ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, no Jardim Helena, em Taboão da Serra
O presidente Eduardo Nóbrega (PR) e os demais 12 vereadores da 13ª legislatura (2013-16) inauguraram na noite desta terça-feira, dia 2, o novo prédio da Câmara Municipal, o primeiro próprio do Poder Legislativo local, em sessão solene regada a homenagens e troca de elogios em que diferenças históricas e decisões equivocadas foram “esquecidas” ou relevadas. Cerca de 500 pessoas, entre políticos, autoridades, moradores e convidados, participaram da cerimônia.

Em primeiro ato da festa, os vereadores e o prefeito Fernando Fernandes (PSDB) descerraram, às 20h11, grande placa na entrada do prédio, após a bênção do padre Rogério Santeri, do Santuário Santa Terezinha, e do pastor Eduardo Lopes, parlamentar da Casa. Já no segundo andar, os anfitriões deram as honras aos parlamentares que já estiveram à frente do Legislativo municipal, que protagonizaram inauguração da galeria dos presidentes da Casa, sob emoção.
“Ih, é pintado!”, surpreendeu-se Salvador Grisafi (presidente em 1999 e 2000), ao espiar um dos quadros, ansioso. Um frisson se seguiu à revelação das pinturas das faces. Uma das que mais atraíram a atenção foi a do também ex-prefeito Armando Andrade (presidente em 1975 e 76). Já Paulo Félix era um dos mais empolgados com a homenagem – chegou a fazer do tecido vermelho da moldura bandeira do MST (sem-terra), no qual atua, para posar diante do autorretrato.
Já no plenário, após coral cantar o Hino Nacional, os vereadores entregaram também um quadro do rosto do prefeito pintado. Fernando disse acreditar que “hoje seja um dia para ser marcado na história de Taboão”. “Aos 55 anos, nossa cidade terá finalmente uma Câmara sediada em prédio próprio. E se a sede demorou tanto para ser conquistada, em contrapartida, veio em grande estilo para atender a demanda de um parlamento ativo e representativo”, elogiou.
Em ato com os três poderes unidos, o juiz Guilherme Lamas, do Fórum de Taboão, foi convidado a falar e disse que, se em 19 de fevereiro de 1959, a cidade conquistou a emancipação, em 2 de dezembro de 2014, a Câmara conseguiu o feito. “Tendo sua casa, a Câmara se emancipa para ser, como sempre vem exercendo, a casa do povo”, disse Lamas. Ele sentou o lado do presidente da OAB Taboão, Acácio Cleto, e do delegado-titular do 1º DP de Taboão, Gilson Campinas.

Em seguida, os vereadores foram, um a um, à tribuna com discurso “preparado” de que o Legislativo passa a ter “casa própria” e entregar o título de “Cidadão Taboanense” ao homenageado escolhido. “Hoje, 260 mil habitantes têm sua própria casa, a Câmara de Taboão da Serra. Agradeço a todos os vereadores, pelo apoio a esta mesa [diretora da Casa], que nos ajudaram a economizar para que pudéssemos ter a casa do povo”, discursou a vice-presidente Joice Silva (PTB).
Já Luiz Lune (PC do B) assustou os colegas ao discursar que a oposição é que mais contribui com o governo “quando na rua recebe reclamações e vem aqui e diz a verdade, ao contrário de muitos que teimam em dizer que esta cidade está uma Suécia”. Ele disse fazer a “primeira” indicação da nova Casa e cobrou que o prefeito construa a nova sede da prefeitura e cobre dívidas da família Basile. “O cidadão é notificado por dever impostos de sua casa, não é justo”, disse.
Também oposição, Professor Moreira (PT), porém, não seguiu a mesma linha e exaltou o prédio próprio do Legislativo e agradeceu ao prefeito, “que se dignou a ceder este espaço para que pudesse ser construída esta Câmara, um marco na história”. Em clima de paz ainda, ele elogiou o ex-vereador Olívio Nóbrega, após terem quase se atracado em plenário em 2005. Olívio retribuiu e disse que se Moreira dependesse de um voto dele para ser o próximo presidente teria.
Último a discursar, o presidente disse sobre a intenção de construir o prédio da Câmara que “não fizemos maquete desta vez”, em crítica sutil aos ex-presidentes que gastaram com protótipo e não concretizaram a obra. Nóbrega disse que tinha de enfrentar o desafio. “Permanecer a Câmara como ‘inquilino’ era enfraquecer o Poder Legislativo e cuidar muito mal do dinheiro do povo”, disse, ao apontar que a Casa deixará de gastar R$ 40 mil por mês de aluguel.
Ele salientou que “todos os ex-presidentes quiseram construir a Câmara, mas o momento não propiciava” e elogiou o ex-presidente Macário (PT). “Foi a sua administração, com o TAC [termo de ajustamento de conduta] que firmou com o promotor, que nos conduziu para a reorganização da Casa e a diminuição de assessores. Quando esta mesa-diretora percebeu que em seis meses a folha de pagamento seria diminuída, o sonho da casa própria começava a existir”, disse.

Presente, Macário ficou agradecido pelo reconhecimento. “Com as mudanças que teve, o TAC assinado na minha gestão contribuiu para que o presidente economizasse e, com transparência e capacidade, possibilitasse construir este prédio”, afirmou. Ele falou que chegou a pedir o mesmo terreno ao ex-prefeito Evilásio Farias para erguer a sede própria. “Não sei se faltou interesse, mas poderia ter dado o pontapé inicial desde a minha gestão”, disse em entrevista.
O ato foi festivo, com direito a queima de fogos. Os presentes enfrentaram, porém, muito calor e ficaram muito suados, já que o ar condicionado não funcionou, por conta de sobrecarga de energia. O som e as imagens das telas de led também falhavam. Por mais de uma vez, o presidente se desculpou. À imprensa, ele confirmou que a obra teve “três ou quatro” aditamentos (acréscimos de valor) e custou no total R$ 4,5 milhões. “Ninguém consegue orçá-la 100%”, disse.