socorros de Embu é “quarteirizada” e não passa por nenhuma fiscalização da prefeitura, que moradores têm medo de procurar as unidades e o discurso de Ney de que a cidade é referência em saúde é falacioso.
Abidan apontou também os desvios de recursos como causa do “abandono” na saúde. “A audiência foi muito importante. Uma das principais reclamações da população se refere à corrupção. Foi citado o caso da Polícia Federal, o desvio de R$ 18 milhões nos últimos três anos do primeiro mandato de Ney. Foi citada a falta de gestão, falta de medicamentos, insumos. Foi criticada ainda a indicação política nos cargos de gerência”, disse ao VERBO.
OUÇA ABIDAN COMENTAR SOBRE A AUDIÊNCIA QUE DIAGNOSTICOU A SAÚDE DE EMBU ‘ABANDONADA’

> Colaborou a Redação do VERBO ONLINE





