ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes
O prefeito Ney Santos (Republicanos) se manifestou nesta quinta (26) sobre a morte de Luan após ser atendido na UPA de Embu das Artes e disse que pediu para “afastar os três médicos envolvidos” e que um “conselho de ética” tem cinco dias para apresentar um relatório sobre a conduta dos profissionais. Ele disse ainda que “amanheceu o dia na casa dos pais” após o menino morrer, mas não convenceu e foi rechaçado pela família da criança.
Em vídeo, ao lado da secretária Thais Miana (Saúde), Ney confirmou que Luan “teve passagem pela UPA do Santo Eduardo” e disse que a “família aponta que houve negligência”, sem admitir que o menino morreu de apêndice estourado após diagnóstico errado dos médicos da unidade, que afirmaram que o paciente tinha apenas “gases” abdominais. Contudo, ele disse que “imediatamente pedi para afastar os três médicos afastados neste caso”.
“Abrimos um processo administrativo, um conselho de ética de médicos da nossa cidade tem cinco dias para nos dar um relatório, que vamos enviar ao Cremesp, que é o conselho de medicina do Estado de São Paulo, para que todas as providências sejam tomadas”, continuou Ney. Ele procurou mostrar que não ficou indiferente ao dizer que “na própria segunda-feira, um dia depois do acontecido”, foi à casa dos pais – Luan morreu no sábado (21).
“Eu mesmo pedi para que a família fosse à delegacia fazer um boletim de ocorrência para que o caso seja investigado, não só administrativamente como também criminalmente. Todos os médicos que dão plantão nas unidades [de emergência de Embu] têm por obrigação fazer um bom trabalho”, prosseguiu Ney. “O meu papel eu vou fazer, que é melhorar a saúde da nossa cidade e punir quem tiver que punir”, acrescentou o prefeito.
Ney chegou a dizer ainda já ter sido processado “por fiscalizar de uma forma mais radical”, mas, “não tem problema, posso ser processado quinhentas vezes”, e que “toda a estrutura oferecida pela prefeitura dá condição a eles [médicos] para que façam esse trabalho”. “Mas infelizmente a fica na mão deles, a gente depende deles e por conta disso a nossa fiscalização tem sido radical, ao ponto de tirar médico do plantão e mandar embora”, falou.
A realidade é bem diferente. Somente na UPA e para citar apenas dois casos, a adolescente Victória Kamily, de 13 anos, e a doméstica Valdinete Pereira, de 49, morreram por negligência médica. Ney nunca deu qualquer esclarecimento, depois de dizer também que ia realizar uma apuração rigorosa – na primeira tragédia, ele chegou a dizer que a adolescente morreu no hospital para onde foi transferida, apesar de ter deixado a UPA já desfalecida.
Ainda em relação à UPA de Embu, após a mãe de Luan, Carla Gaspar, postar reportagens sobre o diagnóstico errado que custou a vida do filho, vários moradores passaram a relatar que familiares ou amigos morreram por mau atendimento na unidade – postagens da família já somam mais de mil compartilhamentos em uma rede social. “Espero que pelo menos um dos três malditos que tiraram meu filho de mim veja essa publicação”, falou.
A família reagiu ao discurso de Ney com indignação, principalmente pelo prefeito passar a imagem de que tomou a frente do caso e confortou os pais do menino com a “solidariedade” que disse ter prestado. “Solidariedade à família do Luan????? Então vamos lá, senhor prefeito ‘Ney Santos’. Que solidariedade ou tipo de assistência que você nos deu mesmo? O fato de vir na minha casa trocar 3 minutos de palavras é assistência”, rebateu a mãe, com raiva.
“O fato de você pedir para mim abrir um BO é assistência? Porque até então eu iria abrir um BO do mesmo jeito. E outra coisa, como diz você no começo do vídeo, que procuramos a UPA uma vez, [mas] não foi uma vez, foram 3 vezes e você sabe disso. Isso não vai ser apenas mais uma morte que irá ficar impune, não, ‘queroooooo’ justiça. Amanhã faz uma semana que meu filho se foi e não vi nenhum tipo de mudança em nada”, afirmou Carla.
“Acha o quê? Que eu vou me calar? Pois eu não vou, não. Meu filho era uma criança com toda a vida pela frente, sadio, educado e não fazia mal a ninguém. Por isso, senhor prefeito, eu quero Justiça”, finalizou a mãe, com pedido para que as pessoas compartilhem a postagem. Neste sábado (28), a família realiza a missa de sétimo dia de Luan. Depois, faz uma manifestação até a UPA. “Vou gritar que quero justiça para o meu filho”, disse Carla ao VERBO.
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