Aprígio impõe presidente ‘biônico’ no Conselho de Saúde e deve aprovar contas

Especial para o VERBO ONLINE

Tarifa e Aprígio, e Lopes, que foi destituído da presidência do Conselho de Saúde, por imposição do governo, após fiscalizar ações da gestão | PMTS/CMTS

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

O governo Aprígio (Podemos) deve ter a prestação de contas da saúde do segundo quadrimestre aprovada pelo Conselho Municipal de Saúde nesta terça-feira (28), após impor a destituição do presidente do órgão. Ledivan Lopes foi afastado sob alegação de “conduta incompatível”, mas, conforme o VERBO apurou, foi uma manobra, a fiscalização de Lopes incomodou o Executivo. A gestão emplacou “presidente biônico” que conduzirá a reunião.

No mês passado, o governo Aprígio relatou que uma integrante do conselho, Edna Trindade, protocolou denúncia para apurar “responsabilidades técnicas e éticas do presidente”. Segundo o Executivo, Edna acusa Lopes de “conduta incompatível com a imagem e reputação, com ameaças de destituição de membros, sem amparo legal e do regimento interno em vigor”, e ainda “uso de informações privilegiadas em benefício próprio e de parentes”.

À imprensa, porém, o governo contou a história “pela metade”, ao omitir, por exemplo, que Edna foi destituída do conselho conforme o regimento, no artigo 37. Como servidora que se aposentou, ela não pode mais representar no órgão o segmento dos trabalhadores. Acontece que Edna é correligionária da vereadora Luzia Aprígio (Podemos), mulher do prefeito. Procurada pela reportagem, Edna deu “bom diaaa”. Questionada sobre a denúncia, aí calou.

Segundo Lopes, a decisão de afastar Edna foi do colegiado. “Ela disse que eu estava agindo pela minha própria vontade, destituindo as pessoas sem consultar. É mentira. Não posso fazer nada contra a lei. Ela representava o segmento, mas foi aposentada. Em troca de voltar, ela se voltou contra mim”, afirma. Segundo ele, o secretário José Alberto Tarifa (Saúde) alegou que a “lei é interpretativa”. “Ele fale isso para o juiz. A lei é para ser cumprida”, rebate.

Lopes suspendeu a reunião por causa do 2º-secretário do conselho. “Quando um conselheiro votou para eu permanecer [contra a denúncia], o senhor Edson Jerônimo se alterou, ficou toda hora passando atrás de mim. Eu me senti ameaçado”, afirma. À reportagem, Jerônimo negou ter intimidado Lopes, mas admitiu que “o reprimi” por falar alto. Indagado sobre quantos votos teve a denúncia, porém, ele se evadiu. Ele é membro do Executivo.

Lopes diz sofrer perseguição do governo e aponta Tarifa – que também votou a favor para ser afastado – como o mentor. Ele cobrava, por exemplo, explicações sobre o contrato exorbitante para a UPA da Covid para aprovação das contas. “Eu sou uma pedra no sapato deles, eu não posso falar da vacina que sumiu, dos R$ 3,5 milhões para a Prius, do colapso da saúde em março e abril que teve 12 óbitos [na UPA em só um fim de semana]”, afirma.

O conselho irá se reunir às 14h na Secretaria de Educação – munícipes podem participar -, com a seguinte pauta: parecer da Comissão de Ética referente ao processo 001/21; apresentação e votação da prestação de contas do 2º quadrimestre de 2021; parecer sobre andamento dos trabalhos da Comissão Eleitoral. O ex-vereador Moreira (PDT) acompanha os acontecimentos. “O governo destituiu o Lopes à ‘canetada’ e nomeou um presidente biônico”, disse.

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