Pais de Luan e amigos protestam contra negligência da UPA; mãe critica Ney por ‘se esconder’

Especial para o VERBO ONLINE

Família e amigos de Luan fazem passeata até a UPA; morador desabafa contra negligência na unidade; menino é homeageado com salva de palmas | Reprodução

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Os pais e irmãos de Luan, outros parentes e amigos da família do menino realizaram na noite deste sábado (28) um protesto contra o atendimento da UPA de Embu das Artes, marcado pela negligência. Cerca de cem pessoas caminharam até a unidade após participarem da missa de sétimo dia de Luan. Embora a manifestação tenha sido pacífica, o governo Ney Santos (Republicanos) posicionou uma viatura da Guarda Civil Municipal diante da UPA.

O grupo vestiu camiseta com imagem do menino e a inscrição “#luanpresente”. Luan, de 11 anos, morreu no sábado dia 21 em consequência do apêndice estourado após ser atendido na UPA de Embu três vezes em consulta com médicos diferentes e ter tido como diagnóstico “gases”. Carla Gaspar só soube o que Luan realmente tinha quando levou o filho, que passava muito mal, ao Pronto-Socorro de Itapecerica da Serra e ficou estarrecida.

No protesto, diante da UPA com funcionários e uma ambulância na porta, além do veículo da GCM, um amigo da família de Luan deu um depoimento, comovente, sobre o tratamento dispensado pela unidade ao menino, muito diferente do que recebeu no PS na cidade vizinha. “Hoje ‘está’ aqui todas essas pessoas sofrendo. Como que um médico que estudou tanto não consegue diagnosticar um apêndice [inflamado], que é tão simples”, disse ele.

“Nós pagamos impostos aqui [em Embu], mas em Itapecerica, quando o médico bateu duas vezes [gesticula com toque na barriga], já diagnosticou. Só que era muito tarde. E foi nesta UPA que ele veio três vezes, e disseram ‘não, mãe, ‘é’ gases. Só que o [por causa do] ‘é gases’ que o médico falou, hoje o anjinho [a criança] está no céu. Mas é uma dor que vamos levar para o resto da vida. Essa criança não está mais entre nós. Dói muito”, falou o homem.

Ele pediu que médicos e enfermeiros da UPA honrem a profissão. “Você profissionais façam por amor, cuidem das pessoas por amor, não apenas por status de ser médico, era apenas uma criança”, disse. Ele chamou a atenção para a distinção de assistência. “É muito doloroso para quem perdeu, mas para quem não perdeu é simplesmente ó [faz gesto com as mãos de ‘tanto faz’]. Se fosse filho de um prefeito […] teriam diagnosticado”, criticou o morador.

“‘Tá’ aí um desabafo de um pai que nos conhece e conhece nossa dor”, postou Carla. Após meia hora, a família e amigos, que tinham iniciado a manifestação com uma oração, encerraram o protesto com palmas em homenagem a Luan. Pelas 23h30, Ney postou um vídeo em que aparece diante da UPA e com imagens como se vistoriasse a unidade, com a secretária-adjunta Vanessa Silva (Saúde) e o presidente do Conselho de Saúde, Robson Borges.

A mãe de Luan ficou indignada com a postura de Ney. “Ué, eu estava aí agora há pouco, por que você não saiu para participar da nossa passeata pacífica? Poderia ter ido lá nos dar um abraço solidário”, disse Carla, em tom de ironia, ao compartilhar o vídeo postado pelo vice do prefeito, Hugo Prado (MDB). Ela falou com o VERBO sobre a aparição. “Tenho quase certeza que o Ney estava lá. Quando cheguei em casa, não demorou muito ele postou”, protestou.

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Videos Facebook de Carla Gaspar/Reprodução

> Colaborou a Redação do VERBO ONLINE

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