Gestão Aprígio põe 10 viaturas para receber vereador e deixa ‘cidade descoberta’

Especial para o VERBO ONLINE

Érica fala entre Palumbo e Falcão; secretário de Segurança, comandante da GCM e vereadores posam para foto com o parlamentar da Câmara de SP | Divulgação

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

A Secretaria de Segurança do governo Aprígio (Podemos) realizou na segunda-feira (23) uma reunião com a presença do vereador de São Paulo delegado Palumbo (MDB) e deixou Taboão da Serra “descoberta”, denuncia um funcionário. Com a convocação de guardas municipais, cerca de dez viaturas ficaram estacionadas no evento para a “recepção”. Moradores também reclamaram de que os carros ficaram “parados”, em vez de patrulhar a cidade.

O secretário municipal de Segurança é o delegado Rodrigo Falcão, que foi nomeado no último dia 2 por Aprígio apenas depois de conseguir licença do governo de São Paulo, mas já “mandava de fato” na pasta desde a posse do prefeito, em 1º de janeiro – não sem se envolver em polêmicas, como acusar uma GCM mulher de estar dormindo e praticar ato sexual em uma base da GCM e incentivar um guarda a “furar fila” da vacina contra a covid-19.

O secretário recebeu o vereador paulistano em um prédio vizinho ao Parque das Hortênsias, próximo à prefeitura, no Parque Assunção (região central). Além de viaturas da GCM de “área”, carros da Romu (espécie de grupo de elite da corporação) e até da Patrulha Guardiã Maria da Penha “baixaram” no imóvel para o “encontro político”. “Tinha vários carros da Guarda lá, estacionados do lado, mas também na entrada do prédio”, relata o funcionário.

A comandante da GCM, Eliana Ribeiro, participou da reunião, chamada em cima de hora, no “susto”, como também o corregedor Rodrigo Ribas. A única grande ausência foi a do secretário-adjunto de Segurança, tenente Dacal. Ele teria dito ter sido preterido. Segundo apurou a reportagem, Falcão e Dacal rivalizam e travam queda de braço na pasta, com provocações mútuas entre as equipes de cada um. “Eles não se suportam”, comenta outro servidor.

A “concentração” dos anfitriões – cúpula da Segurança – e do aparato da Guarda começou às 14h, mas o vereador da capital visitante atrasou, e a “recepção” se alongou até por volta de 16h. O trabalho de segurança pública, porém, teria sido afetado por mais tempo. Indagado pela reportagem se as viaturas da GCM ficaram “paradas”, sem patrulhar a cidade, por duas horas, o funcionário respondeu: “Pelo menos. A mobilização foi desde a manhã”.

Vereadores também participaram da reunião – Aderson Nóbrega (MDB), enfermeiro Rodney (PSD), Érica Franquini (PSDB), Nezito, Gallo (ambos do Republicanos) e Joice Silva (PTB). Érica agradeceu Falcão pelo convite para o evento, “trabalhando para mudar e reconstruir Taboão da Serra”, postou. Joice se referiu a Palumbo como o “atuante vereador e delegado que muito está contribuindo com as ações de segurança para nossa amada Taboão”.

“Sem querer”, Joice expôs que a cidade ficou desprotegida, ao dizer que “grande parte da corporação da GCM” esteve presente. Pela apuração da reportagem, cerca de metade do efetivo para o dia ficou “ocupada” na reunião política. “Vizinhos chegaram a denunciar a quantidade de viaturas”, disse o funcionário. Já a recepção à visita foi agradável, com “palhinha” de pagode – o secretário Binho (Cultura) também compareceu – e açaí grátis à vontade.

OUTRO LADO
O VERBO questionou o governo Aprígio do porquê de cerca de dez viaturas da GCM terem ficado “paradas, durante pelo menos duas horas, na recepção a um político”. “Por que tamanha concentração de viaturas da GCM em uma reunião com um político que é um vereador e de outra cidade? Qual a finalidade? Quem deve ser responsabilizado por deixar a ‘cidade descoberta’ na segurança?”, indagou. A Secretaria de Comunicação permaneceu em silêncio.

QUESTIONADO SOBRE VIATURAS DA GCM ESTAREM EM ENCONTRO POLÍTICO, GOVERNO APRÍGIO SILENCIOU

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