RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Embu das Artes
Uma jornalista que apoiou Ney Santos (Republicanos) na primeira eleição, era próxima de figuras ligadas ao prefeito, como o hoje vereador Renato Oliveira (MDB), e trabalhou na prefeitura por quatro anos no atual governo tem uma experiência traumática sobre o atendimento em um pronto-socorro de Embu das Artes no mês passado. Adriana Monteiro, que até pegou covid-19 na internação, tem uma certeza: “A saúde de Embu está um caos”.
Adriana trouxe a público o sofrimento que viveu na terça-feira (17), no site de que é proprietária, o “Primeiro Notícias”. Após falar que diariamente recebe denúncias de mau atendimento, principalmente nos pronto-socorros de Embu, ela diz que jornalista noticia fatos, “não vira notícia”. “Mas o relato de hoje é pessoal quando virei notícia, ou quase”, conta. No dia 10 de julho, com febre de 38,8º e inchaço nas mãos e perna, ela foi à UPA Santo Eduardo.
“O médico receitou decadron, e na medicação a enfermeira afirma ‘não tem decadron, vai tomar só o voltaren'”, relata Adriana, em primeiro desgosto. Como o inchaço não passou, ela buscou atendimento mais cinco vezes, nos dias 11, 12, 13, 14 e 15 de julho, até que enfim foi encaminhada para ultrassom com urgência. Mas o pesadelo só começou. “Ocupei um dos leitos do Pronto-Socorro Central por cinco dias. No mesmo quarto, outras três pessoas.”
“O exame [pedido] com urgência não foi feito na quinta e muito menos na sexta-feira. Uma enfermeira avisa que o exame só é feito de segunda a sexta, ou seja, teria que aguardar o final de semana. No sábado à tarde, colocam uma medicação e sinto a mão inchar mais, aviso a enfermeira que, de forma rude, fala que não pode fazer nada. Eu observo que a medicação não tem identificação e exijo que seja retirada”, conta a jornalista, em situação dramática.
Adriana andou pelo PS em busca de uma solução. Após a responsável pelo plantão falar que “não pode fazer nada”, ela achou o médico, que disse que a medicação podia ter dado “uma reação” e que ia trocar. A enfermeira chegou ao quarto e falou que o médico tinha receitado outro medicamento. “Era ‘Diazepam’. Um amigo me falou no Whatsapp: ‘Você deve dormir em poucos minutos’. Sim, era calmante”, lembra – sem relação com o inchaço.
Na segunda 19 de julho, Adriana ficou perplexa. “O médico fala ‘pronto-socorro não é lugar de ficar tanto tempo, o exame não foi feito com urgência então vou te dar alta e você procura um especialista’”, conta. Ela recebeu guias de encaminhamento e receita para casa, mas sem diagnóstico do inchaço. Uma semana depois, ela teve de internar de novo, no Hospital Leito do Vazame. “Com exame positivo de covid-19, que peguei no Pronto-Socorro Central.”
A jornalista falou com a reportagem sobre o sufoco que passou. “Minha experiência foi ver de perto muitas vezes o descaso apontado por tantos leitores. É inadmissível, por exemplo, uma pessoa internada receber uma medicação sem qualquer identificação, como foi o meu caso. É inadmissível eu ter sido internada com urgência e após cinco dias o exame urgente não ter sido feito, e recebi alta médica sem qualquer esclarecimento”, disse Adriana.
“Foi uma experiência traumática, já que nada foi feito e ainda peguei covid-19 durante a internação. A saúde de Embu está um caos e os maiores prejudicados são os munícipes”, declarou ainda Adriana. No próprio relato no site, a jornalista deu uma “pausa” para reportar que uma colega de quarto passou sofrimento ainda pior e acabou morrendo, em referência à moradora Tereza Lourenço, de 76 anos – caso também noticiado por este portal – leia.
“Uma paciente que estava no mesmo quarto veio a óbito após alguns dias de descaso e abandono. Eu presenciei essa senhora um dia inteiro sem se alimentar e também sem ser trocada. Infelizmente não resistiu”, conta Adriana. Além de ter passado pela Câmara Municipal nomeada pelo então presidente Ney (2016), ela foi ainda funcionária comissionada da gestão do prefeito. “Sim. No primeiro mandato de Ney. Não trabalho mais”, disse à reportagem.
OUTRO LADO
O VERBO relatou ao prefeito que Adriana teve prescrito remédio sem identificação que fez aumentar o inchaço nas mãos e perna, foi mandada para casa sem o exame de urgência pedido e pegou covid no PS. “Após a experiência traumática, ela – que inclusive apoiou o senhor na primeira eleição e trabalhou no seu governo por quatro anos – disse ter uma certeza: ‘A saúde de Embu está um caos’. O senhor concorda com ela?”, questionou. Ney silenciou.
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QUESTIONADO SOBRE JORNALISTA DIZER QUE ‘SAÚDE DE EMBU ESTÁ UM CAOS’, NEY FICA EM SILÊNCIO






