ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
O governo Ney Santos (Republicanos), que já não repassa em dia recurso para gestão da saúde e gera caos na área, atrasa também o pagamento para atendimento às crianças em creches de Embu das Artes, em ato “desumano”. Há dois meses pelo menos, as entidades conveniadas não recebem a verba na data prevista em contrato para assistir os pequenos que a prefeitura não atende. Com o “descaso”, os funcionários estão sem salário.
Uma funcionária de uma entidade na região do Santa Emília procurou o VERBO em estado de desespero, com o atraso da prefeitura. “Todo mês é essa situação, já tem dois meses que eles estão atrasando o nosso salário, julho e agosto. No contrato com a conveniada, [o pagamento] é todo quinto dia útil. Mas eles vão pagar dia 20, dia 25. Isso está ‘quebrando as nossas pernas’, na hora de pagar uma conta, tenho que pagar juros e eles não ajudam”, contou.
O governo Ney deveria ter feito o repasse até a semana passada, desde quando os funcionários cobram o pagamento, em vão. “Liguei lá, falei com a Maria, da contabilidade [da prefeitura], que disse que ainda não tem data prevista. Eles nunca têm uma data correta. Na verdade, eles não têm data. A gente reclama com um, reclama com outro, e ninguém resolve nada. Por favor, nos ajude, está desesperador”, disse a profissional à reportagem.
As entidades até cogitaram fazer um protesto conjunto, mas desistiram por medo de retaliação do governo Ney. “Todas as conveniadas queriam se unir, mas você sabe como funciona o ‘procedimento’, qualquer coisa, eles ameaçam fechar a conveniada. A situação está realmente feia”, afirmou a funcionária, no “sufoco”. “A gente está fazendo até rifa para tentar arrecadar o dinheiro, a gente praticamente está trabalhando de graça”, comentou.
Uma outra moradora procurou este portal para confirmar o caos na educação. “Quero fazer uma denúncia anônima sobre o querido prefeito de Embu das Artes”, disse, ao ironizar a falta de responsabilidade da gestão Ney. “As conveniadas estão com dois meses de atraso [de repasse]. Ligamos na prefeitura, eles informam não ter data. Tem funcionários com aluguel atrasado, nem dinheiro para comprar fraldas para os filhos têm”, declarou.
As entidades não conseguem pagar os empregados sem o recurso devido pela gestão. “Muitas creches não têm caixa, só pagam os funcionários quando a prefeitura faz o repasse. Quando paga, ainda fica um [mês] para trás. E os funcionários estão trabalhando normalmente, sem parar”, disse. A notória má gestão financeira do governo Ney faz até as creches perderem pessoal para atender as crianças. “Eu era funcionária. Saí por conta disso”, contou.
OUTRO LADO
O VERBO questionou o secretário Pedro Angelo (Educação) e também o prefeito sobre a reclamação de funcionários de que estão sem receber salário por conta do atraso do repasse às entidades conveniadas. A Ney, disse, inclusive, que o problema “é uma rotina, acontece praticamente todo mês”. Nenhum dos dois respondeu. Em vídeos, Ney chega a dizer que a educação de Embu é “referência” na região, que “estamos fazendo a nossa parte”.
QUESTIONADO SOBRE ATRASAR REPASSE DA VERBA ÀS ENTIDADES CONVENIADAS, NEY PREFERE O SILÊNCIO






