Centro de Embu é manchado com ‘garrafada e cadeira voadora’ em bar de Renato

Especial para o VERBO ONLINE

Bar de Renato ao ser inaugurado; frequentador atira garrafas e outro é atingido por cadeira arremessada (detalhes) em briga no estabelecimento | Reprodução

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

Notabilizado até no exterior pelas construções históricas e rústicas que propiciam mergulho na cultura e aprazível ambiente do interior e pela feira patrimônio imateral do Estado mais rico do país que expõe o talento de artistas que inspiram o nome da cidade, o Centro Histórico de Embu das Artes foi manchado no último fim de semana por baderneiros em uma pancadaria em bar de políticos do poder local que “desfiguram” a identidade do lugar.

Vídeos enviados ao VERBO por uma leitora registram que a rua Joaquim Santana virou uma praça de guerra com briga generalizada entre frequentadores do bar na noite de domingo (25). A primeira imagem mostra o início da confusão com as pessoas em torno dos “briguentos”, na via pública, usada como extensão do estabelecimento. Na segunda, homens atiram garrafas e cadeira “voa” na cabeça de um rapaz. A jovem que o puxava pelo braço cai.

O bar é de propriedade, oficialmente, do vereador Renato Oliveira (MDB), presidente da Câmara Municipal, e do pastor Marco Roberto, chefe-de-gabinete do prefeito Ney Santos (Republicanos), e mais um sócio. Outro dono, porém, seria o secretário de Comunicação de Ney, Jones Donizette – no 11, ele promoveu o “negócio” ao chamar a assistir à final da Copa América no local com direito a chopp a cada gol do Brasil ao cliente com camisa da seleção.

No entanto, o imóvel no número 28 ficou conhecido como “bar do Renatinho” pelo vereador “afilhado político” de Ney – considerado mais “vaidoso” – já ter promovido o estabelecimento em vídeos e principalmente por gostar de ir ao local com carro oficial da Câmara. No último dia 7, ele foi “presenteado” pelo governo Ney ao ter o canteiro de jardim com árvore diante do bar arrancado na “calada da noite”, em destruição do patrimônio público – histórico.

Renato conseguiu o espaço para montar o palco para atrair mais público e lucrar em detrimento do bem público com as baladas que promove, como a do domingo, com reprovação. “Estragou o ‘rolê’ de todo mundo”, diz um homem no vídeo. O munícipe que já flagrou o “abuso” de Renato ao usar o carro oficial para “curtição” no próprio estabelecimento lamentou a briga. “Não há dúvida, foi no bar dele. Mas era algo já esperado”, diz Tadeu Veron.

“Onde há aglomeração e bebida alcoólica já se espera uma situação como essa”, afirma Veron, ao chamar a atenção para o desrespeito aos protocolos sanitários como o distanciamento social em meio à pandemia de covid-19 por parte de agente público que deveria dar exemplo e seguir as medidas. Embu tem 564 mortes pela doença e está no fim da fila da vacinação com a primeira dose – é o 620º colocado entre os 645 municípios paulistas.

A selvageria teria tido disparos de arma de fogo, apontam moradores, com ironia em alusão ao “batismo” do bar, Far West. “Viva o Embu das Artes, a cidade virou um faroeste”, publicou um morador. “Estão levando a sério o nome do local, já tem até tiros de verdade”, gargalhou uma munícipe. Às vésperas de abrir, o estabelecimento já “prometia”, conforme o aviso “O velho oeste em plena Embu das Artes” – a expressão é associada a terra sem lei.

PANCADARIA NO BAR DE PROPRIEDADE DE RENATO E PASTOR MARCO, NO CENTRO HISTÓRICO DE EMBU

Foto Google Maps

comentários

>