Governo Ney sucateia escola para crianças com deficiência, denunciam mães

Especial para o VERBO ONLINE

Armando Vidigal, que atende crianças e jovens com deficiência, com rachaduras e vidros quebrados, alguns dos problemas da escola, denunciam pais |Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Prédio com rachaduras por toda parte, piso solto e janelas com papelões, escolarização precária, interrupção da assistência de saúde com a retirada de profissionais, servidores desmotivados, funcionários despreparados indicados por políticos ou designados como “encostados”. A Armando Vidigal, escola de Embu das Artes que atende crianças e jovens com deficiência, foi sucateada pelo governo Ney Santos (Republicanos), denunciam mães e pais.

A escola no Jardim São Marcos atende pouco mais de cem alunos. O morador Raimundo de Azevedo mantém a filha, com paralisia cerebral, de 22 anos, na unidade, onde a menina entrou com 14. Ele se assustou ao saber do estado do prédio. “O colégio ficou fechado quase dois anos por causa da pandemia [da covid-19]. No retorno das aulas, quando uma mãe foi dar uma olhada, viu paredes rachadas, lixo, mato grande, o maior descaso”, conta.

Raimundo terá de manter a filha fora da escola. “Com o prédio cheio de rachaduras, não vou levar. Ontem fizeram uma tapeação, taparam os buracos com cimento por cima, mas a estrutura continua rachando. É um absurdo o que estão fazendo, fechando buraquinhos e pintando para enganar os troxas. Tenho medo de minha filha ir e cair a parede em cima dela. Vimos agora porque o colégio voltou agora, mas o descaso está com dois anos”, diz.

O problema não é só físico. “Até as pessoas que trabalham lá não são bem quistas em outras áreas, e mandaram para o Armando. A escola virou um depósito de maus profissionais. Tudo para desmotivar”, aponta Raimundo. “O Armando está depreciado desde o começo desta administração. Tinha ótimos profissionais, uma piscina bacana. Entrou este governo, acabou tudo. Hoje, a pessoa [aluno] vai lá, senta na cadeira e volta para casa”, reprova.

A moradora Carmem Fernandes tem um filha que tinha apenas um ano quando entrou na Armando Vidigal, há 26 anos. “Já acompanhamos altos e baixos da escola, mas conseguimos reformas, inclusive o prefeito atual recebeu a escola funcionando bem e reformada. Tínhamos uma diretora preparada. Depois que este prefeito assumiu, a escola foi ‘desmoronando’, não só a estrutura física como o atendimento, hoje é muito ruim”, afirma a mãe.

De acordo com Carmem, os alunos contavam com atendimento de saúde. “A gente tinha fisioterapeuta, tinha fonoaudiólogo, TO [terapia ocupacional]. Agora retiraram tudo. Para falar a verdade, hoje é só um depósito de crianças com deficiência, jovens que não sabem se defender, não têm as suas necessidades respeitadas. Nós pais temos que estar cobrando o município, procurando a qualidade e melhoria para os nossos filhos”, relata.

Carmem aponta que o atual governo sucateou a escola. “Totalmente, em todos os sentidos. Quando você compara o que tínhamos e o que temos, é inacreditável, começa desde a supervisão, que não entende nada da pessoa com deficiência, até a sala de aula. Antes os profissionais eram qualificados e se exigia isso. Hoje, quando um funcionário tem algum problema em uma escola, eles mandam para o Armando, sem preparo nenhum!”, lamenta.

A mãe que viu a escola abandonada foi Françoeide Torres. A filha, de 25 anos, com autismo grave e hipotireoidismo congênito, é uma das mais antigas alunas – 23 anos. “A situação do Armando realmente é precária hoje. Não é de agora, vem de três, quatro anos para cá, o governo foi deixando a desejar na estrutura em geral. Na época do [governo] Chico [Brito], fui uma das mães que lutamos pela melhoria, e teve melhora, com piscina, em tudo”, diz.

Com a gestão Ney, a escola entrou em decadência. “Depois que veio este governo ficou nesta situação. A gente precisa divulgar isso, para que seja resolvido. Eu deixo bem claro nas reuniões que eu sou os pés, mãos e olhos da minha filha, já que ela não pode se defender. Eu preciso mandar minha filha para escola, para ela poder ver [se socializar com] outras pessoas, mas não quer dizer que vou deixá-la em qualquer ambiente, largada”, observa.

Fran critica o atendimento. “Antes tínhamos profissionais qualificados, eu tinha prazer em mandar a minha filha. Hoje não. Entra qualquer tipo de funcionário lá, é parente de vereador, gente que pediu emprego para vereador, aí vão jogando tudo lá. E ficam com receio de deixar a gente chegar lá, não sabem receber os pais e como atender, nem os direitos que temos com os nossos filhos. É bem complicado”, reprova. “Mas vamos reverter essa história.”

OUTRO LADO
O VERBO questionou o prefeito – “Mães e pais de alunos denuciam que o senhor sucateou a escola, ao deixar o prédio com rachaduras por toda parte, interromper o atendimento com profissionais de saúde e retirar servidores capacitados para pôr funcionários indicados ou parentes de vereador desqualificados para o trabalho com crianças e jovens com deficiência. O que tem a dizer?”. Ney não respondeu à mensagem. Ele também recusou ligação.

OUÇA DENÚNCIA DE RAIMUNDO, CARMEM E FRAN SOBRE O SUCATEAMENTO DA ESCOLA ARMANDO VIDIGAL

QUESTIONADO SOBRE ABANDONO DA ARMANDO VIDIGAL, NEY NÃO RESPONDE E DEPOIS RECUSA LIGAÇÃO

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